quarta-feira, 27 de abril de 2016

Livro: Sangue na neve



No Clube de Leitura, tínhamos decidido ler Grande sertão: veredas (amo de paixão!). Mas como é um livro que requer bastante envolvimento e dedicação, e não anda sobrando tempo pra ninguém, resolvemos dividir a leitura em partes e ler um livro mais curto ao mesmo tempo. Assim, a próxima reunião seria para discutir o livro mais curto e as primeiras 150 páginas de Grande sertão. Escolhemos o Sangue na neve, do Jo Nesbø, autor norueguês bem famoso, e de quem nunca tinha lido nada. 

A história é curta, mas bem intensa. Nas primeiras páginas já sabemos que Olav, o narrador, trabalha como matador de aluguel, mas tem o coração mole. Ele é apaixonado por Maria, uma moça surda (o livro diz surda-muda, mas isso não existe) que salvou de um cafetão, pagando a dívida que o ex-namorado dela tinha. Sua alma é sensível e, de um jeito ou de outro, ele sempre ajuda a família das pessoas que precisa matar. Também sabemos que ele é chamado para mais um assassinato: o chefe do tráfico quer ver sua esposa morta, sem ser incriminado. Ao estudar os hábitos de Corina ele se vê, imediatamente, envolvido pela mulher. Todos os dias, no mesmo horário, o amante dela entra em sua casa com muita familiaridade e a agride, para, em seguida, fazerem sexo. Olav vê e se impressiona com o ritual e tenta resolver o problema de outra forma. A orelha do livro diz que, assim, ele encontra um problema ainda maior e passa a ter que lutar por sua própria vida. 

O fato é que a paixonite por Corina o leva a cometer um erro e põe a perder o dinheiro que ele receberia pelo trabalho (que é cinco vezes mais do que o usual). Ele não tem mais como se sustentar, já que tudo o que ganha acaba destinado aos problemas de suas vítimas. Mas agora ele tem Corina e tem que se esconder. 

Uma das coisas mais interessantes do livro é a frieza de Olav, mesmo com seu coração mole. Como não tem telefone em casa, para não ser encontrado, ele liga de um orelhão para a Pizzaria Chinesa, a melhor de Olso, e encomenda a PC Especial. Depois de pegar a caixa com a pizza, ele sofre uma emboscada e a pizza tem um papel importantíssimo na trama. É tenso, mas é bem divertido também. 

A característica de Olav que eu mais gostei foi seu amor pelas histórias. Disléxico, ele gosta de criar as próprias histórias, a partir do que conseguia ler. Em um momento, ele tece uma nova trama para o livro Os miseráveis, de Victor Hugo. Durante várias partes da narrativa ele lembra seu amor pelas histórias. Por outro lado, essa característica ~fofa~ de Olav não mascara a violência de suas ações. Teve um momento que fiquei assustada com a crueza do ato do protagonista. Afinal, por mais sentimental que seja, Olav é um matador, sua especialidade é matar e não deixar rastros.

A leitura é bem rápida e encadeada. O livro é curto e a história cativa. Em dois dias, estava lido. Mas se eu não tivesse um caminhão de coisas pra ler do mestrado, acho que terminaria em um dia.

A edição é da Record, e a capa tem aplicação de verniz texturizado, o que faz com que ela fique ainda mais legal. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...