quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Livro: A produção do Jornalismo Esportivo na internet



E lá sigo eu na saga de ler sobre jornalismo esportivo, porque eu gosto sim.

Nas este livro me decepcionou um tantão. Por ser da minha área de atuação acadêmica (acho chique falar assim, dá até a entender que eu super atuo na área acadêmica, #sqn), fui esperando muito do assunto, do autor, da dissertação. Sim, o livro é fruto de uma dissertação defendida na Cásper Líbero e o autor é jornalista esportivo. Em si, o volume corrobora a afirmação do meu orientador de que há pouca produção de qualidade na área do jornalismo esportivo. A maior parte dela é de jornalistas contando como atuaram e tentando montar um conjunto de regras. Mas vamos ao livro.

Marcelo analisa os relatos de quatro partidas da Copa do Mundo de 2014 (Brasil x Croácia, Brasil x Chile, Brasil X Alemanha - o famigerado 7 a 1) em quatro sites de jornalismo esportivo: Globo Esporte, ESPN, Gazeta Esportiva e Folha de S. Paulo. A proposta é trabalhar com os conceitos de Sociedade do Espetáculo, de Debord. Ou seja: é bacana, porque traz um olhar sobre espetacularização do esporte, do jornalismo e do jornalismo esportivo, mas sem abordar a televisão, que é o veículo sempre lembrado quando se trata do tema. Porém, não sei se foi na hora de transformar a dissertação em livro ou se a própria dissertação é assim, faltou muito de metodologia. Aliás, quase não se fala de método de pesquisa. Ficou um buraco, um vácuo grande.

Uma das coisa que discordo do autor é que ele chama tudo de reportagem. E o que eu vejo nos sites de jornalismo esportivo hoje está muito longe de ser reportagem. Em especial, quando ele apresenta as matérias que nortearam a pesquisa, na cobertura da Copa de 2014. Relato de jogo não é reportagem. Pode até ser análise, mas reportagem não é. Ou estamos em uma época em que qualquer texto supostamente jornalístico pode ser chamado de reportagem? Pra mim, nem matéria jornalística é reportagem... que dirá cobertura de jogo de futebol...

Outra coisa que não gostei foi do texto. Também não sei se é algo só do livro ou se também está presente na dissertação original. O fato é que Marcelo adjetiva demais. Parece que estamos lendo um texto de jornalismo esportivo, daqueles bem classicões, com uma chuva de adjetivos exaltando o time do autor. Isso tira todo o caráter sério de pesquisa. E, em vários momentos, cheguei a questionar se tinha mesmo pesquisa aqui. Tem um momento que o autor diz que os sites de jornalismo esportivo se propõe a registrar "ao menos tudo" o que acontece no esporte. "Ao menos tudo" me deixou tão de boca aberta! Há ainda momentos em que o autor se contradiz, em que fala que uma coisa confunde o leitor e, em outro momento, que a mesma coisa já fez o leitor se acostumar.

Claro que há coisas interessantes. O referencial teórico é bacana, mesmo que eu ache que foi meio mal aproveitado. O fato do Marcelo ser repórter esportivo também traz muitas coisas interessantes sobre o dia a dia da profissão e dos bastidores dos quatro veículos analisados. Mas, no geral, achei que faltou cuidado na pesquisa, na redação e na revisão. Como esta é a primeira edição, espero que essas coisas sem corrigidas para as próximas.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...