quarta-feira, 8 de junho de 2016

Livro: O chamado selvagem


 O chamado selvagem é daqueles livros que a gente lê em um dia. Li em uma noite, pra ser mais exata. Cheguei em casa depois de uma reunião de orientação pensando nas mil coisas que tinha que fazer pra qualificação e decidi desanuviar para ter mais ânimo par encarar o trabalho. O livro estava para ser lido, porque foi escolha do Clube de Leitura da Set Palavras, então mandei ver.

Buck é um cão da raça São Bernardo que vive em paz em uma fazenda. Ele é bem próximo do dono das terras e, também, dos filhos e netos dele. A vida é tranquila, até que acham ouro no Alasca e cães fortes são necessários para puxar trenós na neve severa. Os trenós eram o único meio de transporte possível. Buck é roubado da fazenda e vendido para comerciantes de cachorros.

Quando entende que perdeu a vida boa, que passou a ser empregado, força de trabalho, Buck se revolta e começa a sofrer as consequências. Porretes e pauladas, frio, fome, privações de todas as formas. Logo, ele entende que precisa se adequar ao seu espaço naquela engrenagem, se quiser sobreviver. O contato com os guias e com os outros cachorros do grupo fazem Buck endurecer. Aquele cachorro bondoso de fazenda vai, aos poucos, morrendo e deixando vir à tona um animal mais preparado para a vida selvagem.

O texto é uma bela metáfora para a vida capitalista. Tem lá a exploração sem limites, os que só têm sua força para trocar por alimentos, os que querem fugir desse modelo, os que nunca vão conseguir se encaixar. O livro é duro, bruto com quem acha que um cachorro protagonista só pode oferecer uma história leve. Dá pra chorar, sorrir, pensar, ter vontade de fugir disso tudo aí.

Achei a tradução um pouco descuidada. Nada que uma boa revisão não acerte. 

Do Jack London, já li O lobo do mar e amei. Nos dois livros, ele fala sobre a inadequação à vida, sobre revolta, sobre as perdas que a vida impõe.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...