quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #171

1 - Desculpas
Do Darllam Cruz. Um relato sobre o Transtorno Bipolar. Que é complicado pra todo mundo. Estou mais acostumada a ver relatos de familiares, não de pessoas que sofrem o transtorno. E o texto do Darllam é forte e contundente. Precisamos falar mais sobre os transtornos. Precisamos entender, compreender.

2 - Fiscais de Instagram e comentaristas de portal: por favor, cresçam!
Da Lia Bock. Um texto pra resumir a preguiça das pessoas que discordam (o que é saudável), mas agem igual crianças mimadas com as pessoas que não têm as mesmas opiniões e pontos de vista que elas (o que é chato bacarai).

3 - Psicólogos e pseudoterapeutas - a minha opinião
Da Rita. Sobre estereótipos. Vale bem a leitura.

4 - Quer uma dica para terminar a tese? Comece a escrever
Da Verônica. O blog da Verônica me ajuda demais. A ter inspiração pro mundo acadêmico. A me organizar enquanto pesquisadora. A ter mais vontade de viver a pesquisa. Neste texto ela fala sobre a necessidade de se escrever sem esperar. Tô tentando seguir o conselho!

5 - Anne with an E: o que transforma o mundo
Do Walkirias. Anne with an E é uma doçura sem fim! Já conhecia a história, de uma série que a HBO transmitiu na década de 1990. Tinha ela toda gravada em VHS e vi incontáveis vezes. A adaptação atual, da Netflix, tem crianças interpretando crianças. Na da HBO, eram adultos interpretando crianças. Depois elas cresciam e tal, mas era bem estranho. Ainda assim, um amorzinho. A série Netflix é um deleite. Vale muuuuito a pena ver e renovar a esperança de um mundo mais bonito.

6 - The 200 greatest songs by 21th century women+
Do NPR. Uma lista muito maluca, sem playlist (o que é bem triste), mas com muitas coisas boas. Amei ter Kaki King por lá!

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 11 de junho de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #170

1 - Exploring the digital ruins of Second Life
No Digg. O Second Life foi uma coisa que eu achei que movimentaria de vez a mídia. Até convite pra lançamento de carro no Second Life eu recebi, na época em que era da imprensa. Achei que tinha acabado, mas ele permanece vivo, como mostra o texto. Muito interessante!

2 - Crítica negativa
Do Santiago Nazarian. Sobre a necessidade de se criticar e, mais ainda, de se publicar críticas negativas de livros (acho que é extensivo a outras peças da indústria cultural). Negativa ou positiva, se a crítica está embasada, ela vale muito. Basta embasar. E a gente aprende.

3 - Pesquisadores criam inteligência artificial psicótica com base em fóruns do Reddit
Do B9. M-E-D-O desses fóruns e do que sai deles!

4 - Kelly Marie Tran deleta todos os posts de seu Instagram depois de meses de assédio de fãs de "Star Wars"
Mais uma do B9, mais uma assustadora. Fãs são malucos. E eu sou mais doida ainda de estudar fãs.

5 - De grilagem a trabalho infantil: surgem novos crimes de Bernardo Paz, idealizador do Inhotim
Do The Intercept. Olha, Inhotim é um museu maravilhoso. E parece seguir a linha dos demais museus, com histórias de fundação tão terríveis, que dá até vontade de não ir. Não prego boicote à arte, de jeito nenhum. Só estou lembrando que nenhum museu tem uma construção/instituição livre de coisas horríveis. O Inhotim é só mais um. Não dá pra esquecer sua ligação com o Mensalão, por exemplo. E, agora, novas informações sobre seu fundador.

6 - Por que um spoiler não estraga o filme: assim funciona a ciência da reviravolta na trama
Do El País. Texto levinho, mas bem interessante. Esse mundo dos fãs e dos spoilers, apesar de ser bem doido, me encanta.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Mais perguntas aleatórias

Vi no Facebook da Bel há um tempão, guardei e não respondi. Vai agora, porque está difícil escrever pra cá, com tanta coisa acontecendo por aqui. Coisas boas, muito boas!


1. Qual foi a última coisa que você colocou na sua boca?
Água (tô em BH, tá quente aqui - apesar dos belo-horizontinos que conheço estarem reclamando de frio)

2. Onde foi tirada sua foto de perfil?
No Metropolitan de NY, em 2013. Estava admirando um quadro de Miró, quando Leo puxou meu cabelo pro lado e fotografou. Amei... Um tempo depois, ele colocou o arco-íris na foto, em apoio à causa LGBTTS. 

3. Pior dor física que teve na vida
Dor é uma coisa tão relativa... tenho fibromialgia e sinto dores o tempo todo. Mas a enxaqueca de 11 de setembro de 2001, algumas horas antes da queda das torres gêmeas, é uma das que ficaram gravadas na memória. 

4. Lugar preferido que já esteve
É pedante falar que é a minha casa, né? Mas não importa pra onde eu vá, fico tão feliz de voltar pra casa...

5. Até que horas ficou acordado na noite passada?
23h. Era domingo, vi Westworld :-)

6. Se você pudesse se mudar para um outro lugar, onde seria?
Hoje, para o Porto, que eu amo muito. Mas isso pode mudar amanhã, talvez.

7. Quem dos seus amigos do Facebook mora mais perto de você?
A Debora é minha vizinha de frente :-)

8. Quando foi a última vez que você chorou? 
No último sábado, porque adenomiose também dói pra caramba!

9. Quem tirou a foto do seu perfil? 
Leo

11. Qual a sua estação do ano preferida?
Outono

12. Se você pudesse ter qualquer carreira, qual seria?
Escritora. Vivo tentando, mas não saio do lugar

13. Qual foi o último livro que você leu?
A morte de Ivan Ilitch, de Tolstói. E estou relendo, para um trabalho de Filosofia

14. Se você pudesse conversar com QUALQUER pessoa neste momento, quem seria?
Seriam Vovó e Tia Ylza, que me fazem muita falta. 

15. Você é uma boa influência?
Depende

16. Abacaxi fica bom na pizza?
Não.

17. Você tem o controle remoto, qual canal vc escolheria?
De TV aberta / a cabo, qualquer canal de esportes. Mas viver sem televisão é tão libertador, que nem sinto tanta falta dos canais de esporte. E tem Netflix, que é um amorzinho!

18. 2 pessoas que você acha que tbm vão brincar?
Nem ideia

19. Último show que você foi?
Música de Cinema da Orquestra Ouro Preto

20. Tipo de comida favorita?
Do tipo pastel de queijo

_______________ 
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sábado, 19 de maio de 2018

Citações #231

De Mastigando Humanos:


Como jogos de civilidade, de tempos em tempos meus colegas formulavam respostas, diagramavam-na seguindo padrões e as apresentavam como verdades. Isso eles chamavam de "teses de mestrado". 
Bastava sermos convincentes. Bastava que outros acreditassem. Bastava apoiarem-se no passado - alguém que cometera os mesmos erros, morrera, e deixara páginas em aberto. Se alguém pisara pelos mesmos passos na areia, o caminho deveria estar certo. Não importava a extensão da orla, não importava quão navegável o mar, outras opções se chamariam de vanguarda, e essa não era a rota da Universidade. Sempre haveria alguém que saberia mais do que você. E sempre haveria alguém para te guiar. Não importava o quanto estivéssemos perdidos, era melhor seguir o caminho já traçado. Eu achava que só um tsunami poderia nos salvar.  


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sábado, 12 de maio de 2018

Citações #230

De Mastigando Humanos:


Uma satisfação padronizada, em horários e ocupações - mais ou menos como vivem os adultos da sua espécie, humanos. Acordar sempre na mesma hora - cedo -, dormir cedo porque o sono os atinge, ter horários fixos para as refeições, resignar-se em relacionamentos olivianos. É bom saber que o prato está sempre lá, mas não é isso que mata o apetite, né? Não basta termos arroz e feijão todo dia ao meio-dia; o melhor é não termos certeza de que o prato chegará até as cinco, mas ele sempre chegar. O contentamento da incerteza, a dádiva do acaso, a sensação de estarmos sendo protegidos pelo destino, e não acomodados pelo sistema. Ahhhh...

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 7 de maio de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #169

1 - Por Skyler
Do KraheLake. Olha só, eu adoro Breaking Bad, acho que é das melhores séries da vida. Só perde pra Anos Incríveis, mas aí todo mundo perde. Mas em Breaking Bad tem a Skyler e muita gente odiou a Skyler de um tanto que ultrapassou o personagem. O texto mostra como o ódio à personagem é o resultado do ódio generalizado às mulheres. Não, não é um salto absurdo. É isso aí mesmo.

2 - À consideração superior
Do Ágora com dazibao no meio. Sobre a Revolução dos Cravos e o dia 25 de abril.

3 - O algoritmo é mais embaixo
Do Tab, sobre o escândalo do Facebook com a Cambridge Analytica e como somos apenas dados para as mídias sociais, o chamado Capitalismo de Dados. Ótima leitura

4 - Utopias e distopias feministas, uma disciplina completa de presente para você
Da Lola. Com a ementa e tudo mais da disciplina de Utopias e distopias feministas que ela vai ministrar na pós-graduação da UFC. Pra mim, vale muito como consulta. E também como vontade de ser aluna.

5 - Atual gestão da Eletrobras pagou quase R$ 2 milhões para que falassem mal da própria empresa
Da Agência Sportlight. Essa matéria é surreal. E a Agência Sportlight só traz alento de que tem solução pro menino jornalismo.

6 - branco sai, preto fica
Da Ester. Reflexões bastante interessantes sobre o funcionamento do mundo acadêmico, seus privilégios e seus orgulhos.


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sábado, 5 de maio de 2018

Pílulas do momento #22

1 - Ausência
Quase dois anos sem escrever Pílulas do momento. A última foi em 2016, shame on me. Escrever aqui tem sido complicado. Não por falta de assunto, mas por falta de tempo mesmo. Andei tentando abraçar o mundo, na correria louca de me qualificar cada vez mais pro doutorado. Fiz um monte de cursos. Os dois últimos foram ao mesmo tempo e me deixaram maluquinha. Estou com avaliadora no maior congresso de comunicação do País. Como coordenadora-adjunta de um GT de outro congresso. Estudando semiótica. Tentando conversar com a pessoa que quero que me oriente - ela tem me ignorado. Fora isso, tem o trabalho, que nunca para. Tem a Filosofia, que eu continuo cursando devagar (este semestre são só duas disciplinas eletivas).

2 - Viagens
Duas viagens já marcadas este ano. Ontem fui cobrada de uma terceira. Espero encaixar em outubro. E, na data, já devemos ter uma posição sobre a seleção do doutorado. Será que este ano vai? Tenho aquela pressa de realizar, mas também a calma de saber que vou tentar as seleções até passar. Voltando às viagens, temos Joinville e Piracanjuba, tradicionalmente. Pro ano que vem, tem uma outra viagem em planejamento, pra um congresso. Ainda não sei se vai rolar, mas expectativa está grande. Estou tentando não fazer grandes planos, porque pode não acontecer. Aí, já viu...

3 - Estimação
Depois da morte da Cuca, fui categórica que não queria outro cachorro. Leo também. Até hoje a gente chora quando falamos dela. Em geral, são aquelas noites em que ela estaria aconchegada em nós, nos forçando a dividir espaço, rosnando ou pedindo pra descer da cama. Sinto tanta falta... Porém, esta semana Leo veio com o papo de que, daqui a uns cinco anos, deveríamos ter outro cachorro. Sugeri um gato, que é mais independente. Ele bateu o pé que quer um cachorro. Cinco anos... até lá dá pra acostumar com a ausência da Tuts. Será?

4 - Livro
Acabei de ficar sabendo que vai rolar livro de novo este ano. Uhu!!! Adoro fazer livro, é um dos trabalhos que mais me dá prazer. E foi um convite que eu amei dum tanto... A verdade é que não esperava esse convite, achei que estava tudo acertado com outra pessoa. Daí, quando me falaram, hoje, que seria eu a fazer, fiquei radiante


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


Citações #229

De Mastigando Humanos:



"Veja bem, Homo sapiens (sapiens) acordam tarde, perdem a hora, têm crises afetivas e feriados para comemorar. Eles têm religião, vão a enterros de parentes, sofrem de cefaleia e dor de cabeça, não se entrosam com seus superiores. Bebem café para acordar, tomam Valium para dormir, fumam para esquecer e se esforçam para lembrar. Têm tantas particularidades, tantas dúvidas e dívidas, que é mais fácil trabalharmos com animais. (...)" 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 30 de abril de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #168

1 - Por que estereótipos são sempre ruins (mesmo quando são 'bons')
Do Nó de Oito. Olha, ler o Nó de Oito é sempre uma surpresa boa. A Lara produz textos muito interessantes, que abrem muito campo pra pensar e analisar a cultura pop. Recomendo muito.

2 - Aprendizados do meu primeiro evento acadêmico
Da Thais Godinho. Porque a primeira vez é sempre marcante. No caso da Thais, foi até de boa. O meu primeiro evento acadêmico foi um desastre... Ainda guardo aqueles momentos com dor no coração. Mas a gente supera. E segue. Porque é muito bom.

3 - Millenials: de donos do mundo a pobres e mimados
Do Café Corporativo. Não concordo com quase nada do texto (e olha que eu não sou Millenial), mas tem uma coisa que me chamou a atenção. Foi a definição dos tempos fáceis que geram pessoas fáceis, que geram tempos difíceis, que geram pessoas difíceis, que geram tempos fáceis e por aí segue o ciclo.

4 - O nosso holocausto
Do Ramon Cotta. Sobre a leitura que ele fez de O diário de Anne Frank, e que me fez ter vontade de reler o livro (li aos 15 anos e foi uma porrada na cara). O texto do Ramon também me fez ficar alerta, com os nossos holocaustos diários.

5 - O jogo das louças pintadas que homenageia grandes mulheres da história
Do Nexo. Uma delícia de história, a começar por Vanessa Bell ter participado dela e por ter retratado a irmã, Virgina Woolf.

6 - blue azul
Do Sapo Príncipe. Azu é minha cor favorita. E foi tão lindo ler sobre o azul...

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 29 de abril de 2018

Livro: A morte de Ivan Ilitch



Comecei a ler A morte de Ivan Ilitch há alguns anos, neste mesmo arquivo de Kindle. Mas aí aconteceu algo de que não lembro e larguei o livro. Não foi porque não estava gostando. Pela data, provavelmente era por motivos de mestrado mesmo.

A morte de Ivan Ilitch é um livro bem curto do Tolstói. Mas a pequenez do volume não está, de modo algum, ligada à história. A trama é uma porrada. Começa com algumas pessoas num departamento público, em uma conversa com o jogo de cartas da noite, quando alguém lê no jornal o comunicado sobre a morte de Ivan Ilitch, um magistrado da mesma repartição. Há comoção, como sempre acontece quando ficamos sabendo da morte de uma pessoa que conhecemos - seja ela de nosso convívio, relações ou não -, mas logo a vida volta a correr. Um dos amigos de Ivan vai, a contragosto, à casa do morto, para prestar condolências e participar do serviço fúnebre.

A partir daí, a narrativa passa a ser sobre a vida de Ivan. Seu nascimento, sua vida familiar, suas escolhas profissionais, o casamento, os filhos. A sua ambição profissional permeia toda a história, passando, até mesmo, pela sua escolha ao desposar Prascóvia Fierodóvina (adooooro os nomes russos e sua lógica de filiação!). O casamento, que parecia ser um bálsamo, vira um inferno para os dois. Ela, muito possessiva. Ele, querendo viver em paz. Não há diálogo, não há mais amor. Mas, mesmo assim, há muitos filhos. E muitas perdas. Ficam apenas dois, um menino e uma menina. E Ivan passa a ter mais despesas, que o trabalho não pode bancar.

Em uma tentativa bem sucedida de mudar de trabalho, recebe um salário maior e vai viver em uma nova cidade. Ele mesmo escolhe onde a família vai morar e decora a casa nova. Ao colocar uma cortina, cai e bate de lado, sentido muita dor, mas sem se abalar com isso. O prazer do novo lar, a antecipação da cara de espanto de Prascóvia e dos filhos com a riqueza de suas escolhas decorativas, suplantam a dor. Quando a família vem, instaura-se uma era de alegrias.

Mas aquela queda... Ivan começa a sentir um incômodo, que se transforma em dor, que se transforma em sofrimento. E ele não acha que está sendo bem tratado pelos médicos, pela família, pelos amigos. Não acha que recebe a atenção que deveria. E aí, em suas lamentações, temos a construção de uma alma tão atormentada, tão fruto de uma classe privilegiada (aqui, seja russa ou não, é impressionante como Ivan Ilitch se encaixa nos privilégios do mundo capitalista...) que tudo o que o tira do centro do mundo faz a dor, o incômodo e o sofrimento piorarem grandemente.

A morte de Ivan Ilitch é daquele tipo de livro curto e simples que provoca explosões. Parece inofensivo, mas vai lá no fundo da alma e cutuca uns pontos que a gente nem sabia que existia... O livro foi publicado em 1886. Praticamente 20 anos depois do início da escrita de Guerra e Paz e dez anos depois de Ana Karenina. Estes últimos dois sofreram uma grande influência das leituras de Schopenhauer. Por obra do destino, estou cursando uma disciplina que trata dessa ligação entre o autor e o filósofo. Foram poucas aulas, mas foi possível ver vários temas tratados por Schopenhauer na figura de Ivan Ilitch.

E por isso, cumpro aqui mais uma categoria do Desafio Livrada!: 3 - Um livro com abordagem metafísica. A leitura original é A montanha mágica, que está em processo.


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sábado, 28 de abril de 2018

Citações #228

De Mastigando Humanos:


E, com tristeza, constatei que não me sentia mais tão jovem. Será que é isso o que fazem com a petizada? Aprisionam e adestram até que eles sintam o peso secular da academia sobre seus ombros? Eu sentia. Bastavam a jaula e os maus modos. Bastavam a luz fria e as portas trancadas para perceber o quanto eu me tornara um rapaz amadurecido. Entrar na Universidade. Mesmo que muitos façam por livre e espontânea... não deixa de ser livre e espontânea jaula. Será que é por isso que os calouros são chamados de bixos?


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 23 de abril de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #167

1 - Síndrome de Trinity, Teste de Bechdel e representatividade (Pílulas de Cinema #1)
Da Priscila Armani, no Podcast O que assistir. Recomento super o podcast O que assistir. Além de sempre trazer filmes muito bacanas, a Priscila aprofunda a discussão sobre representatividade. Os episódios são curtos, mas cheios de informação. Este aqui é um dos melhores que já ouvi.

2 - 'Monstro, prostituta, bichinha': como a justiça condenou a 1ª cirurgia de mudança de sexo no Brasil e condenou médico à prisão
Da BBC. Pra dar esperança de um jornalismo realmente jornalístico e conectado com a realidade, com a humanidade, com a necessidade de abrir os olhos para as mudanças do mundo. A história é muito emocionante. A narrativa é dessas que dá até vontade de voltar pra reportagem.

3 - A Noviça Rebelde
Do Cheiro de Livro. Um texto delicioso sobre meu filme favorito. Sei os diálogos de cor. Amo cada pedacinho...

4 - A execução de Marielle, as capas de jornais e o Estado paralelo
Da Kika Castro. Pra pensar um pouco sobre a imprensa e seu comportamento nesse momento tão crítico do Brasil.

5 - Porque ninguém dá tchau
Da Helô Righetto. Um texto bacaninha sobre as pessoas que abandonam blogs sem dar explicações. Casou bem comigo, porque ando escrevendo pouco aqui (o tempo anda corrido...), mas não quero encerrar porque amo este espaço. Outro dia até teve um leitor que fez contato comigo, e ainda elogiou os textos. Fiquei tão feliz... Então, é difícil dar tchau. Não darei, por enquanto.

6 - O feed do Instagram e a ansiedade sem fim
Da Dreisse. Porque o mundo está cheio de pegadinhas pra quem é ansioso. Dreisse e eu somos. Manifestamos de maneiras diferentes. Porém, vivemos tentando driblar as pegadinhas. E o Instagram é uma delas.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sábado, 21 de abril de 2018

Citações #227

De Mastigando Humanos:

Ah, minha demência. Pois então os três homens me levaram pelos corredores, elevadores e escadas da Universidade, algo como um esgoto seco - ou melhor, ainda não inundado. Era só virar as válvulas, abrir o registro, que se inundaria de baratas, ratos, moscas. Talvez por isso usassem luzes frias, para não atrair os bichos. Então o que eu estaria fazendo lá? O esquema deveria ser exatamente esse: frequentar primeiro uma escola inundada, o esgoto, onde eu aprendi a ler, falar, negociar com outros animais. Depois de graduado, me transferiram para outro campus. Um campus seco. Lá eu faria meu mestrado, quem sabe em rapto, tortura, assassinato. 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Livro: Só garotos



Essa edição lindona de Só garotos é da TAG Livros. Quis ler o livro desde que a Tati Feltrin fez um vídeo sobre ele. Daí, quando veio a diga do livro na revista anterior da TAG, fiquei bem feliz. E amei a edição. A Tag manda bem demais nos projetos gráficos e na diagramação. Esta capa, com as colagens que resumem bem o início do relacionamento da Patti e do Robert, é muito legal.

A história começa com Patti Smith falando sobre sua relação com Robert Mapplethorpe e como foi o fim dessa relação. Então, logo nas primeiras páginas já sabemos que Robert morreu precocemente. Mas não sabemos ainda como essa morte se deu, nem como os dois construíram o relacionamento.

Patti vai, então, começar a contar a sua própria história. Seu nascimento, sua relação com os pais e com os irmãos, a vida escolar e em comunidade, o primeiro emprego em uma fábrica, seus questionamentos sobre o mundo. Sua necessidade de sair da cidade é grande, e fica agravada quando ela engravida. Ela tem o bebê e o doa a um casal. Depois disso, o mundo fica ainda menor e ela quer voar. E Nova York é o local escolhido. Com uma mala, pouco dinheiro e muita vontade de produzir arte, Patti vai atrás de amigos que poderiam lhe dar abrigo. Mas nada acontece como ela programa. Ela passa alguns dias morando na rua, passando fome e vivendo sem poder contar com qualquer segurança.

Um dia, ao procurar um de seus amigos no Brooklin, ela conhece Robert Mapplethorpe e se encanta com o jeito meio rebelde, meio jovem, meio artista. Robert a ajuda a encontrar quem ela procura e os dois se despedem. Patti arruma um emprego em uma livraria e, certo dia, Robert entra e compra um colar. Num ímpeto, Patti diz que ele só poderia dar aquele colar para ela mesma. Os dois parecem se admirar mutuamente. Num terceiro encontro, Patti está saindo com um cliente, incentivada pelo pessoal da livraria, mas sente que está numa roubada. Robert passa por ela no momento de desespero e a leva embora dali. É a partir desse terceiro encontro que os dois começam a se relacionar. Vão morar juntos e dividir os perrengues. Porque no início, é só perrengue mesmo.

Os dois não têm dinheiro suficiente para viver. Precisam escolher entre comer ou comprar material de trabalho artístico e, para isso, deixar de comprar alguma outra coisa de sobrevivência, precisam que apenas um visite exposições e conte pro outro o que viu. Ela considera que Robert é mais artista que ela, e se esforça o mais possível para que ele tenha condições de trabalhar. Entre a vida árdua e a vontade imensa de ter a sua arte reconhecida, os dois começam a passar por conflitos que culminam no afastamento. Robert faz descobertas sobre si mesmo e Patti permanece ao seu lado, mesmo quando os caminhos se afastam.

A vida, como já dizia Joseph Klimber, é uma caixinha de surpresas. E os dois passam a conviver com grandes nomes das artes que vivem e passam por Nova York. Patti narra assombros ao conhecer seus ídolos (Bob Dylan é uma constante no livro. Não à toa, ela fez um discurso lindo quando ele foi agraciado com o Nobel de Literatura), mas fala como se não fosse nada de Jimi Hendrix e Janis Joplin, além de outros artistas e músicos que viviam na efervescência daqueles anos. Sua prosa é simples e, ao mesmo tempo, muito rica. É um livro de amor à arte, mas também de questionamentos a ela. É um livro sobre o amor a Robert e sobre a necessidade de deixá-lo viver como ele queria. É sobre deixar partir também, sabendo da verdade vivida. É lindo.

E temos mais um livro do Desafio Livrada!: um livro sobre música, categoria 13. Ok que não é todo sobre música (e eu ainda quero ler Ragtime), mas a música perpassa toda a trajetória da Patti e do Robert. E é na música que ela se encontra.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Livro: Mindhunter



Sempre gostei de ler sobre crimes. Ou melhor, sempre gostei de ler ficção sobre crimes. O primeiro livro da Agatha Christie que li, tinha uns 16 anos. Ganhei de um clube de troca de livros que meu Padrinho me inscreveu. Amei dum tanto... Comecei a ler mais Agatha, passei pro Conan Doyle, li uma coisa ou outra de outros autores. No cinema e nas séries, gosto muito de ver investigações policiais de crimes. Daí, quando Mindhunter entrou na Netflix, Leo e eu logo corremos pra ver. Vimos em dois dias e ei fiquei "uauuuu"! Amei a série e fiquei doida pra ler o livro.

Daí a Tayra estava vendendo algumas coisas e entre eles, este livro. Aproveitei pra comprar mais dois de Star Wars, coloquei Mindhunter na cesta e esperei chegar. Comecei a ler logo. E aí... Vou deixar minhas impressões pro final.

O livro é escrito por John Douglas, que é agente aposentado do FBI e que participou da instituição de uma unidade de investigação especializada no perfil dos criminosos, especialmente nos criminosos sem série. Esses tipos de crimes não era muito estudados, muito porque o lendário ex-diretor do do FBI, J. Edgar Hoover, era contra qualquer aproximação com a psicologia. Douglas critica bastante essa e outras posições do então chefe, por exemplo, na admissão de mulheres: só houve contratadas mulheres no FBI depois da morte de Hoover. O autor fala o tempo todo que a necessidade de estudar o comportamento dos criminosos porque comportamento reflete personalidade. Assim, entrando na mente do assassino e da vítima, Douglas e seus colegas conseguira traçar perfis que facilitavam a busca da polícia. Ele repete várias vezes também a frase: "se quiser compreender um artista, olhe para sua obra". E foi assim, estudando exaustivamente os crimes, suas vítimas e fazendo entrevistas em profundidade com os criminosos que ele implementou uma nova área de trabalho e ajudou a solucionar vários crimes.

Uma coisa interessante é que ele aponta que antes das décadas de 1960/1970, os crimes violentos aconteciam, em geral, com famílias. Depois, entraram em cena - e não fica claro o motivo, se é por mais exposição ou por qualquer outra coisa - crimes violentos contra pessoas "estranhas". Outro ponto importante dos estudos do autor é que fica claro que o criminoso em série aprende com os crimes anteriores e, por isso, vai aperfeiçoando sua técnica. Em outras palavras, ele fica melhor. E, por isso mesmo, mais ousado. Douglas pontua que esse tipo de criminoso está mais interessado em exprimir sua raiva, seu ódio, em reafirmar seu poder do que está atrás de sexo. Isso porque a maior parte dos crimes envolve sexo de uma ou outra forma. São muitos estupros narrados. Seguidos de morte, mutilação, violações do corpo de formar horríveis. Para Douglas, o sexo é apenas incidental. É uma forma de exercer poder, apenas. Muitos dos crimes apresentados e que não têm estupro culminam com o criminoso se masturbando na cena do crime. Na página 334, por exemplo, ele diz que a castração (química ou não) não deve ser usada como recurso contra estupradores: "O estupro é, sem dúvida, um crime de ódio. E se você corta as bolas de alguém, terá apenas um homem com muito mais raiva". Enfim, é bastante agressivo ler isso.

Douglas também reforça bastante que assassinos em série e estupradores têm muita facilidade de enganar psiquiatras e outros médicos, porque seu maior interesse é estarem soltos. Então, se precisarem provar que estão regenerados para ganharem liberdade condicional, eles o farão. Para Douglas, esses criminosos não têm solução. Ele usa, praticamente, dois exemplos de assassinos que falaram, em algum momento, que precisavam estar presos para não matar mais. Também aponta a questão da doença mental: para ele, se os criminosos mais cruéis fossem realmente doentes, eles poderiam cometer os crimes em frente às pessoas da lei, mas sempre vão para um canto em que não estão sendo observados, e isso aponta a racionalidade atuando. Sua visão é que a alegação de insanidade é mais um truque para burlar o sistema. A partir disso, vem uma defesa grande da pena de morte...

Coisas que detestei no livro: o tanto de autobajulação do autor. "Olha como eu sou bonzão", ele parece dizer o tempo inteiro. Outra coisa são as piadinhas machistas que se espalham pelo texto. A estereotipização da mulher, que deveria ser combatida num livro como este, acaba sendo reforçada de várias maneiras. Por exemplo, quando Douglas fala que os agentes do FBI eram treinados (ele usa o termo "doutrinados") para tomar cuidado com comunistas e mulheres, que poderiam se aproximar para roubar segredos. Ou quanto ele descreve a colega de trabalho Jana Monroe, de forma bem machistinha. Affff....

O fato de ser mulher e, portanto, exposta 24 horas por dia a crimes de ódio envolvendo afirmação de poder por sexo - o estupro e outras formas tão cruéis quanto - fez a leitura ser muito penosa. Tive medo mesmo enquanto virava as páginas. A maior parte das vítimas do livro são mulheres. Em muitas situações de fragilidade. Prostitutas são as principais vítimas. Mas também não escapam mulheres que Douglas diz que "estavam no lugar errado na hora errada". E isso é uma culpabilização terrível da mulher. Até entendo que ele queria dizer que elas foram alvo dos assassinos apenas por serem mulheres e estarem no local no momento em que o criminoso vinha atacar, e não por terem efetivamente feito algo que desencadeou o crime. Mesmo assim, a linguagem reforça uma culpa que essas mulheres não deviam carregar.

Outro momento que me despertou pro terror foi no caso do Alasca, em que um empresário local é preso depois de matar várias prostitutas como "caça" (estilo Ramsay Bolton, pra quem acompanha GoT). Quando chamado em interrogatório, ele pergunta" "Não é possível estuprar uma prostituta, é?". Cara, que nojo! Que vontade de jogar o livro (coitado do objeto-livro) na parede! Que vontade de gritar! Douglas ao menos aponta que a propagação da pornografia, que todos sabemos que reforça o poder do macho na questão sexual, como uma possiblidade para o aumento desse tipo de crime de ódio. Recentemente, a internet foi inundada por um meme que dizia que, hoje, as mulheres esperam um príncipe da Disney, enquanto os homens esperam as mulheres dos pornôs. Ou seja: a conta nunca vai fechar.

Pra terminar, o que mais me incomodou no livro foi o fato dele não ser ficcional. A série, mesmo baseada em fatos reais, é formada por uma equipe de produção, por um design de produção, por atores, cenas, cortes, insinuações. O livro não é ficcional, e aí a realidade bate com força na cara, na mente, no corpo. Foi uma leitura penosa, não porque é mal escrito ou mal contado (mal contado ele é, me deu raiva em vários pontos, como disse acima), mas porque as descrições dos crimes me levaram a pensar na humanidade, na nossa possibilidade, facilidade e intenção de fazer o mal a outra pessoa. E isso dói. Dói tanto que não quero mais pensar.

Prefiro crimes ficcionais. Saudades de Agatha...  E cumpri a categoria 5 do Desafio Livrada! - Um livro narrado em primeira pessoa.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 2 de abril de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #166

1 - "Temos poucas escritoras"
Da Aline Valek. Que texto mara, indispensável pra gente ver que tem, sim, muitas autoras por aí. E muitas boas, muita leitura pra explorar.

2 - Sem mais regras: a nova leva de anglicismos é feia de dar dó
Da Juliana Cunha. Terminei de ler e fiquei pensando horas sobre como as palavras vão tomando conta da nossa vida bem devagar, e quanto vemos, já estamos enredados por elas. Mesmo com os problemas expostos no texto, é uma coisa bonita ver a língua viva.

3 - Personagens empoderadas e... misóginas? Uma reflexão sobre a misoginia internalizada na cultura pop
Da Lara Vascouto, do Nó de Oito. Tem tempos que leio o Nó de Oito e gosto muito das reflexões, das indicações e do podcast, que é phoooooda! Este texto é bem importante para refletirmos sobre a construção da figura da mulher em produtos da cultura pop. Mesmo nos que parecem descoladões, lá estamos nós à volta com mulheres que odeiam mulheres...

4 - 50 anos da morte de RFK - vem um filme por aí
Do Luiz Biajoni. Este texto é muito louco. Acabei clicando pra ler porque estou lendo um livro que fala sobre a morte do RFK, num ponto bem específico. Daí, dois dias depois vem o texto e fui ler, pela coincidência. E foi muito louco. Aí deu vontade de ler os livros que ele traz no texto...

5 - As mentiras de "O nome da rosa"
Do Agustí Francelli. Caí neste texto, de 2008, depois de procurar pela relação entre o Snoopy e o Umberto Eco no livro "O nome da rosa", que eu adoro e ando precisando reler. Curti bastante... Aqui o texto é mais voltado para o Pós-escrito, que é um texto muito bacana também. Minha relação com Umberto Eco é de amor-ódio-amor. O amor sempre vence.

6 - Mamilos 140 - Direitos Humanos
Do B9. Se você nunca escutou o Mamilos, melhor podcast desse Brasilzão, pare tudo e escute. Em especial, este sobre Direitos Humanos. Especialmente no depoimento do Frei Betto. Escute Mamilos.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 28 de março de 2018

Livro: Honra entre ladrões


É pro meu TCC, eu juro!

Tô fazendo umas pesquisas aí sobre Star Wars e, na pressa de conhecer mais sobre o universo narrativo, fui à banca de revistas e peguei tudo o que tinha sobre o assunto. Eram quatro quadrinhos e este livro. Um dos quadrinhos já foi lido, mas como não tenho familiaridade com o suporte, vamos deixar ele quietinho. Se melhorar essa questão, eu trago pra cá.

Comecei a ler Honra entre ladrões no dia seguinte à visita à banca de revistas. A história se passa entre o filme Uma nova esperança e O império contra-ataca.  A Aliança Rebelde está procurando um planeta para sua nova base e a princesa Leia Organa decide enviar Luke Skywalker numa missão de reconhecimento em um sistema solar distante. Ao mesmo tempo, dá a Han Solo a tarefa de resgatar uma espiã que está no centro do Império e que deixou de se comunicar com os rebeldes. Chewbacca vai junto, na Millennium Falcon. A missão de Luke fica bem de lado e só volta à tona no fim da narrativa, enquanto a de Han e Chewbacca toma conta da narrativa. Mil e uma reviravoltas acontecem, envolvendo fugas mirabolantes, traições, perseguições, falhas graves na nave, uma nova arma do Império que vai impedir as pessoas de fazerem viagens entre os sistemas solares.... até que as tramas de Han e Luke se cruzam.

Foi bem divertido de ler. Uma aproximação diferente com o universo Star Wars. Apesar de licenciado pela Lucas Arts, o livro não faz parte do cânone oficial, nem do Legends, que é o que saiu do cânone, com a venda da franquia para a Disney. Ainda não entendo muito disso, mas quero entender mais.

Uma coisa bem interessante do livro - aliás, a mais interessante pra mim - é a descoberta da arma que o Império está preparando. É um sistema bastante complexo que vai impedir as viagens entre os sistemas solares e, consequentemente, a suposta liberdade do universo. Daí, Han Solo diz que não consegue imaginar a vida sem viajar entre os sistemas solares. Gargalhei lendo isso. Fiquei imaginando nós, aqui, praticamente sem condições de viajar de uma cidade pra cidade vizinha, por vários motivos, que vão do financeiro às condições das estradas e etc... A gente aqui brigando pra ter boas condições de ir logo ali, de conhecer o estado, o país, o mundo... e a galáxia preocupada com a proibição da viagem entre os sistemas. Enfim, o que fica é que mesmo sem um governo imperial, a nossa liberdade é sempre relativa. Assim, depois de gargalhar com a fala do Han, fiquei bem triste com isso, com essa ilusão de liberdade que temos.

Postei a foto do livro no Instagram quando terminei de ler e um amigo veio me dizer que o autor é, na verdade, o pseudônimo de dois autores que escrevem The expanse, uma série de livros elogiados pelo G. R. R. Martin, autor de As crônicas de gelo e fogo. Fiquei interessada, mas cadê tempo???

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 26 de março de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #165

1 - Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (parte 1)
Da Karina Kuschnir. Sempre é bom ficar de olho nessas dicas. Eles se encaixam também em conclusões de artigos, veja só!

2 - Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (parte 2)
Da Karina Kuschnir, concluindo o texto anteiror. Muito bom.

3 - Dia da mulher: 6 muleres para se inpirar
Da lindona da Dreisse: seis mulheres inspiradoras, que merecem ser seguidas.

4 - Direitos humanos e pessoas com deficiência
Da Déa, do Lagarta Vira Pupa. Vejam o vídeo. A discussão atual sobre direitos humanos, vinda da execução da vereadora Marielle Franco, é cheia de detalhes. Para cada ser humano que diz que não concorda com os direitos humanos, morrem dez pandas fofos. Aqui, a Déa foca, especialmente, nas pessoas com deficiência. Mas há uma série de outras vertentes para se ver os direitos humanos.

5 - Roque, o melhor cão
Da Rita. Um texto lindo sobre a vida de um cachorro especial. É... chorei. Pela Cuca.

6 - Um amor para vida inteira
Do Ramon. Um texto lindo sobre a vida de uma cachorra especial. Cuca batendo forte, de novo... Chorei também.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 4 de março de 2018

Citações #226

De Mastigando Humanos:


Eu poderia ter engolido o meu crustáceo. Quem sabe as amizades não são todas assim? No fundo, queremos engolis nossos amigos. Procuramos neles o que não encontramos em nós. E pela aproximação fingimos que suas qualidades são nossas. Fingimos que são nossas suas forças, suas inteligências, seus nutrientes. Queremos introjetar tudo isso, colocar para dentro. Então, dessa forma, a amizade não seria uma carência, uma forma de fugir do medo, o medo da morte, seria uma maneira de matar uma fome ideológica. E talvez (a maioria dos) humanos não termine em canibalismo apenas por medo das consequências. Todos esperando uma chance de engolir seus amigos...

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 25 de fevereiro de 2018

Citações #225

De Mastigando Humanos:


Mas nenhum de vocês deveria me recriminar. Duvido que saibam o que é ser um jacaré e, mesmo assim, ainda não conseguem abandonar seus estímulos orais. Por isso o cigarro entre os lábios, o copo na mão, o chiclete na boca. Por isso o beijo de boa-noite, o café da manhã, a bomba de chimarrão. Os que conseguem transcender isso não conseguem deixar de contar vantagem: falar, falar, falar para manter a língua trabalhando. É inevitável. Ou ainda com os dedos, sim, aqueles que falam com as mãos, os dedos, sinais de surdo-mudo, escrevendo livros. 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Livro: A praça do diamante



A categoria 10 do Desafio Livrada! contempla "um livro que se passa em um lugar sobre o qual você não sabe nada". Em um primeiro momento, A praça do Diamante é sobre a Espanha e eu sei algumas coisas sobre ela sim. Mas, de fato, a autora, Mercê Rodoreda, é catalã. É uma das pessoas que foi exilada da Catalunha e se posicionou como uma voz contra a dominação espanhola. O que eu sei sobre a Catalunha? Quase nada. Por isso, o livro entra na categoria 10.

Além disso, A praça do Diamante foi o livro de dezembro de 2017 da TAG, com curadoria da Carol Bensimon. E que livro lindo!

Natàlia é uma moça simples, que trabalha em uma confeitaria e está noiva de Pere, um cozinheiro. Em uma festa na praça do Diamante ela é convidada para dançar. Quem a chama é o Joaquim, ou Quimet, um jovem bastante impetuoso, que diz a ela que, dali a um ano, os dois estariam casados. Como Quimet a envolve, Natàlia desmancha o noivado com Pere, pede demissão do emprego e se casa com Quimet. Os dois vão morar em um apartamento pequeno e começam uma vida de casados com muitas particulares. Ele é marceneiro e adora fazer coisas diferentes, é caloroso e brincalhão. Ela tenta acompanhá-lo nas maluquices, até que é surpreendia por pombos. Quimet monta um pombal em casa e Natàlia, que ele chama de Colometa (ou pombinha, em catalão) quase enlouquece com os pássaros tomando conta de sua casa.

O ponto mais interessante do livro, pra mim, foi o retrata da Guerra Civil espanhola e o que aconteceu com os guerrilheiros comunistas. Quimet e seus amigos Cintet e Mateo estavam desse lado do front e sofreram consequências. Na altura da guerra, Colometa e Quimet já têm dois filhos, o Antoni e a Rita. Quimet sai de casa para seguir com os guerrilheiros e a esposa e os filhos passam por muitas dificuldades. A guerra acaba e traz mais mazelas para a família. Olha, foi duro atravessar essa parte. Uma das decisões da Colometa pra salvar a família é muito dolorosa. Terminei de ler chorando bastante.

O final também me emocionou muito. Colometa carregou as marcas da guerra por muito tempo em sua vida. Um período longo que a prejudicou muito. Mas ela pôde, enfim, se abrir para o novo mundo em que passou a viver. Ao fim do volume, a autora traz um posfácio em que fala sobre o amor no livro. E, sim, é um livro sobre o amor. Mesmo que pareça ser só sobre sofrimento. Colometa sofre muito, mas também ama. E a sua abertura para viver um amor bem acabadinho, mesmo com limitações, é tão linda! Dá para fazer um paralelo com a reestruturação da Catalunha após a guerra, com as feridas abertas e pulsando, tentando voltar "ao normal" sem conseguir. Não que as feridas tenham cicatrizado... mas é preciso seguir.

A princípio, a Colometa parece ser uma moça bobinha, que sabe pouco do mundo e que é levada por Quimet para onde ele quiser. Aos poucos, ela se mostra uma mulher forte, que não titubeia e vai atrás da felicidade dos filhos, que por eles é capaz de qualquer sacrifício. O Quimet, por sua vez, seria chamado hoje de "macho escroto", que quer a Colometa bem debaixo da asa dele. Ok, eram outros tempos. Porém, se ela não tomasse decisões, as rédeas do seu próprio destino, a família iria sucumbir mais rápido. Um viva à Colometa!

O que aprendi sobre a Catalunha com o livro: o outro lado da guerra civil espanhola (que eu já conhecia, em parte, em Por quem os sinos dobram, mas não com a caracterização geográfica), traços de uma cultura diferente da espanhola, os diminutivos para os nomes masculinos, que a dominação capitalista está aí pra vencer qualquer guerra, não importa realmente qual seja. Que a Catalunha ainda vai resistir para se separar da Espanha, com plebiscito ou não. Que a cultura de um povo é maior que o marco político-geográfico.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #164

1 - Eu passarinho: Assédio 3x ao dia
Do Primeira Fonte. Sobre a cafonérrima da Danuza Leão falando bobagem por aí, confundindo assédio com flerte, intromissão com consentimento.

2 - Oprah vira arauto de um novo tempo no discurso do Globo de Ouro
Da Lady Bug. Que discurso, que momento!

3 - Seu cérebro não é um computador (ou: como lidar com o excesso de informação no doutorado?)
Da Verônica. Me fez lembrar muito Um estudo em vermelho quando Sherlock explica pro Watson como funciona sua memória. É o que eu penso (fui contaminada pelo Sherlock sim): no excesso, a gente acaba não levando em conta o que é principal.

4 - Os peitos da Bruna Marquezine e porque você não tem nada com isso
Da lindona da Dreisse. Sobre ter peito de publicidade/cinema, sobre ter peito de ser humano mesmo, sobre se amar como se é. Muito bom, Dreisse!

5 - BBB 18, Jéssica e o machismo nosso de cada dia
Outro da Dreisse. Sobre a situação em que duas pessoas se envolveram no BBB, ambas com relacionamentos externos, mas o julgamento cabe apenas à mulher (que, além de ter traído o namorado, "atiçou" um homem noivo). Lamentável, para dizer o mínimo, que só as mulheres recebam essa carga de culpa.

6 - We are building a dystopia just do make people click on ads
Do TEDTalks, sobre como o autoritarismo tem entrado de mansinho nas nossas vidas via internet, seus algoritmos e intenções comerciais. Assustador.


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Citações #224

De Mastigando Humanos:



Se eu fosse narrar meus dias seguintes naquelas profundezas, seria assim, uma descrição sem cessar de abrir e fechar de bocas. Foi isso o que eu fiz, mastiguei. Em meio a gritos e risadas, cantorias e palmas. Considerando essa passagem da minha vida, poderia batizar este livro de Mastigando manos. Eram drogas demais sendo resgatadas pelos meninos no Achados e Perdidos. Eram meninos demais sendo apanhados por mim no meio do caminho. Adolescentes. Filhos do milho. Perdi a conta de quantas camisetas do Ramones tive que cuspir.  

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Desafio Livrada! 2018

Há algum tempo, o Yuri, do Livrada! propõe um desafio literário (o vídeo do desafio de 2018 está aqui) com algumas categorias não convencionais. Todo ano eu faço a minha listinha, coloco no Evernote e vou tentando ler. Nunca consegui completar o desafio. Este ano, vou lá de novo. Desta vez, resolvi trazer pra cá, pra ver se assim eu tomo vergonha na cara e leio mais. Vou comentar minhas escolhas abaixo. E vou tentar seguir à risca, podendo mudar se sentir necessidade.

1. poesia nacional contemporânea:  Eu, poeta, Juliana Machado Cruz
A Ju é minha amiga e uma grande poetisa. Li Eu, poeta antes de ser lançado e depois também, e acho que merece uma relida, porque é lindo demais e eu quero incentivá-la a publicar um novo livro. Poesias pra isso eu sei que ela tem. 

2. distopia: Nós, Zamiatin
A distopia que inspirou a minha distopia favorita. Comprei o livro assim que foi relançado e ainda não tirei da estante. Tá na hora! 

3. abordagem metafísica: A montanha mágica, Thomas Mann
Já estou lendo A montanha mágica, desde o início de janeiro. Foi-me indicado por tanta gente... mas a que mais insistiu para que eu lesse foi a Guiomar de Grammont, que foi minha professora e sempre me incentiva a ler, a escrever e a seguir carreira acadêmica. Está sendo uma leitura muito prazerosa. 
Update: nada de terminar A montanha mágica... vamos de A morte de Ivan Ilitch. 

4. livro de história: Sapiens, Yuval Harari
Mais um que comprei assim que foi lançado e que não li. Bora tirar da estante! 

5. livro narrado em primeira pessoa: O cemitério de Praga, Umberto Eco
Tenho o livro há tanto tempo na lista dos "por ler" que dá até vergonha. Adoro a prosa do Eco (vivo uma relação de amor e ódio com ele, mas o amor sempre vence, hahahaha). 
Update: li Mindhinter e encaixei nessa categoria. Quero muito ler O cemitério de Praga, mas acho que não vai rolar. 

6. romance hispano-americano: 2666, Roberto Bolaño
Saulo tem grande influência nesta escolha, só isso que digo. 

7. livro experimental: S, J. J. Abrams
Comecei a ler ano passado e não terminei. Estava gostando muito, mas parei por motivos acadêmicos. 

8. um título impactante: Vida e destino, Vassili Grossman
Foi o livro obrigatório de 2017, que comecei a ler e não terminei. Bom motivo pra finalizar, né?

9. livro ilustrado: Arca de Noé, Vinícius de Moraes
É sempre bom reler essa delícia de livro!

10. livro que se passa em um país sobre o qual você não conhece nada: Os meninos da rua Paulo, Ferenc Molnár / A praça do diamante, Mercé Rodoreda

11. contemporâneo a si mesmo: Americanah, Chimamanda

12. livro lançado no ano em que você nasceu: O buraco da agulha, Ken Follet / O livro do riso e do esquecimento, Milan Kundera
Ainda não me decidi

13. livro sobre música: Ragtime
Livro da TAG de agosto de 2017. Ainda não lido. Pelas críticas que vi, merece muito uma chance. 
Update: Ragtime ainda está na estante. Mas Só garotos, da Patti Smith, foi lido e se encaixa aqui! 

14. livro sobre um tema que você acha tabu: Lolita, Nabokov
Pedofilia sempre é tabu, certo? Por outro lado, já ouvi muita gente dizendo que a prosa do Nabokov é excelente. 


15. o obsceno pássaro da noite, josé donoso
Sempre há uma categoria com um livro obrigatório. Em 2018 é este O obsceno pássaro da noite.

Será que dou conta de concluir o desafio?

_______________ 
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Citações #223

De Mastigando Humanos:


E dos esgotos do Brasil? Alimentava-me eu. Além da química que circulava dentro de nós, havia toda a química das correntes subterrâneas da qual eu não podia escapar. 
E a química dos produtos industrializados. A química da carne humana. A química do ar que respiramos, da palavra que dizíamos. A vida é uma longa intoxicação até a morte.  


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 4 de fevereiro de 2018

Citações #222

De Mastigando Humanos:


"E você, não troca de pele de vez em quando?", ele perguntou. Me senti diminuído. Não, aquilo era coisa de outros répteis. Serpentes que deixavam as escamas para trás. Eu, como jacaré, me trocava sutilmente, como os humanos. Como humanos, que trocam de células diariamente, que fazem a barba, cortam o cabelo. Colocam roupa por cima, bonés na cabeça, luvas nas mãos, mas mesmo assim todos percebem. São atraídos pelo design dos decotes e a coloração das meias, espiam por fendas e buracos, comentam como ficou lindo um novo bronzeado. A pele pálida o inverno. Os olhos vermelhos de choro. Os humanos sempre reparam, mesmo com tanta roupa por cima. 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Livro: O nascimento de Joicy




A primeira vez que ouvi falar em O nascimento de Joicy foi na disciplina de Metodologia do mestrado. Uma das professoras leu o início do livro e foi como tomar um tapa na cara. Fiquei bem a fim de ler, mas estava envolvida com... a própria metodologia da minha pesquisa, que me fez usar três propostas metodológicas diferentes e foi bem estressante.

Pois bem. Em 2017, a autora, Fabiana Moraes, veio para o Ciclo de Jornalismo e Literatura do Fórum das Letras e lá fomos, Luana (essa queridona) e eu para assistir. A mesa foi composta pela Fabiana e pela Daniela Arbex, que escreveu Holocausto brasileiro (livro que ganhei dos queridos Marcelo e Debora e ainda não li), e mediada pela Marta Maia, que foi minha professora no mestrado. Quando mais a Fabiana falava, mais vontade eu tinha de ler o livro e as demais matérias especiais que ela produziu para o Diário do Commércio de Recife/PE. Ao fim da mesa, não havia O nascimento de Joicy para vender (havia os da Daniela Arbex). Luana e eu compramos, então, pela Amazon. O livro chegou e foi devidamente colocado na pilha pra ser lido.

A narrativa é dividida em três partes. A primeira é a série de reportagens que Fabiana fez com Joicy, a próxima a fazer a cirurgia de redesignação sexual. Joicy nasceu João, no sertão de Pernambuco. Enfrentou muito preconceito, até mesmo na fila para a cirurgia. Por não ter corpo e adornos femininos, demorou mais que o tempo determinado na terapia. Não era vista com paciência pelos profissionais da saúde. Joicy tem uma personalidade forte, o que causou problemas com familiares, pessoas de seu convívio e pessoas com quem precisou lidar para conseguir a cirurgia. A história é triste e muito forte. Com ela, Fabiana ganhou o Prêmio Esso, o maior do jornalismo brasileiro.

A segunda parte traz desdobramentos da reportagem, para a jornalista e para Joicy. O que aconteceu após a cirurgia para ambas. Como conviveram, como se comportaram, as implicações do novo corpo para Joicy. Sua vida na pobreza, que continuou. A relação truncada com Fabiana.

A terceira parte tem uma reflexão mais acadêmica sobre ética na profissão do jornalista, em especial na relação com a fonte. É uma verdadeira aula, atualizada. Novos conceitos, novas implicações.

Durante a leitura, marquei alguns pontos interessantes. A cirurgia de redesignação sexual é realizada pelo SUS, após vários anos de tratamento, que envolvem acompanhamento psicológico e psiquiátrico. É uma cirurgia sem volta, então é necessário que paciente e equipe médica tenham muita certeza da decisão. Há uma pesquisa que aponta que o hipotálamo de homens que se reconhecem como mulheres tem glândulas compatíveis com o corpo feminino. Ou seja: o cérebro é programado para um gênero, enquanto o corpo, para outro.

A cirurgia só é oferecida no SUS porque a transexualidade é classificada pela OMS como um transtorno de personalidade. Há, na primeira parte do livro, um ponto em que Fabiana toca na questão do sofrimento, do tamanho do sofrimento. Porque há quem questione que o SUS faça a cirurgia, enquanto poderia investir em outros tipos de atendimento mais básicos. Porém, quem sofre com um corpo que não reconhece sofre mais ou menos? É possível medir?

Outro ponto importante é sobre o gênero. Lembro demais de uma amiga quando me contou que tinha se descoberto transgênera. Até então, enquanto se entendia como homem, ela achava que era gay, pois se sentia atraída por outros homens. Depois de muita terapia, reconheceu que seu gênero era o feminino, enquanto seu corpo era masculino. Assim, foi fácil para ela entender que era hetero. Porém, como acontece no livro, as pessoas ao redor reconheciam um homem gay. Fabiana mostra como Joicy lutava diariamente para ser reconhecida como mulher pela família, pelos vizinhos, pelos amigos. Dado curioso: as crianças do entorno de Joicy tinham mais facilidade em respeitá-la enquanto mulher.

Só tenho a dizer que é um livro maravilhoso e que merece ser lido por todos os estudantes de jornalismo. E pelos jornalistas atuantes também. Muito do que tem no livro - pra não dizer todo ele - é necessário. É uma aula de escrita e narrativa jornalística, de discussão da produção de jornalismo.

E o Stênio, o queridão que foi meu estagiário e hoje brilha no mundo do trabalho profissional do jornalismo, vai receber o livro de presente!


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 28 de janeiro de 2018

Citações #221

De Mastigando Humanos:


Aquilo era uma ameaça velada. Como eu poderia permitir um sujeitinho desses no poder? Pensando bem, apenas sujeitinhos como esse é que ficam no poder. A vontade de governar, a arrogância de achar que tem a chave para a organização social, a ilusão de que a sociedade pode ser governada, s´ø poderia mesmo vir de um animal assim, com o cérebro espremido dentro de um minúsculo crânio, uma enorme fome espremida dentro de um minúsculo estômago. 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Livro: 17 grandes polêmicas do futebol brasileiro



Pra quem gosta de discutir futebol, esse livro é uma delícia!

O autor, Sérgio Xavier Filho, foi durante muitos anos editor da revista Placar e fez uma pesquisa bem extensa sobre questões bem polêmicas do futebol brasileiro. A que mais me divertiu foi a dos mil gols de Túlio e de Pelé. Gente, como é que pode??? Tudo inflacionado!

A história dos campeonatos brasileiros também foi bem interessante. Eu não entendia muito o motivo de dizerem que o futebol nacional é muito desorganizado. Só lembrava de problemas de datas de campeonatos, agendas muito cheias e etc. Mas o Sérgio conta a história dos títulos nacionais, como eles foram criados, unificados e polemizados. Muitas coisas podres no futebol. A máfia do apito, que sacudiu o futebol brasileiro em 2005, também está lá.

O livro tem uma pesquisa muito grande, muitos números, muitas lógica, muitos apontamentos. Nem sempre o autor chega a uma conclusão. Em alguns casos, como na pergunta se Tite é maior ou menor que Telê, ele fala que a resposta depende da Copa de 2018. Se o Brasil for campeão (oremos... eu tento não torcer, mas não dou conta), Tite sai vencedor dessa disputa. Nesse capítulo, também é interessante ver a posição do treinador na profissionalização do futebol.

O principal do livro: definitivamente, o Galo é o time mais injustiçado do Brasil. Tá lá, só conferir.

Como não vou ficar com o livro, pensei em ofertar no Twitter, como sempre faço. Mas aí lembrei de um dos meus amigos de Twitter, o Israel Marinho. Ele é jornalista e fanático por futebol. Tem só um probleminha: é cruzeirense. Mas é uma pessoa muito bacana, apesar disso (hahahaha). Daí, o livro vai pra ele!

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 21 de janeiro de 2018

Citações #220

De Mastigando Humanos:


Nessas horas é fácil entender a fuga de todos nós. Garotos afundando no esgoto, crianças beijando sapos, sapos cheirando cola, mendigos bebendo cerveja. Afinal, todos os prazeres são orais... e é possível recorrer a alguns para esquecer os outros, como se entorpecer para esquecer do jantar. Empinar o nariz em outra direção para esquecer as batatas da perna do colega... Perguntar ao pó. 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sociável

Quando fiz meu balanço de 2017, comentei que tinha sido um ano muito sociável. Encontrei muitas pessoas, saí muito, viajei bastante, recebi muitas visitas.

Tenho uma percepção, que pode até ser meio torta, mas que faz bastante sentido: as mortes da Vovó, da Tia Ylza me tornaram mais sociável. Isso porque após a ausência delas, eu me permiti sair mais de casa. Sempre me preocupou deixar Vovó sozinha à noite.

Mas Leo tem bicho-carpinteiro e é rueiro pra caramba. Nós tínhamos um acordo de sair juntos uma vez por semana. Em geral, era às quintas-feiras. E era super rápido, pra gente voltar pra casa antes do fim das novela das 21h, que era quando Vovó ia dormir. Ia dando o horário, eu ficava preocupada, querendo ir embora. Era penoso pra mim e pra ele.

Além das quintas, saíamos esporadicamente durante a semana, se fossemos convidados por algum amigo. E várias vezes Leo foi sozinho, porque eu não queria deixar Vovó.

Quando as duas faleceram, já contei aqui que fui inundada de carinho por pessoas de quem eu esperava muito pouco, já que eu não me esforçava tanto por estar por perto. Foi um momento muito triste e muito feliz ao mesmo tempo, porque tornou tudo mais leve. E, daí, comecei a me desgarrar da vida de dentro de casa.

Sim, eu ainda prefiro ficar em casa. Mas saio sempre que posso, agora. Sempre que chamam. E quando não chamam, eu chamo. Ou vamos só Leo e eu mesmo. Temos os nossos lugares favoritos pra ir (um viva à Ouropretana) e acabamos conhecendo muitas pessoas de 2015 pra cá. Além dos amigos de sempre, surgiram os amigos do mestrado e a turma da Ouropretana, com nossos encontros no bar e nas casas dos participantes. Pela primeira vez na vida, em 2016, comemorei meu aniversário em um churrasco com os amigos aqui em casa. Juntamos a galera que faz aniversário em setembro e foi uma comemoração conjunta deliciosa. Tão boa que repetimos em 2017, adicionando mais duas queridas aniversariantes de setembro e o agregado delas. Festa, celebração, encontro.

2018 tá indo pro mesmo caminho. Só pra contabilizar:
- na primeira semana, tivemos um evento na quarta, uma saída na quinta, outra no sábado e outra no domingo;
- na segunda semana, tivemos uma saída na segunda, outra na terça, outra na sexta e outra no domingo.

Ou seja: só nas duas primeiras semanas de 2018, saímos de casa oito vezes. Muito mais do que no segundo semestre de 2014, depois da morte da Tia Ylza, quando o que eu mais queria era aproveitar meu tempo com Vovó.

Tem mais: tem despedida de amigos, tem casamento, tem visita. Só em janeiro. O ano promete.

E antes que alguém fale que eu troquei Tia Ylza e Vovó pelos amigos, eu só posso dizer que não houve troca alguma porque os amigos sempre estiveram por perto, compreendendo o meu momento de estar com elas. Não tenho palavras para pessoas com esse nível de empatia. Só amor.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Livro: As alegrias da maternidade



As alegrias da maternidade teve um sabor bem agridoce. Foi o livro de outubro da TAG, indicado pela musa Chimamanda Ngozi Adichi. Expectativa lá em cima, ainda mais que só ouvia elogios ao livro. Elas foram cumpridas sim - às vezes vale a pena criá-las. Foram até ultrapassadas.

A protagonista é Nnu Ego, filha de um ~aristocrata~ do interior da Nigéria. Pertence à etnia Igbo. Seu pai, Agbadi, tinha, como era o costume, várias esposas. Sua mãe, Ona, era amante, não esposa. Porém, era ela quem Agbadi amava. Quando Nnu Ego nasceu, foi abraçada pelo pai como filha preferida. Ona morre e Nnu Ego cresce seguindo o destino das mulheres: casar e ter filhos homens. Seu casamento com Amatokwu começa feliz, com os dois jovens apaixonados. Mas Nnu Ego não engravida, e o marido acaba tomando outra esposa, que logo fica grávida. O peso de não ter filhos, se ver marcada pela sociedade, logo toma Nnu Ego e, devido a um acontecimento com o filho mais velho da nova esposa do marido, ela volta para a casa de Agbadi. O pai devolve o dote e arruma um novo casamento para a filha.

Para se casar com Nnaife Owulum, Nnu Ego precisa deixar sua aldeia, Ibuza, e ir para Lagos, a capital da Nigéria, uma terra com costumes muito diferentes. Só o choque de culturas daria uma história cheia de coisas interessantes. Por exemplo: Nnaife trabalha lavando e passando roupas de um casal inglês. Para Nnu Ego, é uma afronta o marido lavar e passar as roupas de baixo de uma mulher. Para ela, um bom homem é aquele que trabalha na lavoura, fica queimado de sol e tem o corpo atlético pelo trabalho pesado. Nnaife é o contrário: barrigudo, a pele mais clara, delicado. Ela odeia o novo marido logo de cara. Mas aceita o destino de ser a esposa, de cuidar da casa, da comida do marido. E de lhe dar filhos.

A vida de Nnu Ego é um sofrimento sem fim. E é por isso que As alegrias da maternidade é agridoce. É um livro árido, uma história triste e forte. Ao mesmo tempo, é um mergulho lindo em uma outra cultura, cheia de nuances. A autora, Buchi Emecheta, viveu seus primeiros 20 e poucos anos na Nigéria, depois mudou-se para Londres e, mais idosa, para os Estados Unidos. Seu olhar para a Nigéria é crítico, com um toque ocidentalizado. Os costumes da Nigéria são colocados na roda: a primazia dos homens, a estrutura familiar, em que sempre alguém toma conta da família (e quando o homem mais velho morre, o que é logo abaixo dele na hierarquia ganha de ~presente~ as esposas e filhos do falecido), a expectativa de se fazer dinheiro com as filhas, por conta dos dotes, como se fosse um fardo que se transforma num investimento a longo prazo. E o olhar superior que os brancos têm com a África, fazendo com que os africanos acreditem que são inferiores e incapazes. O conflito entre a vida de Lagos, governada pelos brancos, com os costumes ancestrais de Ibuza, é bem interessante. O livro também mostra como os costumes vão ruindo com o passar dos anos. O fim do livro é muito impactante sobre isso, em especial com Oshiaju, o segundo filho de Nnu Ego.

Mas, principalmente (e é por isso que gosto mais ainda do livro), um olhar muito feminista, que capta as dores dessas máquinas de procriar, que só têm um mínimo valor quando são mães de meninos. E, especialmente por isso, a ironia do título é sensacional! Os conflitos de Nnu Ego com as filhas, para ensiná-las seu lugar inferior na sociedade, são muito difíceis de serem lidos, e ainda assim são brilhantes.



Há boatos de que As alegrias da maternidade sairá em breve - até o momento, é uma edição exclusiva da TAG.

O livro é lindo, tem um projeto gráfico incrível - confesso que fiquei vários dias babando no projeto, em cada detalhe, pensando no trabalho gostoso que deve ter sido criá-lo. Selo "Aline" de aprovação com louvor! Além disso, é uma história maravilhosa, dessas que ficam dias e dias ressoando na mente. Amei!


Da Chimamanda, já tivemos por aqui:
Os perigos de uma história única
Hibisco roxo
Meio sol amarelo
Sejamos todos feministas

Tenho Americanah, mas ainda não li.


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...