sexta-feira, 29 de maio de 2015

As vitrines

Flanar pelas ruas de uma cidade - nem tão grande, nem tão pequena - é se deparar com um mar de espelhos: um grande número de superfícies que refletem a rua, as esquinas, o trânsito de carros e de pedestres. É como duplicar, triplicar, quadruplicar a visão da cidade. Ampliar o ambiente e, ao mesmo tempo, diminui-lo, já que mais edifícios, muros e grades pulam no caminho da visão.

Um loja expõe na vitrine caixas, livros, papéis, canetas. Mesclados a esses objetos, como que estampados no vidro, estão pontos da cidade - uma janela, a torre de um edifício, o telhado de uma casa.

Uma pessoa sentada à porta de um prédio toca violão. Sozinho. Talvez seja uma ode à solidão, numa cidade cheia de gente, cheia de barulho, vazia de calor humano.

Seria ele capaz de ver da cidade?

Ou seriam as vitrines, espelhando seu redor, quem melhor vê a cidade passar?

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...