domingo, 23 de agosto de 2015

Depois de um longo inferno astral

Diz aquele ditado que, depois da tempestade, sempre vem a bonança. Ou que nasce um arcoíris depois da chuva, se tiver sol.

Foi em 23 de agosto de 2014 que teve início uma fase bem barra pesada na minha vida. Foi nesse dia que Tia Ylza caiu na rua e, três horas depois, faleceu. Um ano hoje. Foi há um ano que tudo mudou.

Brinco sempre com o dia 23 de agosto, porque é quando falta um mês pro meu aniversário. Dizem que é aí que seu inferno astral começa. Hoje, um ano depois do início marcante do meu último inferno astral, posso supor que ele durou praticamente um ano.

Ainda é complicado enfrentar a morte da Tia Ylza, depois a da Vovó, a do Roberto e, agora, a do Tio Jésus. Foram quatro porradas seguidas, todas pesadas - cada uma a seu modo.

No fim de 2014 fiz um post-balanço falando sobre o que eu aprendi, em especial depois da morte da Tia Ylza. Falei muito em aprendizado - e é verdade, aprendi pra caramba em 2014. E achei, ingênua, que levaria 2015 na boa porque o que tinha de ruim tinha ficado em 2014. Claro que a vida não é assim. Porém, é fato que o ano veio mais leve. Mesmo com as duas mortes que me desestruturaram.

No início de 2014, quando estava reformulando meus planos, escrevi no Twitter que tinha um medo: não conseguir me reinventar. E esse medo, que naquela época era apenas profissional, depois da primeira morte virou pessoal. Durante vários dias, pela manhã, eu repetia, quase como um mantra, que era só um dia a mais para me reerquer da dor. E todas as vezes em que nova maré de dor veio, me agarrei a essa reinvenção, pra não me deixar afogar.

O interessante é que, no resumo desse ano, "morte" é mesmo a palavra da vez. Mas isso apenas quando se tem uma visão bastante geral. Vendo com uma lente de aumento, outras coisas aparecem. Foi um ano de muitas vitórias pessoais. Muitas mesmo. Daquelas pequenas superações do luto ao fim de um tratamento médico um tanto longo. De pequenos passos de organização pessoal até a aprovação no mestrado. De conseguir, ao mesmo tempo, trabalhar, fazer graduação e mestrado (e sobreviver a essa loucura toda!). De começar uma coisa morrendo de medo de falhar e ter uma vitória internacional (um dia eu conto...).

Saí da sensação de abandono depois das mortes para encontros mais que ternos. Espalhados aqui e ali, grudados nos momentos ruins, pra me fazerem continuar acreditando, pollyannamente, que tudo tem um lado bom.

Por isso, estou decretando que, hoje 23 de agosto de 2015, a zica passou. E ponto final.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...