sexta-feira, 15 de maio de 2015

O caso da mala voadora

Já contei que fiquei super ansiosa pro reencontro com os colegas do Colégio, certo? Pois então... lá estava eu, com frio na barriga, indo pra BH pra encontrar com eles.

Como sempre faço, juntei minhas coisas numa mochila e fui pra rodoviária pegar o ônibus pra capitarrr. Sempre levo um livro em viagens. Dessa vez era Dialética do esclarecimento, de Adorno e Horkheimer - esse livro me persegue. Era leitura pra uma das aulas do mestrado. Sentei, aguardando o ônibus chegar, e comecei a ler. Esse tipo de leitura exige um pouco mais de concentração. Não é o tipo de coisa que gosto de ler em viagens, mas era tão necessário adiantar as leituras da semana seguinte que não teve jeito.

Eu tentava ler e não conseguia. Isso porque, nos bancos à minha frente, havia um casal de meia idade conversando bem alto. A mulher tinha um sotaque gostoso do nordeste. O moço era espanhol. E eles falavam da visita a Ouro Preto, que iriam pro aeroporto direto, que tinham comprado tal e tal artesanato, panela de pedra, um divino e outras coisas. E eu lá, tentando estudar.

Na hora de entrar no ônibus, fui atrás do casal e esperei o senhor colocar a mala no bagageiro superior. Achei que eles se sentariam nas poltronas ao lado da minha, pela posição em que a mala ficou no bagageiro. Mas não, o casal veio na minha frente. Conversando alto enquanto eu tentava me concentrar no texto da Indústria Cultural.

Até que... na primeira curva mais fechada da estrada... ploft! Alguma coisa grande e pesada atingiu a minha cabeça. Bateu na minha têmpora esquerda e no meu peito. Acho que demorei uns dois minutos pra entender o que tinha acontecido: a mala do casal falante voou do bagageiro direto pra minha cabeça, me atingindo em cheio.

A dona da mala veio buscar aquele "trem" voador e perguntar se estava tudo bem. Falei que sim, pra ela não se preocupar. Mas a dor não parava. A têmpora latejava forte. E ainda tínhamos mais uma hora e meia de viagem, se tudo corresse bem. Avisei o Leo do acontecido, pra ele não assustar quando me visse.

Enquanto me recuperava, sem saber se conseguiria voltar pro Adorno/Horkheimer, lembrei da conversa do casal ainda na rodoviária de Ouro Preto: dentro da mala ia uma panela de pedra, artesanato típico da cidade e que sabe ser bem pesadinho. Ou seja...

Cheguei à casa dos pais do Leo e fui logo colocar gelo no rosto. Foi bom, melhorou a dor e o inchaço. Sobraram dois hematomas leves na têmpora e um daqueles que fica verde e depois roxo no peito. O hematoma no peito dava pra esconder. Os do rosto não. O pai do Leo recomendou passar bastante protetor solar, pra não ficar manchado (lição de quem assiste Bem Estar: a pelo que sangrou e pegou sol fica marrom por um bom tempo). Tentei tampar com maquiagem pra não ir muito horrível pro reencontro da turma, mas não teve muito jeito.

Acabou que foi engraçado: enfrentei muitos perigos para reencontrar os colegas: só não consegui me desviar de uma mala voadora com uma panela de pedra dentro!


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...