terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Citações 136

De Nova gramática finlandesa:



Quando o capelão subia ao altar, eu me acomodava naquele assento que havia se tornado meu lugar pessoal e era o primeiro a entoar todos os hinos. Declamava ainda sem compreender todas aquelas palavras redondas e carnudas. Mas as pronunciava como segurança, como se fossem minhas. Uma a uma, circunscrevia seu significado, decompunha-o, classificava-o. Aprendi a usá-las fora da igreja, nas minhas sucintas conversas com o pastor. Cantar aquelas palavras era o meu modo de domesticá-las. Eu, que não podia transportá-las até as margens de um significado, tinha de me aproximar delas com cautela, para que não me escapassem, para não confundi-las no fluir ininterrupto do canto. Quando eu não conhecia bem seus contornos fonéticos, Koskela me ajudava a copiá-las, e assim, na página do meu caderno, entre aqueles verbos e aqueles nomes escritos em colunas, fluía a música. Como se as notas tivessem misteriosamente se fundido nas letras. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...