quarta-feira, 15 de abril de 2015

Livro: Serena



Este livro foi escolhido pelo Clube de Leitura da Set Palavras por motivos de: é do Ian McEwan. Lemos Reparação, um livro lindo. Daí, resolvemos investir no autor. Havia outras alternativas, sim. Achei que o Ian seria o melhor dentre os outros. Até agora acho que foi - sim, estava com preguiça dos outros livros. Mas, não, não acho que este livro foi bom como Reparação, apesar de ter me deixado dias pensando sobre ele, até entender a proposta.

A história é narrada por Serena Frome, já mais velha, falando sobre sua vida quando era uma jovem estudante que conseguiu seu primeiro trabalho no MI5, o serviço secreto britânico. Ela gostaria de ter estudado Letras, mas foi convencida pela mãe a estudar Matemática. Na faculdade, conhece Tony Canning, professor de cursos se sociologia, já com quase 60 anos, e inicia com ele um relacionamento amoroso. Canning era do Serviço Secreto e resolve iniciar Serena em leituras e contextos, para que ela também possa trabalhar por lá.  Entre seu fim de caso com Canning, a entrada no serviço secreto, o relacionamento estranho com Max e sua entrada no "Tentação", um projeto secreto de patrocínio de escritores, Serena vai tentando se encaixar no mundo, Ela acaba se apaixonando por um dos autores, Tom Haley. Dividida entre contar ou não a ele sobre sua condição de agente secreta, ela também tem que se haver com os mistérios envolvendo Canning no Serviço Secreto e com o olhar de Max, sempre por perto.

Senti falta de uma prosa gostosa, como em Reparação. Também senti falta do contexto histórico. Achei muito chato, mas muito chato mesmo, ler a narração de Serena. Enquanto tem o IRA agindo (o livro se passa no início da década de 1970), Serena é só uma protagonista boba, fútil e sem noção. Dá pra ter muita raiva da Serena, de sua burrice e futilidade. Ok, entendo que a intenção é exatamente essa - e essa intenção a gente só descobre no capítulo final. E acho que é uma possibilidade, com esse final, que o propósito do texto seja exatamente fazer a coisa se arrastar e se perder. Se for, mérito do Ian, claro. Acho o autor muito bom, e parece que Serena foge do que eu estou acostumada com ele. Na contracapa do livro, por exemplo, não há elogios ao livro, apenas ao autor. Isso não seria normal se o livro não fosse mediano. Ou não? Sei lá... fiquei realmente confusa com tudo.

A impressão que tenho é que o autor se perdeu, quando tinha uma boa história na mão. No fundo, queria bater um papo com ele, pra entender direito as suas intenções.

Fiquei com preguiça do texto... Espero que os outros livros deles sejam tão bons como Reparação.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...