quarta-feira, 22 de abril de 2015

Livro: Nova gramática finlandesa



Quem me mandou esse livro foi o João, meu primo. Quando publiquei uma foto de Anjos do Universo, livro lindo, que amei, ele falou sobre Nova gramática finlandesa. Pouco depois, enviou o exemplar pra mim. É um fofo mesmo!

Levei comigo pra Curitiba, porque a viagem seria bem curta e um livro mais fino seria ideal. Comecei a ler no ônibus, saindo de Ouro Preto. Terminei dois dias depois. Acabei arrebatada pela história, que é muito triste, mas espetacular.

Quem narra é o médico finlandês Petri Friari. Durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto servia à marinha alemã como médico de bordo, a equipe do navio recolhe na praia, em Trieste, um homem ferido. Ele levou uma pancada séria na nuca e perdeu a capacidade de se comunicar. É como se toda a sua capacidade de reconhecer linguagens tivesse desaparecido com a pancada. Friari reconhece, bordado na japona do homem, um nome finlandês e acredita estar com um conterrâneo. Assim, o homem, Sampo Karjalainen, passa a ser um pupilo do médico, que se dedica a reensinar a ele o finlandês, uma línguas bastante difícil. E Sampo vai aprender do zero a gerar sons e a significá-los.

É Friari quem consegue para Sampo um salvoconduto que o levará a Helsinque. Sem memória, ele terá que procurar sua família e suas origens enquanto aprende finlandês. Sampo está em busca da sua identidade. Para ele, não há futuro sem se conhecer o passado. O autor do livro, Diego Marani, parte da proposta de que a língua faz parte da nossas identidade. E, sem reconhecer qualquer língua, Sampo terá que forjar uma identidade, assim como o povo finlandês forjou sua história por meio de uma mitologia muito rica, a Kalevala. 

A mãe do Dr. Friari costumava dizer que "nossa terra é como o morango, a terra dos outros é como o mirtilo": nossa terra é doce, a dos outros é áspera. Aproveito aqui para falar sobre a capa do livro, Inicialmente, achei bem triste, com o fundo acinzentado. À medida que lia, a capa foi fazendo sentindo e se tornando maravilhosa. É um morango criado com várias impressões digitais. Quem fez foi a Tereza Bettinardi e é super de acordo com a história.

Livro lindo!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...