quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Livro: Don Juan, Fausto e o Judeu Errante em Kierkegaard



Trabalhei com esse livro, no último semestre, na disciplina de Estética, sobre Kierkegaard, na Filosofia. O livro foi escrito pela Guiomar de Grammont, que foi a professora da matéiria. O objetivo era estudar os estádios estéticos descritos por Kierkegaard, especialmente nos textos assinados por pseudônimos. Além do livro, lemos Diário do Sedutor e Temor e Tremor. O filósofo não tratava os estádios como estágios, ou como uma sequência. Por isso usa "estádio", porque é possível ficar em apenas um deles, ou passar de um para outro, sem que haja uma evolução, como a palavra "estágio" sugere. Ele aponta três estádios: o estético, o ético e o religioso.

As três principais figuras que vimos durante o semestre foram Don Juan (estádio estético do Sedutor, da sensualidade), Fausto (estádio estético da Dúvida) e o Judeu Errante (estádio estético do desespero). Falamos mais rapidamente de Sócrates, o personagem do estádio do Herói Trágico, e de Abraão, o estádio do Cavaleiro da Fé. Abraão é, ao mesmo tempo, estético e religioso, porque ele realiza o salto de fé no infinito.

No livro, os personagens são descritos de uma maneira bem agradável e interessante. O texto facilita da leitura dos textos-base de Kierkegaard, que são bem tranquilos de se ler. Porém, os comentários da Guiomar foram ótimos, até pra entendermos como Kierkegaard lidava com seus pseudônimos. O objetivo era mais o da ironia socrática do que o de criar um personagem para defender seu próprio ponto de vista. Fica mais fácil entender Kierkegaard quando se sabe que a maiêutica é a técnica que ele utiliza.

Guiomar  mostra as estratégias de Kierkegaard para que seu leitor se identifique com o personagem analisado. Assim, ele consegue expor as contradições e os problemas de cada estádio estético. O livro é fruto de sua dissertação de mestrado.

As discussões na aula, focadas nos livros, eram recheadas de poesia! Foram aulas muito bacanas. Bem no final do período, vimos o filme A festa de Babette. A história se passa na Jutlândia, onde Kierkegaard nasceu, na Dinamarca. O filme tem os elementos da discussão estética de Kierkegaard e, de quebra, é maravilhoso! O último capítulo do livro da Guiomar é um ensaio sobre a obra. A discussão do filme foi tão bacana que, no dia da prova da disciplina, combinamos de fazer a nossa "Festa de Babette", pra comemorar o período, o fim do período, Kierkegaard e a vida.


Nossa Festa de Babette

Sem contar que a prova foi uma das mais legais que já fiz. A proposta era dissertar livremente sobre uma das figuras estéticas de Kierkegaard. Escolhi falar sobre duas, com o livro Dois irmãos, do Milton Hatoum, como exemplo. Achei que o texto ficou bacana. Pena que foi a única prova que fiz na vida sem rascunho...

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...