quarta-feira, 8 de março de 2017

Livro: História do novo sobrenome


Sim, vai ter spoiler. Não tem como falar desse livro sem isso.

História do novo sobrenome começa deixando a gente louco. Lenú, a narradora, não começa a trama do ponto onde parou no anterior - a chegada de Marcello Solara ao casamento de Lina e Stefano usando os sapatos produzidos pela menina e dados de presente ao seu futuro marido. Dá um frio no estômago o que pode acontecer a partir dali, mas Lenú começa um outro assunto, também sobre Lina, para só na frente contar o que se desenrolou na festa a partir dali. Ela observa a reação irada de Lina, enquanto tenra driblar o olhar ferrenho da sua própria mãe, já que ficou longe dela durante a festa. Também tem que controlar Antonio, seu namorado, às voltas com o ciúme de Nino Sarratore, a quem Lenú idolatra.

O andamento da festa de casamento leva a situações opostas para Lina e Lenú. Enquanto Lina tem que haver com a transformação de Stefano, que não se conforma com o comportamento da esposa - algo que ele elogiara muito enquanto eram namorados - e se mostra bastante violento (essas passagens são arrepiantes), Lenú tem uma prova do carinho de Antonio por ela - algo que ela não consegue retribuir.

Aliás, Lenú continua sendo essa personagem ambígua, egoísta, invejosa e cheia de problemas. Ao mesmo tempo que se acha melhor que todo mundo, ela duvida ao tempo todo de sua capacidade. E, ainda, deixa todo e qualquer microacontecimento afetar sua vida. Tudo é motivo de sofrimento.

Ao mesmo tempo, a relação de Lenú com Nino Sarratore vai ficando cada vez mais obsessiva. Chamei muito ela de burra durante a leitura, algo que ficou ainda pior no livro três.

Enfim, o casamento de Lina e a continuidade dos estudos de Lenú leva a outro patamar a relação das duas. Lina está às voltas com a vontade de ser diferente e de permanecer igual, enquanto tenta fugir da dominação de Stefano e reagir à influência dos Solara. Michelle, em especial, vai dar bastante trabalho para a menina. Lenú sente-se deixada de lado, já que sua amiga tem vida de casada. Mas, nem por isso, deixa de viver às voltas de Lina, seja ao ir estudar todo dia na casa dela, aproveitando o silêncio do novo apartamento, seja manipulando Lina para que estejam juntas durante as férias na praia, indo para o mesmo local onde Nino Sarratore estará.

As voltas da vida, especialmente depois da viagem à praia, vão fazer Lina se defrontar com um problema familiar grave, enquanto Lenú vai para a Escola Normal de Pisa, onde consegue uma bolsa de estudos e se sente "adorável" (hahahaha) por ter saído de Nápoles e de perto de sua família. A independência conseguida faz com que construa uma personalidade que, cada vez mais, nega suas origens. Enquanto Lina quer se manter próxima ao bairro e aos seus, Lenú se esforça para fugir.

O fim do livro, mais uma vez, é justamente em um ponto chave. Daí, é só correr mesmo pra continuar a história.


Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...