quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Livro: Morte na Mesopotâmia


Um Agatha! Há tanto tempo não lia nada dela! Este foi presente da Jullyanne, essa linda. Foi uma delícia ler novamente a Rainha do Crime. Li durante algumas noites, sozinha, e passei alguns sustos, porque Dona Christie faz isso com a gente. Acabei me lembrando de quando, adolescente, li O assassinato de Roger Ackroyd e fiquei com medo de terminar de ler e dormir; daí fui dormir pra ler o final de manhã, com a luz do sol #besta.

O livro, escrito em 1936, é narrado pela enfermeira Amy Leatheran, que está no Iraque. Inicialmente, ela foi acompanhando um casal com um filho pequeno, e deveria voltar logo para a Inglaterra, mas consegue um emprego para cuidar de Louise Leidner, uma mulher muito bonita, esposa do arqueólogo Eric Leidner. Ele está no país em uma expedição arqueológica, com um grupo que o acompanha há alguns anos. Algumas pessoas dessa turma compõem o grupo pela primeira vez: o tradutor das placas encontradas, o fotógrafo, o assistente e Louise Leidner, recém casada com o arqueólogo.

Louise está com os nervos em frangalhos, com muito medo de ser assassinada. Seu ex-marido, tido como morto há vinte anos, pode estar vivo. Ela vem recebendo cartas com ameaças e tem certeza que são de seu ex-marido ou do irmão dele. A enfermeira Leatheran chega a acreditar que foi Louise mesmo quem escreveu as cartas. Porém, o assassinato acontece e todos os membros da expedição, inclusive a enfermeira, se tornam suspeitos. É aí que aparece M. Poirot, que estava passeando pelo Iraque (e, ao fim do livro, ele vai embora pelo Expresso Oriente, onde se envolve em mais uma confusão um crime, o famoso Assassinato no Expresso Oriente).

Obviamente, Poirot resolve o mistério unindo pontos que pareciam não estar conectados e descartando tudo aquilo que achamos que faz parte da trama do assassino. Não consegui imaginar quem seria o culpado, nem por um minuto. Não só porque não pensei no personagem como sendo o assassino, mas também por não ter visto nenhum dos outros no papel. Ou seja, não fui uma boa detetive, neste caso (hahahaha).

Uma das coisas que não gosto nos livros da Agatha é quando ela usa o recurso de deus ex-machina, com um personagem que não tinha aparecido até o final do livro e, de repente, olha ele lá fazendo parte da solução! Aqui, o deus ex-machina não resolve o assassinato, mas está envolvido na trama. Dá pra desconfiar dessa solução dela desde o começo, porque é bem apropriada para a história, mas fica bem chato ser assim. Outra, que é plenamente desculpável pela época em que escreveu, é a posição da mulher. Quando uma das personagens tem um ataque histérico - com medo de ser assassinada também -, ela é contida com bofetadas. Os homens se referem às mulheres como "sexo fraco" e levantam características femininas baseadas em estereótipos. Acredito que se a Tia Agatha escrevesse hoje, não faria tal coisa.

Enfim, gostei demais do livro. Dois dias de leitura, uns sustos, um mistério bacana e muita vontade de voltar a ler romances policiais, abandonados há um tempo. Tenho mais uns aqui pra ler. Vamos ver se consigo conciliar com a dissertação.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...