quarta-feira, 11 de maio de 2016

Livro: A festa de Babette




Foi em 2015 que vi o filme A festa de Babette, na disciplina de Estética de Kierkegaard, com a professora Guiomar de Grammont. O filme é lindo e tem tudo a ver com a filosofia do dinamarquês. Gerou até um encerramento do semestre com a "nossa" festa de Babette, que foi muito divertida. Daí, a vontade de ler a obra de Karen Blixen permaneceu. Como o livro é super fininho, achei que deveria dar uma chance a ele. Em poucas horas, estava lido e tagueado.

O livro conta como a vida de duas irmãs Martine e Philippa, moradoras do povoado de Berlevagg, que levam uma vida muito simples. São tementes a Deus, têm uma pequena renda mensal e a dedicam quase toda, a fazer caridade. Elas são filhas de um grande pastor, que conduzia uma seita com expressão no país, mas que faleceu há alguns anos, deixando as moças solteiras, já que sempre se negou - sutilmente, é preciso dizer - que elas se casassem. Além de terem pretendentes em geral no povoado, pois eram muito bonitas, as moças tiveram, cada uma, um pretendente estrangeiro. Martine se viu cortejada por Lorens  Loewenhielm, um jovem oficial sobrinho de uma velha senhora, moradora do povoado. Philippa despertou os amores de um cantor de ópera francês, Achille Papin, encantado pela beleza e pela doce voz da amada. Dos dois "namoros" só restou um beijo e lembranças.

Muitos anos depois dos namoros frustrados e da morte do pai, Martine e Philippa viviam suas vidas tranquilas quando, em uma noite de tempestade, uma jovem bate à porta, assustada, sem falar uma palavra de dinamarquês. Ela traz consigo uma carta de Achille Papin, antigo namorado de Philippa. Chama-se Babette e está fugindo da França, onde marido e filho foram mortos. Papin pede abrigo para Babette e diz que ela trabalhará em troca do teto, não sendo necessário qualquer pagamento. Tinha sido cozinheira de um restaurante e pode ajudar as irmãs.

Relutantes, a princípio, elas aceitam Babette por caridade vivem cerca de 10 anos com ela. Até que chega da França a notícia de que um bilhete de Babette foi sorteado na loteria e ela ganhou a incrível quantia de dez mil francos. Ao mesmo tempo, aproxima-se a data em que o pai das irmãs faria 100 anos, e elas querem reunir a congregação. Babette oferece-se para fazer um jantar comemorativo - nunca pediu nada às irmãs que a acolheram; agora era a hora de ter um pedido atendido. Uma pequena confusão se forma na mente das irmãs ao ver os preparativos. O medo de estarem participando de algum ritual satânico toma conta e algumas confusões - nada a ver com as da Sessão da Tarde, diga-se - tomam a cena.

O livro é delicioso. Simples de ler, profundo em significados. Obviamente, as imagens do filme ficaram pulando na minha frente enquanto lia. E o que aprendi em sala de aula foi mais uma vantagem para fazer a leitura ser ainda mais gostosa. É um livro mais do que recomendado!

Fiquei com vontade de ler os outros livros da Karen Blixen, em especial A fazenda africana. Quem sabe um dia?

A festa de Babette já tem destino certo, vai ser um presente para o meu amigo Saulo.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...