quarta-feira, 30 de março de 2016

Quinze

Daí que pá! Bate aquela consciência. 15 anos juntos. É coisa demais! Comentei com o Leo outro dia que, quando começamos a nos relacionar, não imaginava que passaríamos de 15 dias. E cá estamos nós, com 15 anos de estrada, lado a lado.

Há 15 anos. Tinha vinho!


Muita coisa mudou na minha vida por causa dele. Vamos à lista:

- Tolerância: sou bem mais tolerante, hoje, com as outras pessoas, por influência dele. Foi com Leo que aprendi que o outro tem outros tempo, ritmo, aspirações. Como naquela música do Ira! que diz "Nessa vida passageira / Eu sou eu, você é você / Isso é o que mais me agrada / Isso é o que me faz dizer / Que vejo flores em você". Não foi algo imposto, foi a convivência diária que me fez entender isso e passar a respeitar o tempo dele, acima de tudo, e também o tempo dos outros. Confesso que é muito mais fácil respeitar o tempo dele.

- Comidas: meu paladar é mega infantil. E foram anos de tentativas de ter alimentação saudável, com ênfase pros períodos mais punks de anemia crônica. Mas foi só com o Leo que consegui comer salada todo dia útil (a folga nos fins de semana é necessária). E também passei a experimentar mais sabores e texturas. Ele me apresentou o gorgonzola (ó, céus, o que eu estava perdendo!!!) e me fez gostar, novamente, de camarão. Com ele comi coisas inimagináveis antes, como aratu. Também diminui o chocolate e outras bobeiras (ok, tem um refluxo aí no meio...). E aprendi a tomar café, mas bem de vez em quando (o Vanilio, da Nespresso, é o meu favorito). 

- Cozinha: nunca fui de cozinhar. Sou um desastre na cozinha, pra falar a verdade. Mas Leo gosta de experimentar receitas, e lá vou eu com ele. Comecei sendo a auxiliar que pica ingredientes e lava as louças. Hoje, até arrisco fazer algumas coisas mais simples. Por exemplo, o molho do macarrão da Bel é responsabilidade minha. Já me arrisquei fazendo arroz e feijão (não, não provei o arroz. Sempre é horrível fazer porque o cheiro me dá ânsia de vômito). Mas de uns tempos pra cá, temos feito almoço em casa praticamente todos os dias. Leo é o responsável por quase tudo (e ele manda bem demais!), mas dia desses aí a cozinha foi toda minha. E ficou muito bom. Não dá pra dizer que posso me virar sozinha agora. Mas é inevitável perceber que mudei, e muito, por influência ele. 

- Calma: já cansei de falar que é o Leo quem me põe no chão quando eu tô lá longe, voando alto. É uma coisa muito louca... porque ele me dá muita segurança pra seguir em frente. Com o tempo, fui me centrando mais e já não preciso tanto de socorro. O fato é que com 15 anos de convivência, já consigo identificar em mim os momentos em que preciso mais dele, e já sei o que fazer, estando ele próximo e acessível ou não. 

- Faro: Leo tem faro pra gente sem caráter. É impressionante como ele lê rápido as pessoas. Enquanto isso, passo anos achando que tá tudo bem, que todo mundo é legal. Já falei aqui, no meu resumão de 2014, que eu precisava ouvir mais o Leo. Porque é impressionante como ele acerta. Até hoje, nunca vi ele errar com um "diagnóstico" sobre uma pessoa. Pode demorar dias, meses ou anos: ele acerta. E eu tomo na cara, poque sempre desconfio da leitura dele. Mas acontece que comecei a ficar mais esperta com isso e a confiar mais no meu sexto sentido (ele funciona!!!) e, daí, conversar bastante com o Leo para ver o panorama por olhos mais capazes que os meus pra avaliar pessoas. Melhorei, mesmo que ainda seja pouco. 

- Sincronia / Sintonia: é engraçado que a gente quase advinha o que o outro pensa ou quer. E há muito carinho e respeito nesse adivinhar. Especialmente nesses últimos três anos, a sintonia tem estado mais presente entre nós.  É algo que me diverte, porque nunca me imaginei vivendo essas situações. Saber como ele pensa é tão legal! Me permite fazer tanta coisa por nós, viver tanta coisa gostosa... 

- Aceitação: Leo foi fundamental pra que eu me aceitasse como sou. Com todos os meus defeitos, todas as arestas e as gordurinhas a mais. Com toda a história familiar conturbada que eu tenho. Com todos os momentos em que eu falhei. Sempre odiei falhar, mas mudei junto com ele. Não quero dizer que passei a gostar de falhar, longe disso. Só que está mais fácil aceitar minhas falhar, minhas dificuldades, meus escorregões. 



De 2015 (no Porto - saudades). Também tem vinho :-)


Ultimamente, temos falado muito sobre o café. Leo aprendeu a tomar café com a Dri, na agência. Ficou viciado. E aqui em casa sempre teve café, por conta da vovó, que não passava sem um cafezinho. Daí, com a morte da vovó, eu que não curto, passei a fazer café todo dia, pra ele. Me diz se isso não é amor?

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...