quarta-feira, 6 de abril de 2016

Livro: Faça boa arte



Taí um livro que eu queria ler há tempos, mas vivia enrolando. Faça boa arte é um discurso de Neil Gaiman para a turma de 2012 da University of the Arts da Filadélfia. É um discurso tão bacana que recebeu um tratamento gráfico e virou esse livrinho fofo, com uma diagramação bem interessante.

A leitura é muito rápida. O discurso original tem 19 minutos, e é basicamente esse tempo que se leva para lê-lo. A menos que - exatamente como eu fiz - a leitura seja pausada para alguma anotação ou para ficar uns minutos pensando no que Mr. Gaiman fala.

Duas coisas chamaram a minha atenção. São bem óbvias - como é, aliás, todo discurso de formatura, mas nem por isso menos interessantes.

A primeira é quando ele fala sobre o dinheiro e sua relação com o trabalho. "Nada que eu tenha feito exclusivamente por dinheiro jamais valeu, exceto como uma amarga lição". Isso é muito óbvio pra mim. Escuto de muita gente que sou maluca de trabalhar com várias coisas que não me dão um centavo, ou que me retornam com pouco dinheiro. Mas o prazer que me dão é algo que nenhum dinheiro compra (nesses casos, não existe Mastercard...). Especialmente quando são projetos que envolvem escrita e estudo. Como foi o último em que me envolvi, entre janeiro e fevereiro desde ano, que me deu muitas alegrias com escrita coletiva. E que, talvez, saia do papel de forma incrível.

Outro ponto é quando Gaiman diz que é preciso ter sorte para fazer um bom trabalho. E que, quanto mais você se dedica ao trabalho, mais sorte tem. Muito óbvio, né? E sorte, pra mim, é ser convidada pra vários projetos bacanas (dos que não rendem dinheiro, dos que rendem, dos que dão experiência, dos que nos levam a novos lugares, a novas pessoas, a novas perspectivas), é ouvir de uma pessoa que confia no que você faz, é ter clientes fiéis, que estão há anos do seu lado.

Quando Gaiman diz "Faça boa arte", só me dá mais vontade de seguir em frente.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...