quarta-feira, 22 de julho de 2015

Livro: Objetos cortantes




Desde que li Garota exemplar,  de Gillian Flynn, fiquei com vontade de ler Objetos cortantes, o primeiro livro dela. Mas vieram vários percalços, com as mortes na família, e também a seleção do mestrado, o início das aulas e a infinidade de textos pra ler pra cada aula, pros seminários e pros artigos. Mas aí a Ana Paula comprou o livro, leu e queria alguém pra comentar. Foi assim que o livro dela veio parar comigo. E foi assim também que burlei aquela regra não escrita de que mestrando não lê nada além do que vem do mestrado.

Li Objetos cortantes em dois dias. A história me prendeu e me deixou assustadíssima. Quando terminei a leitura, fiquei muito abalada. Talvez porque a história seja mesmo muito crua, muito cruel. O livro mexeu demais comigo.

É a história da jornalista Camille Preaker, que trabalha num pequeno jornal de Chicago. Seu editor, que é duro, mas bastante carinhoso com ela. Ele insiste que ela volte a sua cidade natal para cobrir o desaparecimento de uma garotinha. Há alguns meses, outra garotinha da cidade também desapareceu e foi encontrada morta. O editor vê que ali pode estar uma história que daria um prêmio para o jornal. Camille vai, contrariada. Ela não tem uma boa relação com a mãe. Há alguns anos, sua irmã do meio morreu, e a mãe entrou em um processo denso de luto. Camille saiu da cidade e não chegou a conhecer Amma, a irmã caçula. Surgir do nada na casa da mãe, retomar o contato com o padrasto, finalmente conhecer a irmã mais nova e se ver de novo no centro de uma cidade provinciana fazem a jornalista sofrer.

Além disso, ela é uma das primeiras pessoas a encontrar o corpo da garotinha desaparecida, e mergulha de cabeça na investigação do crime. Um policial de outra cidade é chamado para acompanhar o caso e Camille desenvolve com ele uma relação um tanto estranha. Além disso, tem o principal suspeito, o irmão mais velho de uma das garotas mortas, que também terá um papel importante na história de Camille.

A história é bastante perturbadora. Desde os assassinatos, passando pela relação familiar de Camille, por sua história com o policial e com o suspeito, com suas amigas de infância, com seu padrasto. Também por sua história com seu próprio corpo. Camille se corta, sempre que passa por alguma situação de opressão, de desespero. Mas o mais perturbador, mesmo é o desfecho. São poucas páginas, que invertem a história e jogam na cara do leitor uma realidade bem feia.

Sim, é um bom livro. Sim, vale a leitura.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...