quarta-feira, 18 de abril de 2018

Livro: Só garotos



Essa edição lindona de Só garotos é da TAG Livros. Quis ler o livro desde que a Tati Feltrin fez um vídeo sobre ele. Daí, quando veio a diga do livro na revista anterior da TAG, fiquei bem feliz. E amei a edição. A Tag manda bem demais nos projetos gráficos e na diagramação. Esta capa, com as colagens que resumem bem o início do relacionamento da Patti e do Robert, é muito legal.

A história começa com Patti Smith falando sobre sua relação com Robert Mapplethorpe e como foi o fim dessa relação. Então, logo nas primeiras páginas já sabemos que Robert morreu precocemente. Mas não sabemos ainda como essa morte se deu, nem como os dois construíram o relacionamento.

Patti vai, então, começar a contar a sua própria história. Seu nascimento, sua relação com os pais e com os irmãos, a vida escolar e em comunidade, o primeiro emprego em uma fábrica, seus questionamentos sobre o mundo. Sua necessidade de sair da cidade é grande, e fica agravada quando ela engravida. Ela tem o bebê e o doa a um casal. Depois disso, o mundo fica ainda menor e ela quer voar. E Nova York é o local escolhido. Com uma mala, pouco dinheiro e muita vontade de produzir arte, Patti vai atrás de amigos que poderiam lhe dar abrigo. Mas nada acontece como ela programa. Ela passa alguns dias morando na rua, passando fome e vivendo sem poder contar com qualquer segurança.

Um dia, ao procurar um de seus amigos no Brooklin, ela conhece Robert Mapplethorpe e se encanta com o jeito meio rebelde, meio jovem, meio artista. Robert a ajuda a encontrar quem ela procura e os dois se despedem. Patti arruma um emprego em uma livraria e, certo dia, Robert entra e compra um colar. Num ímpeto, Patti diz que ele só poderia dar aquele colar para ela mesma. Os dois parecem se admirar mutuamente. Num terceiro encontro, Patti está saindo com um cliente, incentivada pelo pessoal da livraria, mas sente que está numa roubada. Robert passa por ela no momento de desespero e a leva embora dali. É a partir desse terceiro encontro que os dois começam a se relacionar. Vão morar juntos e dividir os perrengues. Porque no início, é só perrengue mesmo.

Os dois não têm dinheiro suficiente para viver. Precisam escolher entre comer ou comprar material de trabalho artístico e, para isso, deixar de comprar alguma outra coisa de sobrevivência, precisam que apenas um visite exposições e conte pro outro o que viu. Ela considera que Robert é mais artista que ela, e se esforça o mais possível para que ele tenha condições de trabalhar. Entre a vida árdua e a vontade imensa de ter a sua arte reconhecida, os dois começam a passar por conflitos que culminam no afastamento. Robert faz descobertas sobre si mesmo e Patti permanece ao seu lado, mesmo quando os caminhos se afastam.

A vida, como já dizia Joseph Klimber, é uma caixinha de surpresas. E os dois passam a conviver com grandes nomes das artes que vivem e passam por Nova York. Patti narra assombros ao conhecer seus ídolos (Bob Dylan é uma constante no livro. Não à toa, ela fez um discurso lindo quando ele foi agraciado com o Nobel de Literatura), mas fala como se não fosse nada de Jimi Hendrix e Janis Joplin, além de outros artistas e músicos que viviam na efervescência daqueles anos. Sua prosa é simples e, ao mesmo tempo, muito rica. É um livro de amor à arte, mas também de questionamentos a ela. É um livro sobre o amor a Robert e sobre a necessidade de deixá-lo viver como ele queria. É sobre deixar partir também, sabendo da verdade vivida. É lindo.

E temos mais um livro do Desafio Livrada!: um livro sobre música, categoria 13. Ok que não é todo sobre música (e eu ainda quero ler Ragtime), mas a música perpassa toda a trajetória da Patti e do Robert. E é na música que ela se encontra.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...