quarta-feira, 17 de junho de 2015

Livro: O poder do hábito



Ao contrário do que o título indica, O poder do hábito não tem nada de auto-ajuda, nem de dicas para se mudar de vida ou coisas do tipo. É um livro-reportagem. Foi escrito por um jornalista e traz muitas informações de pesquisas em neurociências que podem, sim, ajudar algumas pessoas a mudaram de hábitos. Mas o objetivo não é esse.

O autor, Charle Duhigg, investiga como um hábito é criado e como os hábitos, sejam bons ou ruins, interferem em nossa relação com o mundo. Há muitos casos e personagens que foram e estão sendo estudados. Como o da americana que radicalizou em uma mudança de vida e, em um ano, tinha parado de fumar, emagrecido, conseguindo um emprego novo com um salário melhor e participado de uma corrida no deserto. O caso dela é extremo, e por isso é estudado. Também tem a história muito curiosa pro pessoal que estuda Marketing e Propaganda sobre um produto de limpeza que elimina cheiros e que, para ter sucesso no mercado, levou a equipe de trabalho a estudar os hábitos para descobrir onde estava o erro na estratégia de posicionamento.

Tem um caso sobre a Starbucks e outro sobre uma jogadora compulsiva, além de uma pessoa que teve uma doença grave, que levou a uma lesão cerebral e não sabia descrever como chegar à cozinha de casa, mas sabia se virar quando estava com fome. Todos os casos trazem explicações de pesquisas, o que faz com que tudo fique mais interessante.

Facilita, também, a linguagem e a escrita do autor. Por mais que ele tenha aquele "quê" de autor americano (não sei o resto do mundo, mas eu reconheço um autor americano lendo poucas páginas), a escrita não é arrastada ou enrolada. E, mais uma vez, não tem nada de auto-ajuda. Nem a parte "Um guia para o leitor de como usar estas ideias" pode ser considerado de auto-ajuda.

Comprei o livro em Curitiba, porque já tinha terminado de ler Nova gramática finlandesa e precisava de outro volume pra dar conta do meu medo de avião. Li mais da metade entre o pós-café da manhã do último dia lá e a chegada em Ouro Preto. O resto fluiu um pouco mais devagar, por conta de tempo mesmo, e continuou uma leitura super agradável. As mais de 400 páginas pesam na mão, mas o livro é muito leve, muito bom de ler. E, de quebra, a gente aprende um bocado. Como eu gosto pacas de aprender, fiquei com muita vontade de ler mais sobre neurociência. Quem sabe, né?

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...