sexta-feira, 3 de junho de 2016

Aos sete

Depois de toda a história do filho do presidente ilegítimo ter um patrimônio de dois milhões de "dilmas" em imóveis, uma galera começou a listar o que tinha aos sete anos. Vi essa postagem no blog Fragmentos e resolvi fazer o meu inventário (mas, com certeza, vou ser traída pela memória)...

Aos sete anos eu tinha:

- Um livro lindo, As aventuras  de Alice no país das maravilhas, presente da Tia Sandra (a capa dele pode ser vista neste post). Editado pelo Círculo do Livro, cheio de gravuras. O livro me acompanha até hoje, já bem surradinho. Lido, muitas vezes relido, muitas vezes reverenciado e referenciado.

- Uma coleção com os livros infantis de Monteiro Lobato, presente da Tia Ylza. Também me acompanha até hoje. O volume 4, com A viagem ao céu, foi o mais lido de todos.

- Um caderno de caligrafia, porque a gente tinha que ter isso lá nos idos de mil-novecentos-e-ninguém-quer-saber-o-ano-certo. Todo mundo odiava. Eu me divertia. Ok, não ajudou muito, já que letra bonita não é meu forte. Mas era legal treinar letras diferentes e compará-las com a letra maravilhosa da Tia Ylza, uma perfeição caligráfica que nunca vi igual.

- Uma bicicleta verde. Nessa época, já sem rodinhas. E, nessa época, já não era mais a minha original, que passou a pertencer ao Daniel. A dos sete anos era, antes, da Laura. Mas ela nunca foi da turma da bicicleta. E quando a verdinha dela passou pra mim, se transformou no meu brinquedo favorito da vida.

- Uma pasta cheia de cartõezinhos que recebi dos meus tios durante esses sete - até então, longos - anos. Era muito carinho dispensado pra mim :-)

- Poucas bonecas - nunca gostei delas - e poucos ursinhos de pelúcia - me dão alergia.

- Alguns discos de vinil. Balão Mágico, Verde-que-te-quero-ver e Menudos eram os mais queridos. E como memória afetiva pega sempre a gente de jeito, tenho isso tudo aí em mp3. Talvez os vinis ainda estejam escondidos por aí.

- Um apontador de lápis em formato de máquina de costura, que sempre me lembrava a Vovó e o tempo que ela passava ali, costurando. Logo o apontador perdeu o fio, mas guardei, justamente porque me lembrava dela. Infelizmente, perdi em uma das mudanças.

- Um peixe, desses que vendem (ainda vendem?) em saquinhos. Presente da Tia Ylza. E "cuidado" na casa dela. Não durou muito tempo, claro. Curioso é que peixe esteve sempre permeando a minha vida desde então, até pouco depois de eu ter conhecido o Leo. Até hoje não entendo qual a graça de ter peixes...

Mas acho que o que eu mais tinha, aos sete anos, era vontade de voar. Literal e figurativamente. Talvez por isso a Viagem ao céu do Monteiro Lobato fosse um dos meus livros favoritos de então.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...