quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Livro: Net-ativismo



2017 vai ficar marcado como o ano em que eu menos li literatura. Foi ruim? Sim e não. Sim, porque eu sinto muita falta de literatura, muita mesmo. E não porque botei em dia várias leituras técnicas que eu precisava - afinal, trabalhamos com a necessidade de seguir carreira acadêmica. Este Net-ativismo comprei em um congresso e li quase em tempo recorde, entre voos e esperas em aeroporto. Só larguei numa turbulência daquelas em que o avião parece que vai cair, pra soltar um "eita!", sentir o coração palpitar e tentar voltar ao normal ou ao menos fingir que não tenho pavor de voar.

Calho que tinha um artigo pra escrever sobre o tema. Calhou que é um tema muito bacana - visto as redes de jornalismo livre, mídia alternativa, midiativismo e etc que estão surgindo e fazendo bonito por aí. Calhou que o Di Felice escreve muito bem. E que as histórias que ele traz são muito, mas muito interessantes.

O autor fala muito de como a contemporaneidade trouxe novos arranjos sociais. Aliado a isso, a internet - e a chamada de Web 2.0, embora eu tenha vários problemas com o termo - possibilitou acesso à produção e à distribuição de conteúdos, em especial os que eram considerados de nicho. Muitas pautas saíram das sombras e atingiram quem jamais tinha imaginado tais temas. Hakin Bey, Luther Blisset (que eu achei muito a cara de Banksy) e os Neozapatistas são os exemplos tratados. A carta do desaparecimento do subcomandante Marcos é tão linda, tão intensa, tão conectada com o mundo cheio de diferenças... Só por ter partes dela no livro, já vale a leitura.

Além disso, a reflexão sobre as formas de ativismo em rede são muito bem exploradas. O autor caminha no sentido de uma percepção ecológica da vida, coisa que me escapa, mas não deveria. Ou seja: preciso estudar mais.

Também há um capítulo que explora a Teoria Ator-Rede, que é outro assunto que preciso estudar mais. A abordagem, aqui, é compatível com que tenho visto no grupo de pesquisa, e cabe uma reflexão interessante.

Enfim, ótimo livro para quem gosta de redes e vê perspectivas de uso que saem do tradicional e da publicidade.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...