quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Livro: Clube da Luta



Comprei Clube da Luta em outubro de 2014, mas nem tirei do plástico. Fazia tempo que queria ter o livro, mas nada de comprar. E quando ele chegou, eu não estava em condições de ler (#lutofeelings).

Daí veio a viagem pra Piracanjuba e o Marcelo comentou, em nosso último dia lá, que queria muito ler o livro. Combinamos, então, que Leo e eu iríamos ler e depois enviaríamos pro Marcelo. E no próximo encontro, vamos conversar sobre o livro. Como se fosse um Cube de Leitura familiar. Yeah!

Clube da Luta é um filme que eu nunca canso de ver. Acreditei, por isso, que teria uma identificação imediata com o livro que originou o roteiro. Ledo engano... Talvez porque as coisas mais fortes do livro não foram parar no filme, acabei deixando a imaginação rolar solta e algumas partes foram tão fortes que precisei parar, deixar o livro de lado, pensar um pouco, engolir aquilo tudo e só então retomar a leitura.

Como no filme, não sabemos o nome do personagem principal. Só que é uma pessoa com características de yuppie, com uma vida bastante certinha e sem nenhuma emoção. O trabalho é chato e desinteressante - ele avalia se empresas devem fazer recall em produtos com defeito ou se é melhor enfrentar um processo judicial. Com a frustração rondando, ele começa a ter crises de insônia e descobre "remédio" nos grupos de apoio a todos os tipos de doença. Quando participa de um encontro, ele consegue dormir. A cada encontro, dá um nome diferente. E é frequentando esses grupos que ele conhece Marla Singer, uma moça meio maluca que também vaga de um encontro a outro. Ele odeia Marla. Acha que ela roubou sua paz: desde que Marla surgiu, ele não dorme mais.

E tem também Tyler Durden, um cara que ele conhece em uma praia de nudismo. Tyler é mais descolado, tem uma vida mais interessante, uma presença cativante e carismática. Rapidamente, o narrador começa a se relacionar com Tyler e o alça ao posto de melhor amigo. Os dois vão morar juntos e começam alguns empreendimentos. Entre eles, o Clube da Luta, em que homens se reúnem apenas para lutar. Ninguém tem nome, ninguém tem história. E o Clube da Luta tem suas regras básicas. A primeira delas é não falar sobre o Clube da Luta. A segunda é não falar sobre o Clube da Luta. Mas há outras: só dois homens por luta; luta-se sem camisa e sem sapatos; a luta é encerrada quando um dos dois pede para parar ou quando um dos dois não tem mais condições de lutar; se é a sua primeira vez no Clube da Luta, você tem que lutar.

Quem já viu o filme sabe o que acontece, certo? Quem não viu, se possível, devia começar pelo livro. Não só porque é a história que deu base ao filme, mas porque apresenta a história de uma maneira diferente do filme, e confrontar as duas narrativas sem ter as imagens pra moldar os personagens e situações é bem mais bacana. Mas, se não der pra ler, corre pra ver o filme. E pra rever, porque há coisas lá que você só percebe na segunda vez. E na terceira, na quarta, na quinta...

Tanto o livro quanto o filme falam de coisas que estão arraigadas na contemporaneidade: solidão, falta de esperança, inadequação, necessidade de ser amado - não só de amor carnal, mas de acolhida mesmo -, ansiedade, insônia, loucura, escapismo, rebeldia... Parece que cada um de nós carrega um pedaço do protagonista e que, em cada momento, deixamos fluir mais uma ou outra característica.

Minha relação com o livro Clube da Luta foi de amor e ódio. Amei a escrita do Chuck Palahniuk, curti cada pista que ele dá no decorrer da trama, revivi a história do filme. Mas ser confrontada com esses sentimentos do personagem principal foi um soco bem forte, um sacode caprichado. O saldo foi positivo, porque até os momentos em que a trama me incomodou são muito bons. Talvez o incômodo venha da percepção de que o livro é atemporal, que estamos sujeitos a tudo aquilo, a fazer o mesmo que o protagonista faz, apenas porque existimos nesse mundo maluco.

2015 está só começando, mas Clube da Luta já é uma das melhores leituras do ano.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...