quarta-feira, 22 de março de 2017

Livro: The Story of the Lost Child


Tem spoiler sim!!!

Comecei a leitura deste último volume com uma vontade secreta de que a Lenú fosse atingida por um asteróide. A raiva dela era imensa, mas a vontade de continuar a ler era ainda maior.

Quando tudo começa, Lenú estava na França com Nino Sarratore, vivendo um romance tão idealizado por ela quanto aparenta ser falso. A narradora joga o tempo todo com as desconfianças que o leitor já possui e ela, como autora tardia dessa história, tem condições de construir. Enquanto diz o tanto que Nino se declara e a cobre de beijos e de amor, sempre tem uma informação solta, aquela pulguinha que permanece atrás da orelha. Lenú está cega, obviamente, acreditando, enfim, que seu amor de infância, finalmente correspondido, é maior que o mundo. Então, Pietro e suas filhas ficam de lado. Quando ela volta ao apartamento, Pietro está aborrecido, mas disposto a se manter com ela. Por mais seco que seja, Pietro a ama. E ama as filhas, que ficam sem entender o que está acontecendo.

Elena volta a Nápoles para viver com Nino. Leva as filhas e as apresenta para a mesma cidade de onde fugiu às pressas, assim que pôde. Nino, por sua vez, não abandona a esposa, mas mantém o apartamento onde Elena e as meninas vivem. O fato de Nino não assumir Lenú causa alguns problemas, mas na maior parte do tempo ela se mantém de acordo com a situação. Até que a esposa dele engravida. E Lenú entende que ele não vai deixar a oficial para ficar com a amante.

Lina tenta ficar ao lado de Lenú, sempre deixando claro que não concorda com o relacionamento com Nino Sarratore. Aliás, acho que só Lenú concorda com essa história... os amigos de Nápoles a cercam de carinho, mas sempre deixam claro que não gostam de Nino. A fama do mocinho parece ser a pior possível em todos os círculos em que Lenú se apresenta. Mesmo assim, ela se mantém firme. Lina voltou a morar na vizinhança e a trabalhar com dados e informática, junto com Enzo. Michelle Solara a contrata para organizar a informatização de suas empresas e é daí que Lina vai conseguir dinheiro para, depois, abrir sua própria empresa de processamento de dados com Enzo. É a virada da personagem,  que passa a ter muito dinheiro e a manter os amigos por perto, ajudando-os sempre que possível. Ela ajuda até mesmo Stefano, seu ex-marido, que sempre fez tão mal a ela. Consegue comprar o apartamento onde os pais vivem e dar a eles uma vida mais tranquila.

Uma das coisas que me impactou na leitura deste volume foi a narração do terremoto de Nápoles. É muito vívida; dá pra sentir o abalo em si e suas consequências na vizinhança, com Lina e Lenú juntas, se ajudando, enquanto tentam sobreviver e fazer contato com familiares.

As duas amigas estão mais próximas e com menos conflitos permeando a relação. Até mesmo engravidam juntas: Lenú dá à luz Immacolata, filha de Nino, e Lina, à Tina, filha de Enzo. As meninas têm um papel importante na história das duas amigas. Imma é quem desencadeia, finalmente, a abertura de olhos de Lenú para Nino. E Tina, ao mesmo que tempo que torna Lina mais leve, traz de volta todo o peso da vida da mãe, fazendo Lina parecer, cada dia mais, com Melina, a viúva louca da infância das meninas.

Lenú é pressionada a voltar a escrever e, finalmente, publica um novo livro, tento os conflitos do bairro como pano de fundo. Mais uma vez, as pessoas que a circundam não vão entender sua história. Mesmo assim, ela se sente compelida a continuar escrevendo e publica outros volumes, dos quais sabemos pouco.

No terço final do livro, como não poderia deixar de ser, há uma reviravolta na história. Meu amigo Daniel descreveu a sensação como "ser atropelado por um caminhão". Sim, é isso mesmo. Não consegui voltar ao livro e fui dormir pra tentar digerir. No dia seguinte, enquanto dissertava, me peguei pensando no acontecido, contanto as horas para voltar ao livro. Passado o susto inicial, lá veio outro, não tão forte quanto o primeiro, mas bem impactante. Bem danadinha essa Elena Ferrante!

O fato é que passei os quatro livros tento sentimentos ambíguos com relação a todos os personagens (exceto Enzo, que sempre vi positivamente e acho que a narradora também), passando da admiração à raiva em um piscar de olhos, pra depois voltar a admirar ou, ao menos, a gostar um pouco. No fim, já estava achando que ninguém sairia impune dessa história. Daí, comentei com o meu amigo Daniel e ele disse que, ao final, dava vontade de abraçar todos eles. Até os que trouxeram mais raiva e sentimentos negativos.

E num é que foi exatamente assim???

Já quero ler todos os livros dela.


Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...