quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Livro: As alegrias da maternidade



As alegrias da maternidade teve um sabor bem agridoce. Foi o livro de outubro da TAG, indicado pela musa Chimamanda Ngozi Adichi. Expectativa lá em cima, ainda mais que só ouvia elogios ao livro. Elas foram cumpridas sim - às vezes vale a pena criá-las. Foram até ultrapassadas.

A protagonista é Nnu Ego, filha de um ~aristocrata~ do interior da Nigéria. Pertence à etnia Igbo. Seu pai, Agbadi, tinha, como era o costume, várias esposas. Sua mãe, Ona, era amante, não esposa. Porém, era ela quem Agbadi amava. Quando Nnu Ego nasceu, foi abraçada pelo pai como filha preferida. Ona morre e Nnu Ego cresce seguindo o destino das mulheres: casar e ter filhos homens. Seu casamento com Amatokwu começa feliz, com os dois jovens apaixonados. Mas Nnu Ego não engravida, e o marido acaba tomando outra esposa, que logo fica grávida. O peso de não ter filhos, se ver marcada pela sociedade, logo toma Nnu Ego e, devido a um acontecimento com o filho mais velho da nova esposa do marido, ela volta para a casa de Agbadi. O pai devolve o dote e arruma um novo casamento para a filha.

Para se casar com Nnaife Owulum, Nnu Ego precisa deixar sua aldeia, Ibuza, e ir para Lagos, a capital da Nigéria, uma terra com costumes muito diferentes. Só o choque de culturas daria uma história cheia de coisas interessantes. Por exemplo: Nnaife trabalha lavando e passando roupas de um casal inglês. Para Nnu Ego, é uma afronta o marido lavar e passar as roupas de baixo de uma mulher. Para ela, um bom homem é aquele que trabalha na lavoura, fica queimado de sol e tem o corpo atlético pelo trabalho pesado. Nnaife é o contrário: barrigudo, a pele mais clara, delicado. Ela odeia o novo marido logo de cara. Mas aceita o destino de ser a esposa, de cuidar da casa, da comida do marido. E de lhe dar filhos.

A vida de Nnu Ego é um sofrimento sem fim. E é por isso que As alegrias da maternidade é agridoce. É um livro árido, uma história triste e forte. Ao mesmo tempo, é um mergulho lindo em uma outra cultura, cheia de nuances. A autora, Buchi Emecheta, viveu seus primeiros 20 e poucos anos na Nigéria, depois mudou-se para Londres e, mais idosa, para os Estados Unidos. Seu olhar para a Nigéria é crítico, com um toque ocidentalizado. Os costumes da Nigéria são colocados na roda: a primazia dos homens, a estrutura familiar, em que sempre alguém toma conta da família (e quando o homem mais velho morre, o que é logo abaixo dele na hierarquia ganha de ~presente~ as esposas e filhos do falecido), a expectativa de se fazer dinheiro com as filhas, por conta dos dotes, como se fosse um fardo que se transforma num investimento a longo prazo. E o olhar superior que os brancos têm com a África, fazendo com que os africanos acreditem que são inferiores e incapazes. O conflito entre a vida de Lagos, governada pelos brancos, com os costumes ancestrais de Ibuza, é bem interessante. O livro também mostra como os costumes vão ruindo com o passar dos anos. O fim do livro é muito impactante sobre isso, em especial com Oshiaju, o segundo filho de Nnu Ego.

Mas, principalmente (e é por isso que gosto mais ainda do livro), um olhar muito feminista, que capta as dores dessas máquinas de procriar, que só têm um mínimo valor quando são mães de meninos. E, especialmente por isso, a ironia do título é sensacional! Os conflitos de Nnu Ego com as filhas, para ensiná-las seu lugar inferior na sociedade, são muito difíceis de serem lidos, e ainda assim são brilhantes.



Há boatos de que As alegrias da maternidade sairá em breve - até o momento, é uma edição exclusiva da TAG.

O livro é lindo, tem um projeto gráfico incrível - confesso que fiquei vários dias babando no projeto, em cada detalhe, pensando no trabalho gostoso que deve ter sido criá-lo. Selo "Aline" de aprovação com louvor! Além disso, é uma história maravilhosa, dessas que ficam dias e dias ressoando na mente. Amei!


Da Chimamanda, já tivemos por aqui:
Os perigos de uma história única
Hibisco roxo
Meio sol amarelo
Sejamos todos feministas

Tenho Americanah, mas ainda não li.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #163

1 - O edifício maldito
Da revista Piauí. Sobre o edifício Rainha da Sucata, que fica na Praça da Liberdade, em BH. São muitas histórias sobre a sua existência, sobre seu projeto e sobre a forma como a população viu a construção. Amei o texto!

2 - O direito ao luto
Do Ramon Cotta. Sobre como é importante sofrer quando for pra sofrer. E sobre a urgência de estarmos todos tão bem como num comercial de margarina.

3 - O corpo da outra
Da Clara Averbuck, no Lugar de Mulher, que estava sumido. Sobre julgamentos e sobre amar o próprio corpo, independente do que os outros pensam.

4 - Brechó + lista mental
Da Lud. Sobre corpo, ainda, mas também sobre se conhecer, encontrar seu próprio equilíbrio, não virar escrava do capitalismo e encontrar estilo.

5 - Quem tripudia dos direitos humanos chama a si mesmo de lixo
Do Sakamoto. Algo com que eu sempre concordei. Se você é contra os direitos humanos, é contra os seus próprios direitos. Ou você não é humano?

6 - O currículo dos fracassos acadêmicos
Da Verônica. Que texto perfeito pra mim! Caiu como uma luva! E vou confessar que quero ser a Verônica quando crescer.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 14 de janeiro de 2018

Citações #219

De Mastigando Humanos:


Os seres humanos inventaram coisas demais com que se preocupar. As notícias do dia, os clássicos da literatura, as fofocas da novela, os perfumes, as roupas, os memes e as receitas para conquistar o sucesso. Talvez se esqueçam de que precisam mesmo manter o estômago cheio. Fazem lipo. E nessas tantas preocupações tão desnecessárias - para a evolução, perpetuação, existência - evoluem esquecendo-se do prato principal. 
Talvez tenha sido a descoberta do fogo, da roda, o polegar opositor. Algo que os distraiu e os potencializou - seguiram para uma outra direção. Eu realmente não acredito que sejamos menos capazes, nós, os jacarés, veja só meu exemplo. Gostamos de tomar sol como vocês nas férias; nadar como vocês nas férias; comer piranhas como vocês. Nosso dia a dia é aproveitado como as breves férias de vocês. E muitos de vocês ainda por cima planejam nos visitar durante esse período nos lagos e rios, nas enciclopédias, nos zoológicos, no Animal Planet! Veja só para onde nos levou nossa escala evolutiva.  


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Pra 2018

Não preparei nada especial pra 2018. Nem nada que não fosse especial. Não fiz a lista de querências que eu sempre faço (mesmo porque eu sei de cor o que eu quero e as querências que não mudam de um ano pra outro).

Mas fiz algumas coisas.

Comprei dois calendários de mesa. Um pro home-office, um pra agência. Sempre ganhava um ou mais, mas agora resolvi comprar um bem colorido, do jeito que eu queria. Não consigo mais ficar sem o calendário ao lado, mesmo sabendo que posso abrir o do computador. A questão é facilitar a minha vida, e se eu olho pro lado e vejo o mês desenhado, consigo me planejar melhor. Há anos eu falo que o planejamento faz toda a diferença. Ao menos pra mim, sem planejamento não tem ação realizada direito. E o calendário faz parte disso.

O calendário colorido.
Com a Kakamora que a Maria fez pra mim.
E com a Matrioska que a Nara trouxe da Rússia. 

Separei um monte de livros de literatura que quero ler este ano. Junto com eles vai um tanto de não ficção, mas não acadêmicos, que também quero ler. Estão no móvel ao lado do meu criado-mudo, em três pilhas. Provavelmente, será uma lista #fail, porque eu já sei que não terei tempo pra todos eles. Meu combinado comigo mesmo é que eu tiver lido ao menos a metade até o fim de 2018, está ótimo.

O plano financeiro está ok, o plano de lugares para ir está definido, o plano de trabalho está devidamente documentado e prontíssimo pra ser executado. O plano de estudos, que é o principal pra mim, está bem encaminhado. Tem um monte de anjos acadêmicos na minha vida (só pra citar alguns: Ana Paula, Luana, Nara, Debora, Marcelo, Mario) que estão colaborando muito. Os livros e textos a serem lidos estão organizados. O material a ser escrito, também.

A casa está organizada também. Não que esteja tudo no lugar, mas está quase tudo lá. Mas ainda tem uma lista de coisas que devem ser observadas - a proposta é que esteja tudo realizado até o fim do ano. A lista tem a ver com minimalismo sim. Porque quanto menos, mais. E casa grande faz a gente querer guardar muitas coisas, porque tem espaço. A lista de livros de literatura vai passar pela lista do minimalismo: acabei de ler, será doado. Se for a cara de alguém que eu conheço, vai pra essa pessoa. Se for a cara de alguém que eu não conheço, vai pro Twitter - ofereço meus livros lá de vez em quando e tem dado certo.

O resumo é que estamos caminhando praquela leveza que eu queria aqui há muitos anos. Tudo tem funcionado, tudo está fluindo bem. Isso não significa que estamos livres de percalços, mas que até isso está sendo tranquilo. E isso é lindo!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

De volta a NY - Parte 7

Quase todos os tipos de clima

Nosso último dia inteiro em NY foi destinado a resolver coisas. Tínhamos algumas coisas pra levar, que precisavam ser adquiridas, vistas, procuradas. Tínhamos as malas compactar pra arrumar. Tínhamos que despedir da cidade. E o dia amanheceu feio, úmido, chuvoso e chato. Foi difícil andar na rua e no metrô. E o pé... o pé tava sofrendo. E eu com medo de piorar, por conta do solo todo molhado. Mas seguimos.

Fomos a vários lugares, que nem vale a pena contar. Eram só da nossa lista de coisas pra fazer.
Mas algumas vou comentar. De novo, fomos no Whole Food. Leo queria buscar cervejas. Ele encontrou Mikkeller em lata com um preço maravilhoso. Era uma das que ele queria trazer, e lá fomos nós buscar. Também passamos na Staples para buscar plástico bolha e garantir que as cervejas em garrafa que íamos trazer chegassem intactas. Criei uma nova especialidade: embalar cervejas para viajarem de avião.

Tinha essa também, mas não trouxemos

O outro lugar que eu queria parar desde sempre era a Barnes &Noble, que fica na Quinta Avenida. Fomos lá e eu gastei horas passeando por todos os andares, sentando no chão e olhando os livros. Acabei com dois, apenas, que vão me ajudar nas pesquisas. Queria trazer algo de GoT, mas os preços estavam impraticáveis. O volume 1 com ilustrações estava caríssimo. Acabei comprando a versão brasileira, a um preço bem mais digno.


Não tinha espaço na mala

Comprei a edição nacional, com preço digno

Isso deve ser mara, mas não cabia

Trouxe esses dois: algoritmos e ecologia de mídias

Sim, eu tava em casa

A chuva trouxe personagens ainda mais doidos no metrô

O dia não teve nada demais, a não ser ficamos passeando de um lado pro outro - e de cada lado pro hotel - na chuva e no frio.

No dia seguinte, seguimos de metrô pro aeroporto. Me dê um cartão ilimitado do metrô e um mapa que eu chego a qualquer lugar em NY! A ida pro aeroporto foi ótima. Durou cerca de uma hora, quase o mesmo tempo de carro ou de ônibus, mas muito mais tranquila. Dentro do aeroporto, há um metrô interno ligando os terminais. O nosso terminal era o último.

Já no aeroporto, esperando o metrô interno

Esperando o guichê abrir

Livro novo, da livraria da sala de embarque

Já está dando saudade? Sim. Vamos voltar logo? Acho que não. Os planos atuais são outros, mas a gente nunca deixa NY de lado, né?


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Livro: Ruído branco


Culpa do Yuri do Livrada!, Ruído branco estava na minha lista de livros por ler há algum tempo. Comprei e fiquei com ele na estante por um tempão até que chegou o dia. A leitura foi muito rápida: comecei dia 21 e terminei dia 24 de dezembro.

A história é muito envolvente, mais pelos diálogos e pelas relações da família de Jack, o protagonista narrador, do que pelo enredo em si, mesmo que este também seja muito bom.

Jack é professor universitário numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Sua universidade parece ser beeeeem de Humanas e beeeeeem flexível com os cursos oferecidos. Jack é especialista em Hitlerologia e é, também, o coordenador desse curso. Em alguns meses, a universidade vai receber um evento de Hitlerologia e Jack, que é sumidade no assunto, não fala alemão e tem medo de passar vergonha. Um dos professores da universidade, Murray, que tenta emplacar um curso sobre a vida de Elvis Presley, nos moldes do de Hitlerologia, oferece um professor de alemão e Jack se vê às voltas com o novo idioma. Aliás, Murray é como se fosse o grilo-falante de Jack, sempre com temas muito loucos nas conversas. Já falei que os diálogos são ótimos, não é?

Jack é casado com Babette e a relação dos dois é muito interessante. Ambos vêm de relacionamentos e filhos anteriores e formam uma família bem divertida, com cada um com a personalidade muito bem delimitada. Jack é pai de Heirich e de Steffie, além de Bee e Mary Alice, que não vivem com ele. Babette é mão de Denise e do bebê Wilder, além de outro garoto que vive com o pai. E a família é super integrada, como se fosse uma colcha de retalhos absurdamente harmônica. Babette dá aulas de postura para idosos e está sempre envolvida em coisas que ajudam pessoas, tipo lendo jornais sensacionalistas para cegos (e as notícias desses jornais são ótimas!).

A vida da família e dos amigos segue um ritmo bem normal, com compras e encontros no supermercado, com as conversas surreais entre o corpo docente da universidade e Babette passando roupa, tudo entremeado pelo rádio ou pela televisão. Até que um caminhão que levava resíduos tóxicos tomba perto da cidade e forma uma nuvem tóxica que alcança a cidade. A partir daí o medo de cada personagem vem à tona, levando a várias situações muito loucas (parece propaganda de Sessão da Tarde, mas é tudo muito louco mesmo), até culminar na terceira parte do livro, em que a explosão do medo interior de cada um, aliado ao maior e mais constante medo da morte, leva a uma situação tão surreal quanto as passagens em que Jack repete seu plano infinitas vezes, enquanto as coisas se desenrolam.

Foi uma das melhores leituras do ano. Foi uma delícia ler os diálogos e as situações inusitadas em que a família de Jack se coloca. Foi muito louco me ver confrontada com a forma que o meu medo da morte assume. E com outros medos que surgiram ao pensar em minha própria morte. Espelhando um diálogo do Jack com a Babette, perguntei ao Leo quem de nós deveria morrer primeiro. Segundo ele, se for eu, ele teria que arrumar uma coroa bacana para resolver os problemas dele. E ela ficaria responsável por dar um fim aos meus livros. Demos boas risadas com isso, mas alguma coisa ficou, ainda mais depois de ter tanta coisa de pessoas já falecidas pra resolver: minimalismo é o canal. Até mesmo porque o livro esfrega na nossa cara o consumo excessivo, a realização pessoal pelo poder de compra, o supermercado como lugar de encontro social. Um tapa bem dado.

O livro foi muito importante pra mim, e mais do que justo que ele saia da minha estante e vá visitar outros leitores. Postei no Twitter que enviaria o livro pra quem quisesse recebê-lo, e a queridona da Jullyane é quem vai ficar com ele.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

2017

Foi um ano louco e rápido. Passou tudo voando, uma coisa atrás da outra, muita coisa acontecendo. 

  • Terminei da dissertação, defendi, virei Mestra, tem até diploma emitido! Foi um trabalhão em volume e em desgaste emocional. Também em amor, tenho muito orgulho do que produzi. Meus agradecimentos a todos que estiveram comigo nesse período. Fiz amigos, na turma no mestrado, com meu orientador e sua família; reforcei laços com amigos de longa data também. A defesa, aquele momento tenso, foi muito especial;
  • Escrevi artigos, capítulos de livros, projetos. Terminei o ano lançando um livro organizado por mim e por colegas, na mesa de abertura de um congresso, dividindo a mesa com três professores da minha vida acadêmica: um da graduação, um da especialização e um do mestrado. Fiquei orgulhosa sim;
  • Teve banca de TCC sim! Muitas e todas muito bacanas. Adoro!;
  • Teve um convite de trabalho muito especial. Fiquei feliz e honrada, mesmo não podendo corresponder; 
  • Completei um ano de pilates! Desde a adolescência, não ficava tanto tempo fazendo uma atividade física externa;
  • Voltei pro QiGong, depois de um ano e meio parada. Sério, QiGong é vida!;
  • Li pouca literatura, mas no geral, foi muito bom: Tetralogia Napolitana (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), Vozes de Tchernóbil, O vestido, Sobre a escrita, Pequenas grandes mentiras, Fahrenheit 451, Um amor incômodo, A filha perdida, As três Marias, Dias de abandono. Um viva pra Elena Ferrante, que salvou meu ano literário!; 
  • Mas teve também aquelas leituras meio chulé: Livre, A garota na teia da aranha; 
  • E teve leitura acadêmica de várias formas. Só trouxe pro blog as menos puxadas: Tesouros enterrados de Lost, História do Lance!Net-ativismo, A produção do jornalismo esportivo na internet. Me recuso a falar das outras leituras acadêmicas, porque são densas demais. Ninguém merece vir aqui pra ver semiótica, teoria ator-rede, metodologias e quetais; 
  • Teve leitura beta também, de um dos melhores livros que li este ano, mas sobre o qual ainda não posso falar nada;
  • Terminei Gilmore Girls e não escrevi sobre isso. Voltei a ver Lost e AMO!!. Vi algumas outras sérias, como Strager Things 2, Mindhunter, Punho de Ferros, Os Defensores, 13 reasons wht, Gilmore Girls. Outras que não lembro;
  • Vi Blade Renner, versão do diretor e, no dia seguinte, Blade Renner 2049, no cinema. Fiquei louca com a sala confort, porque ninguém faz barulho; 
  • Acabei escrevendo pouco também, aqui pro blog. Especialmente entre setembro e outubro. Falta de tempo generalizada. 2017 foi o ano em que menos publiquei aqui, exceto 2009, quando ainda tinha o outro blog e não conseguia concentrar tudo;
  • Teve mini-férias delícia (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui. Falta o resto, eu sei. Vou contando. 
  • Foi ano de dar "até logo" pra uma das pessoas mais importantes da minha vida. E, mais uma vez, me acostumar com aquela ausência que grita o tempo todo. Ainda estou me acostumando;
  • Foi um ano de muitas viagens e muitos reencontros. De sorrisos e abraços. E de sobrinhos! Teve muita gente linda por perto. Agradecimentos especiais aos que mais estiveram por aqui: Bruno, Luciana, Breno, Marcelo e Leandro; Ana Paula, Elias e Chico; Leo, Cris, Lucas e Hugo; Marcelo, Debora e Maria; Alan e Marcão; Aninha, Pedro, Bernardo e Gabriel; Vanessa, Ronan e Tomás; Stênio; Rosinha e Anabel; Mário. Relacionamento quase diário com esses queridões e muito, muito amor. 


O que eu queria em 2017 e que o que aconteceu:

  • mais automação nos processos do trabalho - Uhu!!! Caminho sem volta, com tudo fluindo muito bem. É das melhores coisas que consegui no trabalho, com muito investimento pessoal, muitas tentativas e erro e, no fim, muito sucesso. Felizona!; 
  • calma para terminar a dissertação - calma não teve. Mas teve fim da dissertação, teve defesa, teve diploma e teve tudo indo muito bem.
  • mais calma ainda para defender a dissertação - calma não teve, nunca tem. Mas fluiu. E foi uma defesa cheia de amor. 
  • um belo projeto pro doutorado. Ou melhor, três belos projetos pro doutorado, ao menos - só teve um projeto, e eu não gostei dele. Cheguei até a entrevista do doutorado e bati na trave por alguns motivos específicos. Meu orientador disse que o projeto estava ótimo, mas o fato de eu não ter gostado dele deve ter contribuído pra não ter passado. Mas não me importo, um dia eu passo. 
  • uma viagem bem legal pra comemorar o fim do mestrado e a abertura de novas possibilidades - teve, e foi lindo! Mesmo rápido, mesmo com o dólar nas alturas, foi uma das viagens mais legais da vida!
  • mais sala de aula! Como aluna ou professora, o que vier é lucro - teve só no segundo semestre, quando voltei pra Filosofia e fiz vários cursos online. 
  • mais amor no mundo - não está rolando, definitivamente. 
  • mais interpretação de texto - vixi… 
  • mais encontro com os amigos - rolou demais! Acho que foi o ano mais social da minha vida. E foi ótimo!
Se 2018 viver com tanta sintonia com os amigos, com tantas realizações pessoais, como foi 2017, vai ser lindo. 



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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

De volta a NY - Parte 6

Sempre uma surpresa em cada esquina
Começamos o domingo prontos pra conhecer o Guggenheim. Tanto o prédio quando a arte que nele habita eram coisas que eu queria ver desta vez. O ingresso estava incluso no City Pass, e foi ótimo ter feito essa compra ainda no Brasil. Pegamos o metrô e subimos pro museu. Meu pé em chamas, mas menos inchado devido ao suporte, me fazia andar bem devagar. Por isso, custamos a chegar.




O prédio é uma coisa linda! Um vão livre enorme e as espirais, por onde se desce e se vê os nichos, com as obras. Não pode entrar com bolsas grandes, então deixamos as mochilas no guarda-volumes e pegamos o elevador para ver as obras. Sim, pode-se fotografar. O que é ótimo.



Olha esse vão!!! Olha esse caracol maravilhoso!

Pollock

Pollock

Pollock

Teve Max Ernst, Yves Tanguy, Paul Delvaux, René Magritte,  Duchamp (em tela, não em ready-made), Piet Mondrian, Paul Klee, Robert Delaunay, Amedeo Modigliani, Degas (pinturas e esculturas), Paul Gauguin, Van Gogh, Paul Cézanne, Edouard Manet, Toulouse-Lautrec, Claude Monet,

Picasso

Kandinsky
Kandisky

Cara, emocionante demais ter contato com todas essas obras, nesse prédio maravilhoso. Juntando MET, MoMA e Guggenheim, tá tudo lindo e cheio de emoção. A única coisa que atrapalhou foi... meu pé, meu querido pé que me aguenta o dia inteiro. O bichinho sofreu. Volta e meia eu precisava sentar, repetir a pomada analgésica, tomar remédio pra dor. Não foi fácil.

Saímos e fomos, mais uma vez, para o Central Park. Atravessamos de um lado para o outro, em meio ao muitas famílias, cachorros e corredores.



Dalí, pegaríamos o metrô para seguir pro Brooklin. Nosso objetivo era almoçar por lá e depois atravessar a ponte do Brooklin à pé. Algo que queríamos ter feito na visita anterior e que era beeeem não recomendável para agora, visto a situação do meu pé. Mas a gente estava de mini-férias comemorativas, então pensei que teria todo o tempo do mundo pra cuidar do meu pé depois que voltasse pra casa. Iria devagar, mas não deixaria de ir.

Pegamos o metrô, mas como haveria uma manutenção numa das linhas que vão ao Brooklin, acabamos saindo em um lugar diferente do programado. Foi ruim? Claro que não! Saímos do lado do Shake Shack, o melhor sanduíche desse mundo. Óbvio que nosso almoço foi lá.


Aí seguimos pra ponte, que não era lá muito longe - um "logo ali" de mineiro -, mas que, no fundo, pareceu muito longe pro meu pé direito.







Se tudo fosse normal, teríamos continuado flanando por aí. Mas não rolou. Por motivos de pé direito. Então, saímos da ponte, pegamos o metrô e fomos pro hotel.

Única solução possível pra um dia de caminhada hard

E o dia ainda não tinha terminado... Tínhamos uma entrada do City Pass para utilizar, e não sabíamos o que fazer. Já estávamos quase voltando pro Brasil e não queríamos perder o investimento. Daí, revisamos a lista de opções e resolvemos ir pro Empire State Building. Só conhecíamos o bar no subsolo, que tínhamos visitado com o Pedro na visita anterior. Agora, era a possibilidade de subir no mirante e ver NY por outro ângulo.

Essa cidade é muito linda!
Depois da visita, que foi menos do que esperávamos, porque o Rockfeller Center foi mais legal. Ainda assim, foi muito bacana. Daí, passamos no bar, o Heartland Brewery, mas super rápido, por motivos de que eu precisava mesmo colocar o pé pra cima. 

Matando as saudades de 2013. Faltou o Pedro. 

E lá fomos nós dormir, para passar o nosso último dia em NY, antes de voltar pra casa. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Livro: Net-ativismo



2017 vai ficar marcado como o ano em que eu menos li literatura. Foi ruim? Sim e não. Sim, porque eu sinto muita falta de literatura, muita mesmo. E não porque botei em dia várias leituras técnicas que eu precisava - afinal, trabalhamos com a necessidade de seguir carreira acadêmica. Este Net-ativismo comprei em um congresso e li quase em tempo recorde, entre voos e esperas em aeroporto. Só larguei numa turbulência daquelas em que o avião parece que vai cair, pra soltar um "eita!", sentir o coração palpitar e tentar voltar ao normal ou ao menos fingir que não tenho pavor de voar.

Calho que tinha um artigo pra escrever sobre o tema. Calhou que é um tema muito bacana - visto as redes de jornalismo livre, mídia alternativa, midiativismo e etc que estão surgindo e fazendo bonito por aí. Calhou que o Di Felice escreve muito bem. E que as histórias que ele traz são muito, mas muito interessantes.

O autor fala muito de como a contemporaneidade trouxe novos arranjos sociais. Aliado a isso, a internet - e a chamada de Web 2.0, embora eu tenha vários problemas com o termo - possibilitou acesso à produção e à distribuição de conteúdos, em especial os que eram considerados de nicho. Muitas pautas saíram das sombras e atingiram quem jamais tinha imaginado tais temas. Hakin Bey, Luther Blisset (que eu achei muito a cara de Banksy) e os Neozapatistas são os exemplos tratados. A carta do desaparecimento do subcomandante Marcos é tão linda, tão intensa, tão conectada com o mundo cheio de diferenças... Só por ter partes dela no livro, já vale a leitura.

Além disso, a reflexão sobre as formas de ativismo em rede são muito bem exploradas. O autor caminha no sentido de uma percepção ecológica da vida, coisa que me escapa, mas não deveria. Ou seja: preciso estudar mais.

Também há um capítulo que explora a Teoria Ator-Rede, que é outro assunto que preciso estudar mais. A abordagem, aqui, é compatível com que tenho visto no grupo de pesquisa, e cabe uma reflexão interessante.

Enfim, ótimo livro para quem gosta de redes e vê perspectivas de uso que saem do tradicional e da publicidade.

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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Livro: A produção do Jornalismo Esportivo na internet



E lá sigo eu na saga de ler sobre jornalismo esportivo, porque eu gosto sim.

Nas este livro me decepcionou um tantão. Por ser da minha área de atuação acadêmica (acho chique falar assim, dá até a entender que eu super atuo na área acadêmica, #sqn), fui esperando muito do assunto, do autor, da dissertação. Sim, o livro é fruto de uma dissertação defendida na Cásper Líbero e o autor é jornalista esportivo. Em si, o volume corrobora a afirmação do meu orientador de que há pouca produção de qualidade na área do jornalismo esportivo. A maior parte dela é de jornalistas contando como atuaram e tentando montar um conjunto de regras. Mas vamos ao livro.

Marcelo analisa os relatos de quatro partidas da Copa do Mundo de 2014 (Brasil x Croácia, Brasil x Chile, Brasil X Alemanha - o famigerado 7 a 1) em quatro sites de jornalismo esportivo: Globo Esporte, ESPN, Gazeta Esportiva e Folha de S. Paulo. A proposta é trabalhar com os conceitos de Sociedade do Espetáculo, de Debord. Ou seja: é bacana, porque traz um olhar sobre espetacularização do esporte, do jornalismo e do jornalismo esportivo, mas sem abordar a televisão, que é o veículo sempre lembrado quando se trata do tema. Porém, não sei se foi na hora de transformar a dissertação em livro ou se a própria dissertação é assim, faltou muito de metodologia. Aliás, quase não se fala de método de pesquisa. Ficou um buraco, um vácuo grande.

Uma das coisa que discordo do autor é que ele chama tudo de reportagem. E o que eu vejo nos sites de jornalismo esportivo hoje está muito longe de ser reportagem. Em especial, quando ele apresenta as matérias que nortearam a pesquisa, na cobertura da Copa de 2014. Relato de jogo não é reportagem. Pode até ser análise, mas reportagem não é. Ou estamos em uma época em que qualquer texto supostamente jornalístico pode ser chamado de reportagem? Pra mim, nem matéria jornalística é reportagem... que dirá cobertura de jogo de futebol...

Outra coisa que não gostei foi do texto. Também não sei se é algo só do livro ou se também está presente na dissertação original. O fato é que Marcelo adjetiva demais. Parece que estamos lendo um texto de jornalismo esportivo, daqueles bem classicões, com uma chuva de adjetivos exaltando o time do autor. Isso tira todo o caráter sério de pesquisa. E, em vários momentos, cheguei a questionar se tinha mesmo pesquisa aqui. Tem um momento que o autor diz que os sites de jornalismo esportivo se propõe a registrar "ao menos tudo" o que acontece no esporte. "Ao menos tudo" me deixou tão de boca aberta! Há ainda momentos em que o autor se contradiz, em que fala que uma coisa confunde o leitor e, em outro momento, que a mesma coisa já fez o leitor se acostumar.

Claro que há coisas interessantes. O referencial teórico é bacana, mesmo que eu ache que foi meio mal aproveitado. O fato do Marcelo ser repórter esportivo também traz muitas coisas interessantes sobre o dia a dia da profissão e dos bastidores dos quatro veículos analisados. Mas, no geral, achei que faltou cuidado na pesquisa, na redação e na revisão. Como esta é a primeira edição, espero que essas coisas sem corrigidas para as próximas.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...