segunda-feira, 30 de abril de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #168

1 - Por que estereótipos são sempre ruins (mesmo quando são 'bons')
Do Nó de Oito. Olha, ler o Nó de Oito é sempre uma surpresa boa. A Lara produz textos muito interessantes, que abrem muito campo pra pensar e analisar a cultura pop. Recomendo muito.

2 - Aprendizados do meu primeiro evento acadêmico
Da Thais Godinho. Porque a primeira vez é sempre marcante. No caso da Thais, foi até de boa. O meu primeiro evento acadêmico foi um desastre... Ainda guardo aqueles momentos com dor no coração. Mas a gente supera. E segue. Porque é muito bom.

3 - Millenials: de donos do mundo a pobres e mimados
Do Café Corporativo. Não concordo com quase nada do texto (e olha que eu não sou Millenial), mas tem uma coisa que me chamou a atenção. Foi a definição dos tempos fáceis que geram pessoas fáceis, que geram tempos difíceis, que geram pessoas difíceis, que geram tempos fáceis e por aí segue o ciclo.

4 - O nosso holocausto
Do Ramon Cotta. Sobre a leitura que ele fez de O diário de Anne Frank, e que me fez ter vontade de reler o livro (li aos 15 anos e foi uma porrada na cara). O texto do Ramon também me fez ficar alerta, com os nossos holocaustos diários.

5 - O jogo das louças pintadas que homenageia grandes mulheres da história
Do Nexo. Uma delícia de história, a começar por Vanessa Bell ter participado dela e por ter retratado a irmã, Virgina Woolf.

6 - blue azul
Do Sapo Príncipe. Azu é minha cor favorita. E foi tão lindo ler sobre o azul...

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 29 de abril de 2018

Livro: A morte de Ivan Ilitch



Comecei a ler A morte de Ivan Ilitch há alguns anos, neste mesmo arquivo de Kindle. Mas aí aconteceu algo de que não lembro e larguei o livro. Não foi porque não estava gostando. Pela data, provavelmente era por motivos de mestrado mesmo.

A morte de Ivan Ilitch é um livro bem curto do Tolstói. Mas a pequenez do volume não está, de modo algum, ligada à história. A trama é uma porrada. Começa com algumas pessoas num departamento público, em uma conversa com o jogo de cartas da noite, quando alguém lê no jornal o comunicado sobre a morte de Ivan Ilitch, um magistrado da mesma repartição. Há comoção, como sempre acontece quando ficamos sabendo da morte de uma pessoa que conhecemos - seja ela de nosso convívio, relações ou não -, mas logo a vida volta a correr. Um dos amigos de Ivan vai, a contragosto, à casa do morto, para prestar condolências e participar do serviço fúnebre.

A partir daí, a narrativa passa a ser sobre a vida de Ivan. Seu nascimento, sua vida familiar, suas escolhas profissionais, o casamento, os filhos. A sua ambição profissional permeia toda a história, passando, até mesmo, pela sua escolha ao desposar Prascóvia Fierodóvina (adooooro os nomes russos e sua lógica de filiação!). O casamento, que parecia ser um bálsamo, vira um inferno para os dois. Ela, muito possessiva. Ele, querendo viver em paz. Não há diálogo, não há mais amor. Mas, mesmo assim, há muitos filhos. E muitas perdas. Ficam apenas dois, um menino e uma menina. E Ivan passa a ter mais despesas, que o trabalho não pode bancar.

Em uma tentativa bem sucedida de mudar de trabalho, recebe um salário maior e vai viver em uma nova cidade. Ele mesmo escolhe onde a família vai morar e decora a casa nova. Ao colocar uma cortina, cai e bate de lado, sentido muita dor, mas sem se abalar com isso. O prazer do novo lar, a antecipação da cara de espanto de Prascóvia e dos filhos com a riqueza de suas escolhas decorativas, suplantam a dor. Quando a família vem, instaura-se uma era de alegrias.

Mas aquela queda... Ivan começa a sentir um incômodo, que se transforma em dor, que se transforma em sofrimento. E ele não acha que está sendo bem tratado pelos médicos, pela família, pelos amigos. Não acha que recebe a atenção que deveria. E aí, em suas lamentações, temos a construção de uma alma tão atormentada, tão fruto de uma classe privilegiada (aqui, seja russa ou não, é impressionante como Ivan Ilitch se encaixa nos privilégios do mundo capitalista...) que tudo o que o tira do centro do mundo faz a dor, o incômodo e o sofrimento piorarem grandemente.

A morte de Ivan Ilitch é daquele tipo de livro curto e simples que provoca explosões. Parece inofensivo, mas vai lá no fundo da alma e cutuca uns pontos que a gente nem sabia que existia... O livro foi publicado em 1886. Praticamente 20 anos depois do início da escrita de Guerra e Paz e dez anos depois de Ana Karenina. Estes últimos dois sofreram uma grande influência das leituras de Schopenhauer. Por obra do destino, estou cursando uma disciplina que trata dessa ligação entre o autor e o filósofo. Foram poucas aulas, mas foi possível ver vários temas tratados por Schopenhauer na figura de Ivan Ilitch.

E por isso, cumpro aqui mais uma categoria do Desafio Livrada!: 3 - Um livro com abordagem metafísica. A leitura original é A montanha mágica, que está em processo.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sábado, 28 de abril de 2018

Citações #228

De Mastigando Humanos:


E, com tristeza, constatei que não me sentia mais tão jovem. Será que é isso o que fazem com a petizada? Aprisionam e adestram até que eles sintam o peso secular da academia sobre seus ombros? Eu sentia. Bastavam a jaula e os maus modos. Bastavam a luz fria e as portas trancadas para perceber o quanto eu me tornara um rapaz amadurecido. Entrar na Universidade. Mesmo que muitos façam por livre e espontânea... não deixa de ser livre e espontânea jaula. Será que é por isso que os calouros são chamados de bixos?


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 23 de abril de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #167

1 - Síndrome de Trinity, Teste de Bechdel e representatividade (Pílulas de Cinema #1)
Da Priscila Armani, no Podcast O que assistir. Recomento super o podcast O que assistir. Além de sempre trazer filmes muito bacanas, a Priscila aprofunda a discussão sobre representatividade. Os episódios são curtos, mas cheios de informação. Este aqui é um dos melhores que já ouvi.

2 - 'Monstro, prostituta, bichinha': como a justiça condenou a 1ª cirurgia de mudança de sexo no Brasil e condenou médico à prisão
Da BBC. Pra dar esperança de um jornalismo realmente jornalístico e conectado com a realidade, com a humanidade, com a necessidade de abrir os olhos para as mudanças do mundo. A história é muito emocionante. A narrativa é dessas que dá até vontade de voltar pra reportagem.

3 - A Noviça Rebelde
Do Cheiro de Livro. Um texto delicioso sobre meu filme favorito. Sei os diálogos de cor. Amo cada pedacinho...

4 - A execução de Marielle, as capas de jornais e o Estado paralelo
Da Kika Castro. Pra pensar um pouco sobre a imprensa e seu comportamento nesse momento tão crítico do Brasil.

5 - Porque ninguém dá tchau
Da Helô Righetto. Um texto bacaninha sobre as pessoas que abandonam blogs sem dar explicações. Casou bem comigo, porque ando escrevendo pouco aqui (o tempo anda corrido...), mas não quero encerrar porque amo este espaço. Outro dia até teve um leitor que fez contato comigo, e ainda elogiou os textos. Fiquei tão feliz... Então, é difícil dar tchau. Não darei, por enquanto.

6 - O feed do Instagram e a ansiedade sem fim
Da Dreisse. Porque o mundo está cheio de pegadinhas pra quem é ansioso. Dreisse e eu somos. Manifestamos de maneiras diferentes. Porém, vivemos tentando driblar as pegadinhas. E o Instagram é uma delas.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sábado, 21 de abril de 2018

Citações #227

De Mastigando Humanos:

Ah, minha demência. Pois então os três homens me levaram pelos corredores, elevadores e escadas da Universidade, algo como um esgoto seco - ou melhor, ainda não inundado. Era só virar as válvulas, abrir o registro, que se inundaria de baratas, ratos, moscas. Talvez por isso usassem luzes frias, para não atrair os bichos. Então o que eu estaria fazendo lá? O esquema deveria ser exatamente esse: frequentar primeiro uma escola inundada, o esgoto, onde eu aprendi a ler, falar, negociar com outros animais. Depois de graduado, me transferiram para outro campus. Um campus seco. Lá eu faria meu mestrado, quem sabe em rapto, tortura, assassinato. 

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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Livro: Só garotos



Essa edição lindona de Só garotos é da TAG Livros. Quis ler o livro desde que a Tati Feltrin fez um vídeo sobre ele. Daí, quando veio a diga do livro na revista anterior da TAG, fiquei bem feliz. E amei a edição. A Tag manda bem demais nos projetos gráficos e na diagramação. Esta capa, com as colagens que resumem bem o início do relacionamento da Patti e do Robert, é muito legal.

A história começa com Patti Smith falando sobre sua relação com Robert Mapplethorpe e como foi o fim dessa relação. Então, logo nas primeiras páginas já sabemos que Robert morreu precocemente. Mas não sabemos ainda como essa morte se deu, nem como os dois construíram o relacionamento.

Patti vai, então, começar a contar a sua própria história. Seu nascimento, sua relação com os pais e com os irmãos, a vida escolar e em comunidade, o primeiro emprego em uma fábrica, seus questionamentos sobre o mundo. Sua necessidade de sair da cidade é grande, e fica agravada quando ela engravida. Ela tem o bebê e o doa a um casal. Depois disso, o mundo fica ainda menor e ela quer voar. E Nova York é o local escolhido. Com uma mala, pouco dinheiro e muita vontade de produzir arte, Patti vai atrás de amigos que poderiam lhe dar abrigo. Mas nada acontece como ela programa. Ela passa alguns dias morando na rua, passando fome e vivendo sem poder contar com qualquer segurança.

Um dia, ao procurar um de seus amigos no Brooklin, ela conhece Robert Mapplethorpe e se encanta com o jeito meio rebelde, meio jovem, meio artista. Robert a ajuda a encontrar quem ela procura e os dois se despedem. Patti arruma um emprego em uma livraria e, certo dia, Robert entra e compra um colar. Num ímpeto, Patti diz que ele só poderia dar aquele colar para ela mesma. Os dois parecem se admirar mutuamente. Num terceiro encontro, Patti está saindo com um cliente, incentivada pelo pessoal da livraria, mas sente que está numa roubada. Robert passa por ela no momento de desespero e a leva embora dali. É a partir desse terceiro encontro que os dois começam a se relacionar. Vão morar juntos e dividir os perrengues. Porque no início, é só perrengue mesmo.

Os dois não têm dinheiro suficiente para viver. Precisam escolher entre comer ou comprar material de trabalho artístico e, para isso, deixar de comprar alguma outra coisa de sobrevivência, precisam que apenas um visite exposições e conte pro outro o que viu. Ela considera que Robert é mais artista que ela, e se esforça o mais possível para que ele tenha condições de trabalhar. Entre a vida árdua e a vontade imensa de ter a sua arte reconhecida, os dois começam a passar por conflitos que culminam no afastamento. Robert faz descobertas sobre si mesmo e Patti permanece ao seu lado, mesmo quando os caminhos se afastam.

A vida, como já dizia Joseph Klimber, é uma caixinha de surpresas. E os dois passam a conviver com grandes nomes das artes que vivem e passam por Nova York. Patti narra assombros ao conhecer seus ídolos (Bob Dylan é uma constante no livro. Não à toa, ela fez um discurso lindo quando ele foi agraciado com o Nobel de Literatura), mas fala como se não fosse nada de Jimi Hendrix e Janis Joplin, além de outros artistas e músicos que viviam na efervescência daqueles anos. Sua prosa é simples e, ao mesmo tempo, muito rica. É um livro de amor à arte, mas também de questionamentos a ela. É um livro sobre o amor a Robert e sobre a necessidade de deixá-lo viver como ele queria. É sobre deixar partir também, sabendo da verdade vivida. É lindo.

E temos mais um livro do Desafio Livrada!: um livro sobre música, categoria 13. Ok que não é todo sobre música (e eu ainda quero ler Ragtime), mas a música perpassa toda a trajetória da Patti e do Robert. E é na música que ela se encontra.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Livro: Mindhunter



Sempre gostei de ler sobre crimes. Ou melhor, sempre gostei de ler ficção sobre crimes. O primeiro livro da Agatha Christie que li, tinha uns 16 anos. Ganhei de um clube de troca de livros que meu Padrinho me inscreveu. Amei dum tanto... Comecei a ler mais Agatha, passei pro Conan Doyle, li uma coisa ou outra de outros autores. No cinema e nas séries, gosto muito de ver investigações policiais de crimes. Daí, quando Mindhunter entrou na Netflix, Leo e eu logo corremos pra ver. Vimos em dois dias e ei fiquei "uauuuu"! Amei a série e fiquei doida pra ler o livro.

Daí a Tayra estava vendendo algumas coisas e entre eles, este livro. Aproveitei pra comprar mais dois de Star Wars, coloquei Mindhunter na cesta e esperei chegar. Comecei a ler logo. E aí... Vou deixar minhas impressões pro final.

O livro é escrito por John Douglas, que é agente aposentado do FBI e que participou da instituição de uma unidade de investigação especializada no perfil dos criminosos, especialmente nos criminosos sem série. Esses tipos de crimes não era muito estudados, muito porque o lendário ex-diretor do do FBI, J. Edgar Hoover, era contra qualquer aproximação com a psicologia. Douglas critica bastante essa e outras posições do então chefe, por exemplo, na admissão de mulheres: só houve contratadas mulheres no FBI depois da morte de Hoover. O autor fala o tempo todo que a necessidade de estudar o comportamento dos criminosos porque comportamento reflete personalidade. Assim, entrando na mente do assassino e da vítima, Douglas e seus colegas conseguira traçar perfis que facilitavam a busca da polícia. Ele repete várias vezes também a frase: "se quiser compreender um artista, olhe para sua obra". E foi assim, estudando exaustivamente os crimes, suas vítimas e fazendo entrevistas em profundidade com os criminosos que ele implementou uma nova área de trabalho e ajudou a solucionar vários crimes.

Uma coisa interessante é que ele aponta que antes das décadas de 1960/1970, os crimes violentos aconteciam, em geral, com famílias. Depois, entraram em cena - e não fica claro o motivo, se é por mais exposição ou por qualquer outra coisa - crimes violentos contra pessoas "estranhas". Outro ponto importante dos estudos do autor é que fica claro que o criminoso em série aprende com os crimes anteriores e, por isso, vai aperfeiçoando sua técnica. Em outras palavras, ele fica melhor. E, por isso mesmo, mais ousado. Douglas pontua que esse tipo de criminoso está mais interessado em exprimir sua raiva, seu ódio, em reafirmar seu poder do que está atrás de sexo. Isso porque a maior parte dos crimes envolve sexo de uma ou outra forma. São muitos estupros narrados. Seguidos de morte, mutilação, violações do corpo de formar horríveis. Para Douglas, o sexo é apenas incidental. É uma forma de exercer poder, apenas. Muitos dos crimes apresentados e que não têm estupro culminam com o criminoso se masturbando na cena do crime. Na página 334, por exemplo, ele diz que a castração (química ou não) não deve ser usada como recurso contra estupradores: "O estupro é, sem dúvida, um crime de ódio. E se você corta as bolas de alguém, terá apenas um homem com muito mais raiva". Enfim, é bastante agressivo ler isso.

Douglas também reforça bastante que assassinos em série e estupradores têm muita facilidade de enganar psiquiatras e outros médicos, porque seu maior interesse é estarem soltos. Então, se precisarem provar que estão regenerados para ganharem liberdade condicional, eles o farão. Para Douglas, esses criminosos não têm solução. Ele usa, praticamente, dois exemplos de assassinos que falaram, em algum momento, que precisavam estar presos para não matar mais. Também aponta a questão da doença mental: para ele, se os criminosos mais cruéis fossem realmente doentes, eles poderiam cometer os crimes em frente às pessoas da lei, mas sempre vão para um canto em que não estão sendo observados, e isso aponta a racionalidade atuando. Sua visão é que a alegação de insanidade é mais um truque para burlar o sistema. A partir disso, vem uma defesa grande da pena de morte...

Coisas que detestei no livro: o tanto de autobajulação do autor. "Olha como eu sou bonzão", ele parece dizer o tempo inteiro. Outra coisa são as piadinhas machistas que se espalham pelo texto. A estereotipização da mulher, que deveria ser combatida num livro como este, acaba sendo reforçada de várias maneiras. Por exemplo, quando Douglas fala que os agentes do FBI eram treinados (ele usa o termo "doutrinados") para tomar cuidado com comunistas e mulheres, que poderiam se aproximar para roubar segredos. Ou quanto ele descreve a colega de trabalho Jana Monroe, de forma bem machistinha. Affff....

O fato de ser mulher e, portanto, exposta 24 horas por dia a crimes de ódio envolvendo afirmação de poder por sexo - o estupro e outras formas tão cruéis quanto - fez a leitura ser muito penosa. Tive medo mesmo enquanto virava as páginas. A maior parte das vítimas do livro são mulheres. Em muitas situações de fragilidade. Prostitutas são as principais vítimas. Mas também não escapam mulheres que Douglas diz que "estavam no lugar errado na hora errada". E isso é uma culpabilização terrível da mulher. Até entendo que ele queria dizer que elas foram alvo dos assassinos apenas por serem mulheres e estarem no local no momento em que o criminoso vinha atacar, e não por terem efetivamente feito algo que desencadeou o crime. Mesmo assim, a linguagem reforça uma culpa que essas mulheres não deviam carregar.

Outro momento que me despertou pro terror foi no caso do Alasca, em que um empresário local é preso depois de matar várias prostitutas como "caça" (estilo Ramsay Bolton, pra quem acompanha GoT). Quando chamado em interrogatório, ele pergunta" "Não é possível estuprar uma prostituta, é?". Cara, que nojo! Que vontade de jogar o livro (coitado do objeto-livro) na parede! Que vontade de gritar! Douglas ao menos aponta que a propagação da pornografia, que todos sabemos que reforça o poder do macho na questão sexual, como uma possiblidade para o aumento desse tipo de crime de ódio. Recentemente, a internet foi inundada por um meme que dizia que, hoje, as mulheres esperam um príncipe da Disney, enquanto os homens esperam as mulheres dos pornôs. Ou seja: a conta nunca vai fechar.

Pra terminar, o que mais me incomodou no livro foi o fato dele não ser ficcional. A série, mesmo baseada em fatos reais, é formada por uma equipe de produção, por um design de produção, por atores, cenas, cortes, insinuações. O livro não é ficcional, e aí a realidade bate com força na cara, na mente, no corpo. Foi uma leitura penosa, não porque é mal escrito ou mal contado (mal contado ele é, me deu raiva em vários pontos, como disse acima), mas porque as descrições dos crimes me levaram a pensar na humanidade, na nossa possibilidade, facilidade e intenção de fazer o mal a outra pessoa. E isso dói. Dói tanto que não quero mais pensar.

Prefiro crimes ficcionais. Saudades de Agatha...  E cumpri a categoria 5 do Desafio Livrada! - Um livro narrado em primeira pessoa.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 2 de abril de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #166

1 - "Temos poucas escritoras"
Da Aline Valek. Que texto mara, indispensável pra gente ver que tem, sim, muitas autoras por aí. E muitas boas, muita leitura pra explorar.

2 - Sem mais regras: a nova leva de anglicismos é feia de dar dó
Da Juliana Cunha. Terminei de ler e fiquei pensando horas sobre como as palavras vão tomando conta da nossa vida bem devagar, e quanto vemos, já estamos enredados por elas. Mesmo com os problemas expostos no texto, é uma coisa bonita ver a língua viva.

3 - Personagens empoderadas e... misóginas? Uma reflexão sobre a misoginia internalizada na cultura pop
Da Lara Vascouto, do Nó de Oito. Tem tempos que leio o Nó de Oito e gosto muito das reflexões, das indicações e do podcast, que é phoooooda! Este texto é bem importante para refletirmos sobre a construção da figura da mulher em produtos da cultura pop. Mesmo nos que parecem descoladões, lá estamos nós à volta com mulheres que odeiam mulheres...

4 - 50 anos da morte de RFK - vem um filme por aí
Do Luiz Biajoni. Este texto é muito louco. Acabei clicando pra ler porque estou lendo um livro que fala sobre a morte do RFK, num ponto bem específico. Daí, dois dias depois vem o texto e fui ler, pela coincidência. E foi muito louco. Aí deu vontade de ler os livros que ele traz no texto...

5 - As mentiras de "O nome da rosa"
Do Agustí Francelli. Caí neste texto, de 2008, depois de procurar pela relação entre o Snoopy e o Umberto Eco no livro "O nome da rosa", que eu adoro e ando precisando reler. Curti bastante... Aqui o texto é mais voltado para o Pós-escrito, que é um texto muito bacana também. Minha relação com Umberto Eco é de amor-ódio-amor. O amor sempre vence.

6 - Mamilos 140 - Direitos Humanos
Do B9. Se você nunca escutou o Mamilos, melhor podcast desse Brasilzão, pare tudo e escute. Em especial, este sobre Direitos Humanos. Especialmente no depoimento do Frei Betto. Escute Mamilos.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...