quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Livro: Palavras cruzadas



O livro Palavras cruzadas é o lançamento da escritora (e minha professora) Guiomar de Grammont. Foi escolhido para o Clube de Leitura da Set Palavras, para o mês de novembro. Uma coisa bem bacana é que vamos receber a autora para uma pequena palestra sobre a obra.

Esta é a história da busca de Sofia pelo paradeiro do irmão, Leonardo foi um dos participantes da Guerrilha do Araguaia, e não há notícias dele, muitos anos depois do fim da ditadura. Sofia sente um vazio no peito, uma necessidade que só pode ser preenchida com conhecimento: o que aconteceu com Leonardo? Terá morrido? Terá sobrevivido? Pode ter fugido? Para onde? Viveria sem poder entrar em contato com a família? São muitas perguntas e quase nenhuma resposta. Mas Sofia é uma jornalista que quer procurar. E entre entrevistas e viagens, recebe um relato diferente: o diário de uma guerrilheira do Araguaia, contando o dia a dia dos treinamentos, a dureza da vida, a aspereza do comando, a esperança daquela guerra acabar.

O pai de Sofia já é falecido. Morreu sem saber o destino do filho, sem conseguir se perdoar por ter sido tão duro com ele. A mãe vive até hoje na mesma casa, na esperança que Leonardo volte e chame por ela, do quintal, ou que entre de surpresa pela porta da cozinha e cubra seus olhos com as mãos, para que ela adivinhe sua presença. Na ânsia de descobrir a verdade, Sofia corre atrás de pistas que podem levar ao irmão.

O livro é de uma sensibilidade tremenda! Até a metade, me peguei perguntando como aquela história terminaria, já que a tendência era não haver surpresas. A trama pode não ter sido surpreendente, mas a forma foi. Foram muitas lágrimas durante a segunda metade do livro, partilhando essa sensação de vazio, de história não escrita, de ferida aberta. Muita dor para ser expurgada, posta pra fora, lavada, ressignificada.

Lido em dois dias, sentido por muito tempo.

Da Guiomar, já li Don Juan, Fausto e o Judeu Errante em Kierkegaard


Olha que fofo!
Se ela disse (pela segunda vez) que eu sou escritora, vou começar a acreditar! 


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...