quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Livro: Fahrenheit 451



Fahrenheit 451 é um daqueles livros que estava na minha pilha de leituras há anos. Vai saber o motivo de ter passado tanto tempo lá... Até coloquei ele na mala pra NY, mas ele permaneceu por lá. Quando desfiz a mala foi que pensei em adiantar a leitura. Foi rápido, li em um fim de semana.

A história é bem conhecida. Fahrenheit 451 é a temperatura do fogo para que o papel seja queimado. O autor cria uma distopia em que os livros são proibidos e os bombeiros existem não para combater o fogo - as casas são anti-chamas -, mas para criá-lo. A sirene do Corpo de Bombeiros soa sempre que alguém denuncia que há livros guardados em alguma casa. Assim, os profissionais do fogo vão até o local indicado para queimar todos esses objetos considerados inúteis e, mais que isso, perigosos. O personagem principal, Montag, é um bombeiro.

Há várias formas de entretenimento nessa distopia. Uma delas é a televisão com múltiplas telas, que é configurada para que os atores conversem com as pessoas. Assim, o conteúdo é direcionado para envolver a audiência. Mildred, esposa de Montag, é uma das donas de casa que fica completamente envolvida com essa e com outra forma de entretenimentos: fones de ouvido que tocam música incessantemente. Ela é capaz de ler os lábios do marido e conversar com ele sem retirar os fones. Ela dorme de fones. Talvez esse tipo de situação justifique o que acontece com Mildred logo no início do livro: ela toma muitos remédios para dormir e Montag a encontra quase morta.

O encontro de Montag com Clarice McClellan, a nova vizinha, muda a forma como o bombeiro vê a vida. A família de Clarice - e ela mesma - é considerada subversiva, e há uma grande vigilância sobre eles. Montag gosta da menina e do seu jeito meio petulante, meio sem filtro. A partir da presença e, posteriormente, da ausência de Clarice, Montag vai começar a questionar o mundo em que vive.

É curioso como o livro é uma declaração de amor aos livros, ao mesmo tempo em que foge um pouco das distopias da mesma época (como em Admirável mundo novo), ao ter um final com uma mensagem de esperança. É bonito o fim do livro, muito mesmo, mas me pareceu deslocado do que eu esperava da distopia. Mesmo assim, é um ótimo livro. Mais fácil de ler - talvez até por esse clima mais positivo - do que Admirável mundo novo.

Fahrenheit 451 virou filme, dirigido por François Truffaut em 1966. É um bom filme, a adaptação foi muito bem feita. Vi há muitos anos, mas estou querendo ver de novo.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...