sexta-feira, 24 de junho de 2016

Uma jornada de pesquisa


Essa #vidademestranda não é nada fácil. Ainda mais pra quem tem problemas para falar em público, como eu. "Ah, mas você não é jornalista?", sempre perguntam quando eu digo isso. Sim, sou. E prefiro falar olhando para uma câmera do que para uma plateia. É muito mais fácil e confortável. Mas temos que ir em frente, porque não dá pra ser pesquisador sem apresentar a pesquisa pra geral, em eventos por aí.

Já disse que a minha primeira experiência apresentando artigo foi desastrosa, né? Depois dela, eu pensei em nunca mais apresentar nada nessa vida. Porque dá pra ter uma vida acadêmica sem participar de eventos sim, mas ela fica incompleta, e não é legal. Aliás, pelos critérios acadêmicos, vale mais publicar artigo em revista de qualis alto do que participar de eventos. Mas é nos eventos que conhecemos pessoas e trocamos informações.

Enfim, poucos dias depois de levar porrada no primeiro congresso, veio o segundo, lá em Coimbra (saudades imensas de Portugal!). Foi bem mais tranquilo, mas nem por isso menos tenso. Não apanhei desta vez, soube argumentar quando me perguntaram coisas ou apontaram outros caminhos para a pesquisa.

E daí veio o terceiro, a Jornada de Pesquisa do programa de mestrado. Ele aconteceu dentro de um simpósio coordenado por um dos grupos de pesquisa vinculado ao PPG. No primeiro dia, se apresentaram os integrantes da linha 1, no segundo dia as da linha 2. Duas das minhas companheiras de linha estavam, na época, fazendo intercâmbio na Rússia e se apresentaram em vídeo. Na véspera, Dayana e eu apresentamos nosso trabalho uma pra outra, via Skype, para afinar as arestas. Sou muito grata a ela por isso.

Como eu deu o azar de me chamar Aline, fui a primeira a apresentar o trabalho de pesquisa, na mesa da linha 2. Tremia igual vara verde. Gaguejei. Esqueci de falar algumas coisas. Falei outras que tinha me programado para não dizer. Tentei não olhar pro meu orientador, sentado na primeira fileira, pra não começar a chorar de nervoso. Também tentei me lembrar das aulas de oratória, feitas há um milhão de anos, quando eu começava a trabalhar na TV universitária. Olhei pra o horizonte, de um lado a outro, tentando dar a impressão de que encarava a plateia sem medo. Fluiu, acho.

No dia anterior, a linha 1 tinha se apresentado sem que houvesse abertura de perguntas para a plateia. Foi um alívio pra mim ter visto isso. Mas a linha 2 é bem menor, e sobrou tempo. Então a Debora, professora que mediou a mesa, abriu para perguntas sem nos avisar que faria. Foi quase um infarto. A plateia, ao fim, não quis se manifestar, mas a Debora, então, fez uma pergunta para cada integrante da mesa. Foi tranquilo de responder, em meio à tremedeira (mas eu tenho uma técnica ninja para não parecer que estou tremendo, rá!)


A mesa: eu, Debora, Dayana e Luana
Enfim, sobrevivi. E já mandei trabalho novo pra outro congresso, que acontece em novembro. Esta semana sai o resultado. Uma coisa eu aprendi: o "não", de verdade, eu já tenho. Isso porque aquele primeiro congresso em que fui massacrada resolveu selecionar os artigos apresentados para um ebook. Depois de mexer um tanto no meu, enviei para a seleção, por desencargo de consciência. O "não" eu já tinha, ainda mais depois do que aconteceu na apresentação. Mas aí, surpresa... recebi a carta de aceite, com dois pareceres aprovando, mas pedindo algumas mudanças. Tenho 15 dias para entregar. Vai ser, afinal, meu primeiro artigo publicado em livro (ebook ainda é considerado livro, tá?). Espero que seja o primeiro de muitos!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...