quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Livro: O sol é para todos



Há tempos queria ler esse livro. Porque todo mundo fala nele, porque é da Harper Lee, porque ela era amiga do Truman Capote, porque Sarah Nelson falava muito dele. Quando começou um hype por conta do novo livro da Harper - até este ano, ela era autora apenas de O Sol é para todos - o livro foi relançado e acabei sugerindo para o Clube de Leitura da Set Palavras e o pessoal topou. Até conseguimos uma pessoa para comentar o livro no nosso encontro. Conto como foi depois.

O Sol é para todos é a tradução meio estranha para To kill a mockingbird. Apesar do título em português ter link com a história, o original é muito mais adequado. Mas vamos à trama.

Scout é uma garotinha de sete anos que tem poucas preocupações na vida. Tentar convencer seu pai, o advogado Atticus Finch, de que ela não deveria mais ir à escola é uma delas. Outra é ficar bem perto de Jem, seu irmão mais velho, para aproveitar melhor as aventuras das férias. Ela também quer aproveitar a presença de Dill, que é sobrinho de uma de suas vizinhas e só vai a Maycomb, Alabama, nas férias. Scout, Jem e Dill querem descobrir o que acontece com o vizinho recluso. Boo Radley não sai de casa há anos. Eles querem tirá-lo de lá, mas morrem de medo de passar pelo portão da residência Radley.

Enquanto tentam vários estratagemas para ver Boo Radley, precisam ficar às voltas com Calpúrnia, a empregada da casa, que ajuda Atticus a tomar conta das crianças. Ele é viúvo e deixa os filhos bem soltos, o que gera alguns conflitos com o restante da família. Tia Alexandra, irmã de Atticus, é uma das mais críticas. Ela quer que Scout aprenda a se comportar como uma dama, mas a menina resiste.

Então, Atticus, que é advogado no tribunal da cidade, é designado pelo juiz para defender um negro acusado de estuprar uma branca. No Alabama de 1935, uma denúncia dessas resultava em pena de morte. E a condenação, para os negros, era inevitável, caso houvesse culpa ou não. As crianças passam a ser perseguidas na escola, acusadas de serem filhos de um homem que adora negros. Atticus é bem claro com os filhos e responde com sinceridade a todas as perguntas. E enquanto corre o processo, muitos questionamentos vão surgindo para Jem e Scout.

O livro é muito delicado. Talvez por apresentar o ponto de vista de crianças, tenha sido mais difícil tratar de temas como estupro e racismo de maneira leve. Scout, Jem e Dill conversam sobre aparências, sobre igualdade, amor, justiça, direitos e outros temas densos com uma clareza impressionante! A presença de Atticus, com suas pontuações humanistas, fez toda a diferença. Sarah Nelson tinha razão. Atticus é o cara!

Acabei me identificando muito com a Scout. Porque ela não gostava de ser uma dama, como sua tia Alexandra queria que ela fosse. Porque ela queria entender o mundo dos adultos e não conseguia. Porque era uma criança sem frescuras. Deu até vontade de escrever as minhas histórias de criança no play do Verona, vivendo aventuras ao lado dos meninos. Saudade daquele tempo em que havia mais sonhos. Mas só dessa parte, porque também havia muitos pesadelos.

Livro pra vida, com certeza.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...