quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Livro: A elegância do ouriço



Nas primeiras linhas, o livro me ganhou. Achei que era pegadinha e li até a página 50 (aproximadamente), segurando as pálpebras, em luta conta o sono que me é peculiar. Não queria largar, mas tem uma pilha enorme de coisas pra ler pro mestrado (e dois seminários, um projeto e quatro artigos pra finalizar). Se o tempo fosse farto, demoraria poucos dias para terminar de ler. Mas não, foi preciso mais de um mês, em doses homeopáticas, pra descansar da leitura de transmídia e de metodologia.

O título de A elegância do ouriço me deixou curiosa desde a primeira vez que ouvi. Depois li algumas críticas elogiosas, mas não me aprofundei, porque o coloquei naquela lista eterna de livros a serem lidos um dia. Mas como o destino é uma caixinha de surpresas (CLIMBER, Joseph), veio o Clube de Leitura e o livro foi a escolha da vez. Fiquei feliz.

Há duas protagonistas: Renée Michel, a solitária concierge de um rico edifício em Paris, viúva e muito inteligente, escondendo todo seu conhecimento dos patrões; e Paloma, Josse uma garota superdotada de doze anos e meio, moradora do prédio onde Renée trabalha, já desgostosa da vida e procurando um sentido para tudo. Renée se esconde, Paloma se esconde. Bem blasé, Renée observa a vida dos patrões, seus dilemas e características, enquanto toma chá com a amiga portuguesa Manuela. Já Paloma tenta fugir dos pais, ele político, ela depressiva, e da irmã fútil. Renée e Paloma se encontram, mas antes também encontram Kakuro, um personagem envolto em um pouco de mistério e muita delicadeza.

Ainda tem mil referências a Ana Karenina, ao cinema japonês, à pintura holandesa e até ao pintor inglês Francis Bacon. E tem delicadeza, camélias, sorrisos, lágrimas, muita chuva.

A autora, Muriel Barbery, é incrível. Texto denso e suave, ao mesmo tempo. É sarcástico e intrigante. A troca das narradoras faz surgir aquela vontade de continuar lendo, mas não como é nos livros pega-bobo-da-estrela, em que o autor termina o capítulo com um gancho de microssuspense para o próximo.

A trama dá muitos elementos para se pensar, um tanto filosoficamente, sobre a vida, a arte, a sociedade e o traquejo social, a individualidade - não no sentido do egoísmo, mas da persona -, o sentido de tudo isso e de mais ainda.

E que final arrebatador! Chorei, como há muito não chorava com um livro. Uma das melhores leituras (de um ano com pouca literatura, mas também seria se eu tivesse lido mais).

P.S.: pensando em um destino pro volume...
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...