segunda-feira, 23 de março de 2015

Caminho Jedi

Quando comecei a programar meu TCC, há muitos anos, eu queria fugir da prática de jornalismo. Meu objetivo era investir em algo da área de Sociologia ou História. Por isso, o tema do meu grupo TCC não era beeeem o que a faculdade queria. Mas era o que o grupo queria e peitamos o olho ruim de algumas pessoas com relação ao tema: as reações ao adultério feminino na literatura, no direito e na sociologia. Depois acabamos incluindo a imprensa. O projeto foi aprovado, o TCC também e todo mundo ficou feliz. Em seguida, fiquei sabendo que o supervisor do nosso trabalho o utilizava como exemplo de um bom trabalho que abarcava a sociedade e a mídia.

Na época, a nossa orientadora me incentivou muito a seguir a carreira acadêmica. Era o que eu queria: continuar a estudar, fazer um mestrado, projetos de pesquisa, depois um doutorado, das aulas. Mas... eu não tinha como me manter na época e acabei indo pro mercado de trabalho. Passou-se um ano e a orientadora me chamou de novo pro mestrado, com a possibilidade de bolsa. Que, na época era menos de um terço do meu salário. Optei pelo mercado, porque eu precisava da grana. E porque acreditava que um dia eu conseguiria fazer um mestrado, com dedicação exclusiva ou não.

O tempo passou, mudei de empregos, de cidade, de vida. Mas a vontade de estudar sempre esteve por aqui. Comecei a fazer isoladas no mestrado em Filosofia e vi que não entendia muito, daí passei para a graduação. Lembro muito que a Bel me deu muito apoio, mas sempre dizendo que eu deveria partir pro mestrado e deixar a graduação de lado. O conselho da Bel ficou aqui, mas não havia possibilidades de mestrado em Comunicação aqui perto - e eu tinha Vovó e Tia Ylza para cuidar.

Eis que abre-se um mestrado em Comunicação na cidade aqui do lado. Fui tentar, porque era o que eu queria, porque muitas pessoas me incentivaram, porque a vida está com menos amarras agora (agradecimentos especiais ao ano de 2014, que foi péssimo, mas decisivo para que muitas mudanças positivas acontecessem). Foram alguns meses de tensão: desde que foi anunciado o mestrado eu comecei a estudar e tinha três projetos engatilhados. Quando saiu o edital, escolhi o mais adequado dos três e terminei a primeira versão exatamente no mesmo dia que o edital foi publicado. Daí vieram muitas revisões, até a versão final. E muitos dias de estudo pesado, muita leitura, muita escrita, muita conexão entre temas. Também teve muita tensão, muito medo, muita expectativa. Ao todo foram cinco etapas e, como era de se esperar, me saí melhor na prova teórica escrita. Minha pior nota foi no projeto. As quatro notas (a primeira fase foi só homologação de documentos) foram suficientes e eu passei, em quarto lugar. Eram 20 vagas, passaram 12 pessoas.

Agora a coisa começa a complicar. Estudar pra um mestrado exige mais dedicação. E eu vou me dedicar pra caramba, porque esse é só o começo de um projeto de vida que foi traçado há anos, mas que só agora estou podendo colocar em prática.

Então, antes de começar, quero agradecer a todos que participaram disso. A começar pela Luciana, minha orientadora do TCC em jornalismo. E ao Paulo, que sempre foi um grande incentivador, desde quando ele estava terminando o doutorado e eu, começando o TCC. Ao Otávio, que me deu dicas valiosas (e é em quem eu me espelho). Ao Leo, apoio fundamental e compreensão pros dias em que eu só estudo e ele faz todo o resto. À Ana Paula, que deu contribuições fundamentais ao projeto; pelos planos que fizemos, pelas conversas enormes, entre cervejas e águas, pela torcida constante. Margá, Dri, Dreisse e Stênio, que estavam o tempo todo lá, me dando forças pra seguir. Bel, pelos conselhos :-)

Sei que estou esquecendo pessoas, mas essas são as que estiveram mais por dentro do processo todo. E não poderia esquecer da Vovó e da Tia Ylza, que não estão mais aqui, mas que estavam o tempo todo me indicando que eu deveria tomar esse caminho. Tia Ylza, em especial, pelas conversas ao longo de 2014, que me levaram a tomar muitas decisões.

Se tudo der certo, daqui a dois anos eu viro Jedi!  :-)


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...