sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Portugal - 5º Dia

Dormi muito mal à noite. Estava tensa demais com o congresso. Possivelmente, porque esperava um massacre, como foi no primeiro congresso que participei. Enquanto estava acordadona, rolando de um lado para o outro, aproveitei pra escutar a festinha dos espanhóis que estava no apartamento acima do nosso. Uma turma muito animada. Teve móvel sendo arrastado, mala sendo arrastada, sons de sexo, tosse que indicava morte próxima e muito vômito. Agitadinhos esses espanhóis!

Tomamos café da manhã no Café da Sé Velha, praticamente embaixo do apê. Os donos - esqueci o nome deles - são muito simpáticos, bons de papo e atenciosos.

Nós também recomendamos

Esperando a Lu!

Fomos caminhando, seguindo a indicação que o dono do Café nos deu. Queríamos pegar um táxi na parte baixa da cidade e ir para a faculdade onde seriam as atividades do congresso nesse dia. Descemos por uma ruela paralela ao Beco do Quebra Costas, que é bem famoso em Coimbra. Passamos por algumas repúblicas estudantis - sério, Coimbra é a Ouro Preto do mundo bizarro. Falo sobre isso depois.

A República dos Kagados, ao lado do nosso apê

Descemos pelas ruazinhas simpáticas e paramos na Igreja de Santa Cruz - entrei no meio da missa, durante um cântico. Fiquei só dois minutos e corremos pro táxi.

Chegamos à Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), que fica numa área mais nova da cidade, mais sem graça. A organização do congresso foi bem eficiente. Nos credenciamos e fomos pra sala onde eu apresentaria. Estava acontecendo a primeira mesa. Meu trabalho era o quarto da segunda mesa, mas como a terceira pessoa não apareceu, fui a terceira a falar. Foram 12 minutos de explanação. As perguntas foram ao final de todas as apresentações.

Depois da minha apresentação, antes da vez da Lu


Ao final, saímos da sala e fomos almoçar no shopping ao lado da ESEC. Lá tem uma livraria Bertrand, também recomendada pela Isabel, a dona do nosso apê. Acabei comprando um livro que vai me ajudar bastante na dissertação. De lá, fomos almoçar no Pasta e Café. A comida estava ótima! Lu e eu comemos fetuccini acompanhado de peito de frango com bacon e queijo. Leo comeu uma massa com presunto Parma e "cogumelos selvagens", as trufas. Nós gostamos muito. Acho que foi a melhor refeição da viagem. Foi no shopping também que comprei band-aids porque, mais uma vez, lá estava eu cheia de bolhas nos pés, quase morrendo ao caminhar.

Na volta pra ESEC, encontramos a sala onde a Luana faria sua apresentação. Assistimos ao final da primeira mesa da tarde e logo veio o coffee--break. Meodeos, como teve comida boa nos cofffee-breaks desse congresso! Foi difícil parar de comer. E eu só pensava no quanto tudo aquilo ia pesar em mim ao fim dessa viagem

Luana, eu, Kamilla e Nair. Faltou a Juçara
Foto: Leo Homssi
Aí rolaram as apresentações da Kamilla com Nair e Henrique e a da Luana. Tudo muito bom, tudo muito bem. Mas é necessário fazer uma observação: sempre tem um babaca pra questionar alguma coisa de forma bem agressiva. Ok questionar, faz parte do processo. Não rola é agressividade. Dá desespero isso.

Voltamos pra casa e nos arrumamos pra sair de novo. Era dia de visitar o Mondego Irish Pub, às margens do rio Mondego. Leo queria ir lá há tempos, desde que a aprovação no congresso saiu. Porque lá tem vários chopps do jeito que ele gosta. Chegamos quando a banda que ia tocar a partir de meia-noite estava ensaiando. Músicas irlandesas, muito bacana. Leo ficou empolgadão. Comemos, porque estávamos loucos de fome e ficamos esperando o Emanuel chegar.

O Emanuel foi a primeira pessoa que conheci quando mudei pra BH. Eu tinha seis anos, ele tinha cinco. Ele e o irmão, Eduardo, estavam no playground do nosso prédio. Logo, ficamos muito amigos. Meus irmãos, Daniel e Otávio, ficaram especialmente amigos dos dois. Chamávamos os dois de Manel e Duardo. Crescemos juntos, jogando futebol, brincando nas escadarias, andando de bike, jogando videogame. Os dois nasceram no Porto e moraram em BH até 1992. Depois, voltaram pra Portugal. Mantivemos contato até quando eles nos visitaram, em 1995. Depois, não conseguíamos mais ligar pra eles. Retomamos contato com o Facebook - que, afinal de contas, ajuda bem nessas coisas - e, quando saiu a notícia da ida pra Coimbra, tentei vê-los. Eu achava que os dois e a Amélia, mãe deles, ainda moravam no Porto e que seria fácil visitá-los. Mas não: a Amélia mora em Braga, o Emanuel em Peniche e o Eduardo no Algarve. Mas o Emanuel saiu de Peniche depois de um dia de trabalho pra nos encontrar em Coimbra. Encarou algumas horas de estrada só pra isso. É muito amor, né?

Amizade de uma vida. Encontro 20 anos depois.

Lu, Joyce (namorada do Emanuel), Emanuel, eu e Leo, na noite de Coimbra

Foi muito bom reencontrá-lo. Relembramos tanta coisa! Foi bom demais, um momento inesquecível pra mim.

Saímos do Mondego e fomos para a Praça da República. O Emanuel estava com fome, então paramos em uma pizzaria. Foi lá que vimos os atentados de Paris. Todas pessoas que estavam lá estavam com o olhar fixo na televisão. Ainda não tinha informações direito, mas já se sabia que era um atentado e que muitas pessoas tinham morrido. Foi muito triste. Nós três ficamos bastante apreensivos com a nossa volta ao Brasil. Porém, nós cinco decidimos curtir o momento. Afinal, eram 20 anos de ausências!

Dali fomos pro Murphy's, um outro bar irlandês. Teve show de rock, com uma banda muito legal. Conversamos muito. Em uma televisão que não dava para vermos estava passando o jogo Brasil X Argentina pelas eliminatórias da Copa. Emanuel e eu torcíamos pro Brasil, claro. Mas conversamos tanto que nem rolou de ficar levantando pra acompanhar o jogo.

Uma observação: fuma-se muito em Portugal. Em todos os lugares, até mesmo dentro dos restaurantes - coisa que acaba chocando os brasileiros, já que perdemos esse costume há muito tempo. Quando voltamos pra casa, de madrugada, juntei minhas roupas e as do Leo e coloquei num saco de lixo, pra ficarem separadas das outras, de tão fedorentas de cigarro que estavam.

E lá fomos nós dormir, porque o dia seguinte era o último em Coimbra.



_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...