sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Portugal - motivos para rir

Anúncio em um ponto de ônibus do Porto

Antes de irmos para Portugal, já sabíamos que havia uma série de cuidados linguísticos a tomar. Ok, falamos a mesma língua, mas temos contextos diferentes, e é importante saber que há palavras ou expressões que são comuns para nós mas não podem ser ditas lá. "Moça/moço", por exemplo, é um xingamento considerável por lá. Agora imagine que eu falo "moça/moço" o tempo todo, até pra chamar as pessoas que eu conheço e sei bem o nome. Há outras expressões, mas esta foi a que mais me preocupou.

Outra coisa é que os portugueses são muito mais literais do que nós. As perguntas precisam ser bem elaboradas, para obterem a resposta precisa. A nossa inaptidão em fazer as perguntas certas gerou uma série de situações curiosas. Na verdade mesmo, foram engraçadas. Passamos muito temo rindo das palas que demos por lá. Aqui vão algumas delas:

No aeroporto de Lisboa
Enquanto esperávamos o nosso voo para o Porto, passeamos bastante na sala de embarque do aeroporto de Lisboa. Uma sala de embarque mara, cheia de opções de entretenimento. Leo estava com uma nota de U$100 e queria trocar por euros, para buscar um câmbio mais favorável. Fomos ao quiosque (!!) do câmbio e Leo perguntou ao senhor quanto estava o euro por dólar. O atendente disse o valor e Leo, satisfeito, entregou a ele a nota de U$100. O senhor ficou bravo e disse que Leo estava enganado: tinha perguntado o valor de euro por dólar, mas queria mesmo saber era dólar por euro. Então tá!

Diversão no aeroporto de Lisboa

Saindo do aeroporto do Porto
Pelas nossas pesquisas anteriores, sabíamos que, ao sair do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, deveríamos caminhar até a estação do Metro, no próprio terminal, e seguir para o centro da cidade.

Os portugueses não falam metrô, é méééétro mesmo. Já sabíamos que teríamos que pronunciar corretamente, mas a ansiedade era tanta que perguntamos para um dos guardas do aeroporto:

- Onde compramos o cartão de embarque no metrô?

E o senhor nos respondeu:

- Os senhores querem dizer o "metro"? [enfatizando a sílaba tônica no mé!]

Foram muitas risadas, mas não na frente do austero segurança do terminal.


Na máquina Andante
Entramos na estação do Metro e fomos em direção à máquina que vende as passagens de transporte público Andante. O sistema é bem interessante e intuitivo, e o valor muda dependendo de para que ponto da cidade você vai. Basta olhar nos quadros que ficam ao lado das máquinas.

Porém, não fica claro que o cartão é individual. Eu sei, fomos bem ingênuos nessa...

Assim, pensamos que poderíamos comprar um só cartão e carregá-lo com as três passagens e pagar com cartão de crédito. Daí vem o fiscal e diz que não, não pode pagar com cartão. Tem que ser com dinheiro mesmo.

Ok, separamos o dinheiro e fomos comprar o número de passagens. Três, para agora. Mas só havia as opções de 1, 2, 5 ou 10. Comentamos que, pôxa, não tinha três. Volta o fiscal: o cartão é individual. É um para cada, ora pois!

Tóin! Compramos os três cartões, carregamos com o valor da viagem para o nosso destino e fomos embora.


Indo para o 17º
Fomos comemorar o aniversário da Lu e o nosso primeiro dia em Portugal no restaurante 17º, indicação do meu amigo Josélio. Olhamos nos mapas (além do mapa do Guia Lonely Planet, recebemos um mapa do Porto assim que saímos da área de desembarque do aeroporto. Olhamos também no Google Maps, ainda no Brasil. O aplicativo nos mostrou que deveríamos pegar o metro onde descemos (Estação Aliados) e descer na Estação Trindade, daí passar por duas ruas e virar à esquerda. Acontece que nos perdemos. Pois é...

Enquanto caminhávamos em torno da Estação Trindade, procurando as ruas que deveríamos atravessar, vimos que estávamos ao lado do supermercado onde tínhamos feito compras poucas horas antes. Ou seja: era tão perto que não precisávamos ter pegado o Metro.

Perguntamos para algumas pessoas e logo achamos a rua do 17º e fomos comemorar!

O mapa enganador. Tudo é perto por lá :-)



No Hotel Dom Henrique
O Hotel Dom Henrique é onde fica o restaurante 17ª. Não sabíamos disso. Só tínhamos o número do prédio, então entramos no saguão e perguntamos ao recepcionista se o 17º ficava ali. O "moço", bem sorridente, disse que ele ficava no elevador!!!

Fomos, rindo muito, acessar o elevador e subir ao 17º andar.

O Porto à noite. Vista da varando do 17º


No Forte do Queijo
Descemos felizes do ônibus hop-on hop-off e fomos visitar o Castelo do Queijo, na praia de Matozinhos. Um dos senhores que cuidam do local - um grupo de ex-combatentes é responsável por isso - já foi logo gritando fifty cents pra nós. Quando a Lu falou "cinquenta centavos", o senhor já foi dizendo "são brasileiros" e falando que gosta muito do Brasil. E que só no Brasil se fala centavos.


Na Universidade do Porto
O prédio central da Universidade do Porto é bem próximo do nosso primeiro apartamento e da livraria Lello & Irmão. Ficamos rodando por lá, na praça que tem, ainda, duas igrejas revestidas de azulejos, muito lindas. Quando decidimos entrar na Universidade e perguntar sobre uma possível visita, topamos com todas as portas de vidro com um adesivo circular, vermelho, com um traço branco horizontal. No nosso entendimento, isso significava que não era pra abrir aquelas portas, que a entrada não era ali.

Passa um tempo, vem um senhor e abre uma das portas. Dois segundos depois, outra pessoa faz a mesma coisa. Ou seja: não conseguimos entrar porque tinha um adesivo na porta, que só sinalizava que aquilo ali era um vidro. Hahahahahaha.

Depois que nos recuperamos da crise de riso, entramos e visitamos uma exposição de objetos de trabalho de Fernando Pessoa, um dos meus poetas favoritos da vida. Cadernos de notas, lápis, máquina de escrever... Muito lindo! Do outro lado do saguão tinha uma livraria com vários livros bacanas, a maioria de Engenharia e Filosofia. Pirei! Mas, como não era o objetivo da viagem, deixei de lado e fomos continuar o passeio, ainda rindo do adesivo que nos impedia a entrada.

O prédio da Universidade do Porto

No Chiado Coffee & Beer
Nossa primeira noite em Coimbra. Tínhamos saído à pé do apartamento e descido para a Praça da República, onde andamos e comemos. Entramos bo Chiado Coffee & Beer que, àquela hora (aproximadamente 20h) estava vazio. Como estávamos em uma rua em que não passavam carros, e por não saber bem como funcionava o trânsito na parte histórica da cidade, perguntei ao barman:

- Os táxis da praça vão até a Sé Velha?

Ao que ele, prontamente, me respondeu:

- Eles vão até onde você quiser, só não sobem escadas!

Tóin! Mais um monte de risadas do lado de cá, e o barman sem entender o motivo de tanta folia.

No Chiado Coffee & Beer tinha Estrella Galícia.
E preciosas informaçõe ssobre os táxis de Coimbra :-)

No táxi para a ESEC - parte 1
Descemos da cidade alta em direção à baixa para pegar um táxi e ir à Escola Superior de Educação e Comunicação de Coimbra (ESEC). Perguntamos pro motorista:

- O senhor sabe onde fica a ESEC?

- Sim. A ESEC fica na ESEC - disse o senhorzinho sorridente.

Lu e eu na porta da ESEC, que fica na ESEC

No táxi para a ESEC - parte 2
Passamos por uma coluna, na Praça da República, em homenagem a Camões. O motorista engraçadinho e metido a guia de turismo explica que o leão da coluna foi roubado. Nós, doidos por uma boa história, ficamos de ouvidos atentos, mas nada veio em seguida. Leo pergunta:

- Quem roubou?

- Um ladrão, ora pois. Desonesto. Porque se fosse honesto, não roubava.


Outro táxi de Coimbra
Nosso sistema de pagamentos conjuntos era bem dividido. Cada hora, um pagava o táxi ou o que fosse preciso. Pegamos um táxi para voltar da Praça da República, onde estávamos com meu amigo português. A corrida deu 4 euros. Luana queria dar 10 euros para o motorista, Leo queria dar 4, trocados. O motorista, parado, não dizia nada, mas estava de cara feia. Alertei os meninos que poderiam estar irritando o senhor, e Leo disse que ele poderia preferir as moedas, já que era grana trocada. Meio sem paciência, o senhor disse:

- Estou esperando vocês decidirem.


Outras situações mais herméticas:
- A Lu descobriu sua vocação. Caso nada der certo na Comunicação, ela pode tentar odontologia. Vai se dar bem!
- Os portugueses colocam os interruptores de luz dos banheiros do lado de fora. Isso nos gerou algumas situações cômicas. Por várias vezes, um de nós estava no banheiro e alguém passou pelo lado de fora e apagou a luz. Não entendi até agora qual o sentido do interruptor de luz do banheiro ficar fora dele.
- O Guaraná Brasil, made in Portugal, é tudo, menos guaraná. Tem gosto de remédio, cheiro de remédio, jeito de remédio. Um viva pro Guaraná Antarctica, o melhor do mundo.
- Enquanto fazíamos degustação de vinho do Porto na Cálem, uma brasileira, se sentindo a esperta, a inteligente, a diferentona, dizia pra quem quisesse ouvir que o problema do Brasil eram os brasileiros. Quase bati no ombro dela pra perguntar, afinal, qual a nacionalidade dela. Porque, né?, se fosse brasileira, ela também era um problema do Brasil. Ah, esse povo incoerente!
- Ainda não descobri a lógica da numeração dos assentos nos trens portugueses. Alguém me dá uma luz?
- Tem lojas Galo Louco por todo o Porto. Isso porque o Galo é o símbolo da cidade. Meu coração atleticano vibrou!
- Os desodorantes portugueses vêm com o dobro de conteúdo por metade do preço brasileiro. Fuén.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...