quarta-feira, 6 de maio de 2015

Livro: Dias perfeitos


Segundo livro do Raphael Montes, Dias perfeitos é um livro claustrofóbico, desses que dá agonia, dá vontade de abrir as portas, as janelas e procurar ar.

É a história do relacionamento entre o estudante de medicina Teo e a estudante de história da arte Clarice. Teo é aquele cara fechadão, na dele, sem amigos - sua única amiga é Gertrudes, o cadáver das aulas de anatomia. Imagina o tanto que o cara é esquisitão... ele mora com a mãe, Patrícia, que é paraplégica e bastante independente. Também com eles vive Sansão, um cachorro enorme. E, por insistência de Patrícia, ele vai a um churrasco, bastante contrariado. Lá, num canto observado as pessoas, Clarice puxa conversa com ele. Após poucos minutos de conversa, Teo decide - a palavra é essa - que está apaixonado por Clarice e que deve mostrar a ela que é o par ideal.

Imagine: ele arma para conseguir o celular da menina, liga para ela fingindo ser pesquisador do IBGE para pegar informações e passa o dia seguindo a guria por toda a cidade. Até, no dia seguinte, bater na casa dela com um presente nas mãos: um livro de Clarice Lispector, em capa dura. Quando Clarice recusa seu "amor", Teo parte pra agressão e sequestra a garota. A partir daí começa uma relação absurda, com um nível de abuso de espantar. Até então, Teo era uma pessoa bizarra. A partir daí, passa a ser um abusador FDP.

Enquanto Clarice é sedada e machucada, Teo a leva para um hotel, para tentar convencê-la de que ele a ama e de que ela também vai amá-lo assim que o conhecer melhor.

Cara, essa história dói muito. É impossível deixar de pensar nas pessoas que passam por relacionamentos abusivos de todos os tipos. E não são só relacionamentos amorosos, há abuso em todos os níveis de relacionamento (ei, eu já passei por isso, sei como dói, sei como pesa). Mesmo que o livro dê esse enfoque "amoroso", as situações vividas por Teo e Clarice podem se encaixar em todos os outros níveis.

Foi impossível não lembrar do vídeo da Jout Jout, Não tira o batom vermelho. Porque, né... temos que nos proteger dessas coisas.





Mesmo angustiante, sufocante, maluco, com um final que balança as certezas, é um livro muito bacana. Li super rápido, de tão envolvida com a história. Sofri, chorei e deixei de lado, mas a história ficou pesando pra mim durante dias e dias... Sinal de que me tirou do lugar de conforto, e é isso que eu gosto ao ler um livro.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...