sexta-feira, 8 de maio de 2015

Haja coração: 23 anos depois

Para ler ouvindo: Losing my religion (R.E.M.)




Em dois períodos da minha vida, estudei em escola particular. Uma delas foi durante a faculdade de Jornalismo. A outra foi da 4ª à 8ª séries. Durante a 5ª, morei em São Luis (já falei aqui, aqui, aqui e aqui). Na 4ª, 6ª, 7ª e 8ª, estudei na escola particular do bairro, que então se chamava Arnaldinum São José. Fui pra lá não porque a escola pública em que eu estudava era ruim. Era uma ótima escola, com professoras muito dedicadas, bom espaço, da qual tenho ótimas lembranças. Saí de lá porque havia muita greve. Ainda hoje há, claro. Se não fossem as greves, teria continuado lá ao menos até a 4ª série, com certeza.

Ainda lembro do frio na barriga às vésperas do primeiro dia de aula na escola nova. #soudessas que sente frio na barriga antes de primeiro dia de aula até hoje... Como era um colégio de bairro, a maioria dos meus amigos do prédio estudava lá. Havia só duas salas para cada série. A Laura e o Daniel já eram alunos, apenas eu continuava na escola pública. Otávio ainda nem pensava em ir pra escola... Além dos vizinhos, tinha a Érika, que era coleguinha da escola pública e tinha ido pra particular no ano anterior, também por conta das greves. Minha ansiedade era pra encontrar com ela, que era a única pessoa da minha série que eu já conhecia. Dei sorte: fomos da mesma sala. E eu ainda conheci um monte de gente bacana: Gabriela, Luciano, Carla, Cristiane, Marco Aurélio, Cristiano, Henrique e mais outros que a memória não me deixa lembrar. Foi o Luciano quem começou a me chamar de Alile, que depois virou Lile e é o apelido que eu mais gosto nessa vida.

Dois anos depois, lá estava eu sentido o mesmo frio na barriga de sempre. Dessa vez, porque voltava pra mesma escola, após um ano morando em outra cidade. Queria os mesmos amigos, na mesma sala, do mesmo jeito de antes. Mas algumas coisas haviam mudado. Ainda havia duas salas para cada série, até a 7ª, mas elas tinham se misturado. E havia muita gente nova também. Foi quando eu conheci o Jorginho, que veio a ser o meu melhor amigo daqueles anos. Tinha também a Érika - continuamos na mesma sala, ufa!, o Luciano, o Cristiano. E vieram a Carol, a Juliana, o Wither, o Ézio, o Luiz Alberto, o Pezão, as Lucianas, a Luciane, a Viviane, o José Alberto, o Rodrigo, o Marco Antônio. E, mais uma vez, outros que a memória não guardou.

Com a situação ~estranha~ da minha família, era meio natural que eu amasse a escola. Queria, muito, que ela fosse integral, para que eu passasse o dia por lá. Sempre gostei de estudar. E ainda tinha as quadras em que a gente jogava vôlei e handball e os meninos jogavam futebol - eu só jogava futebol com os meninos do prédio. E o jambeiro, que servia pra gente subir naqueles galhos nem tão altos, pra jogar conversa fora e ainda comer os frutos, na época certa. Tudo era pretexto pra voltar pro colégio à tarde (nem que fosse pra buscar os meus irmãos, que estudavam à tarde), pra "treinar" vôlei, pra ver os garotos jogando futebol.

Na 8ª série, as duas turmas se juntaram em uma só. Foi quando conheci melhor algumas pessoas da outra turma: Flávia, Alysson (que era meu vizinho lá no prédio - ele se mudou pra lá enquanto eu morava em São Luis), Jaka, Rodrigo Soneca, Thiago, além dos colegas novatos, como o Marcel, a Graziela, a Eliane Paulista e... gente, que memória ruim eu tenho, pqp!!! A sala era enorme. Acho que éramos em 50 alunos. Claro que tinha muita bagunça com essa turma enorme. Uma das que mais me lembro era que alguém pegava a mochila de um dos alunos que se sentava lá na frente e ia passando pro aluno que ficava atrás, na fila de carteiras, até a mochila ir parar lá no fundão. E o incauto aluno demorava um tempão pra perceber que tinha "perdido" a mochila pro pessoal do fundão, que, a essa altura, estava morrendo de rir. Como a sala era muito grande, rolava um rodízio: a cada semana, passávamos para uma carteira atrás da utilizada na semana anterior. Assim, nunca tinha uma "turma do fundão fixa".

O colégio era como uma grande família pra mim. Uma família que eu optei por ter, o que fazia toda a diferença. Todos os professores nos conheciam pelo nome, sabiam de nossas histórias de vida. Conhecíamos a família dos colegas - pais, irmãos, amigos, vizinhos. A mãe do Jorge, por exemplo, é uma pessoa que eu admiro muito, tenho um amor enorme por ela, mesmo que a gente não se encontre mais com frequência. Lembro com carinho de alguns professores: Maria Luiza (História), Sampaio, Gaudêncio e Kleber (Matemática), Nívea e Gisele (Português), Rita (Inglês), Eldo (Ciências), Márcia (Educação Física), Marilda (Geografia). A Marilda era a professora mais séria que já tive. Morria de medo dela!

Passou a 8ª série e eu mudei de escola. Voltei pra escola pública, onde conheci a Vanessa, uma das pessoas que mais amo nesse mundo. Era uma escola longe de casa, que tinha alunos de todos os cantos da cidade, e onde aprendi muito sobre diversidade, estilos de vida, lutas pessoais... Foi um aprendizado enorme. Mesmo assim, o Arnaldinum sempre foi uma referência pra mim. Quase como um casulo seguro, como aquele clichê saudosista do "eu era feliz e não sabia". Verdade que eu era feliz lá. Verdade também que eu sabia muito bem disso. Voltei ao colégio bem pouco, só pra buscar meu irmão caçula enquanto ele ainda estudava à tarde. Depois, passou a ser o lugar onde eu votava, enquanto mantive o título em BH. E voltar lá pra votar era encher meu coração de saudade. A escola mudou de nome - agora é Arnaldo Unidade Anchieta, o que me deixa desolada.

Daí que o Facebook me proporciona encontrar virtualmente como alguns dos amigos do colégio. E, no início de 2015, eles resolvem organizar um encontro. Para quem ficou estudando lá, seria um encontro 20 anos depois do término do 3º ano do 2º grau. Pra mim, seria #23anosdepois. Haja coração! Lá estava eu, de novo, com aquele frio na barriga dos primeiros dias de aula, dessa vez pra reencontrar os amigos de muito tempo atrás. Será que continuava todo mundo igual? Será que tínhamos mudado muito? Será que nos reconheceríamos como a família de antes?

Do encontro, quando ainda estávamos sérios


Fui a segunda a chegar (#ansiedade) e o Luciano já estava lá, acho que mais ansioso do que eu. Vieram os outros: Flávia, Juliana, Emanuele. Depois a Érika, a Carol, o Ézio, a Aline, a Grazi, o Cristiano, o Wither, o Rodrigo Soneca, a Bruna. E dois que entram na turma depois que eu saí: o Marcelo e a Carol. Foi um festival de abraços e de histórias de então, muitas risadas, muita alegria. Já estávamos alegres em nos rever. Foi quando o garçon do restaurante nos pedir pra tirarmos uma foto, para o site deles. Leo, que estava comigo, também tirou esta aí de cima. Nós parecidíssimos com um povo alegre, mas sério. Depois das fotos, ninguém mais se sentou à mesa. E foi aí que o negócio pegou fogo. Mais abraços, mais histórias, mais risadas, gargalhadas. O Cristiano querendo fazer mil perguntas porque, segundo ele, somos icebergs: só 10% à mostra; e ele queria conhecer os outros 90%.

Ao contrário de quando encontramos colegas de faculdade, não houve perguntas sobre o que cada um estava fazendo, se estava empregado na área ou não. Nada que constrangesse as pessoas. Só harmonia, só respeito. Foi lindo! E foi tão divertido que até o Leo, que deveria boiar por lá, se integrou com a galera e saiu dizendo que fazia tempo que não ria tanto.

Agora, é preciso que marquemos novos encontros, porque ainda temos muito pra conversar, pra lembrar, pra rir, pra abraçar, pra refazer esses laços, que deveriam durar pra sempre!

P.S.: Losing my religion é uma das músicas que mais me lembra o colégio, porque foi tema de uma das aulas de inglês e cantávamos praticamente o tempo todo. Também tem Winds of change, do Scorpions, nessa categoria que eu chamo de "músicas da 8ª série".

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...