quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Livro: O lobo do mar



Nunca tinha lido Jack London, mas sabia da fama. Quando tinha uns dez anos, ganhei o livro Lobo do mar no supermercado, de Julieta de Godoy Ladeira. É a história de um menino, Zizo, que é empacotador de um supermercado. Lá conhece um moço rico que diz que tem um barco e Ilhabela. Os dois ficam amigos e Zizo é convidado para passear no barco. Como é apaixonado pelas histórias do mar, ele encontra vários personagens das clássicas histórias de navios. Um desses personagens é Lobo Larsen, inspirado em Wolf Larsen, o Lobo do Mar de Jack London. O Lobo no mar no supermercado é uma gracinha, muito indicado pra crianças com imaginação fértil e que possam, um dia, se apaixonar pela literatura.

Então, ler Lobo do mar, do Jack London, foi um projeto de longa data. E quando decidi pela leitura, não me arrependi.

Humphrey van Weyden é um literato morador de São Francisco, na Califórnia. Está tranquilo, sem grandes problemas na vida, a não ser ler e escrever. Ele vai visitar um amigo e pega um barco para atravessar a baía. Ao retornar, sofre um naufrágio e está a ponto de morrer quando se agarra a uma tábua. É resgatado pela escuna Ghost, liderada por Wolf Larsen, um capitão duro, cruel e, ao mesmo tempo, envolvente. Van Weyden implora para ser levado de volta a São Francisco, mas Wolf Larsen o incorpora ao seus comandados: a escuna está indo em direção ao Japão para a caça de focas.

Van Weyden é humilhado, ferido e vê seus valores serem questionados em uma situação em que é necessário apenas sobreviver. Suas mãos, que só seguram livros e canetas, são obrigadas a verem surgir calos, seja no trabalho como ajudante do cozinheiro ou, porteriormente, como imediato. Larsen faz questão de levar seus comandados no laço, não suporta qualquer insubordinação e fica contente em fazer demonstrações públicas de força. Mesmo assim, é um homem de leituras e tem conversas filosóficas muito interessantes com Van Weyden. Pra mim, o ponto alto do livro são os embates verbais entre os dois.

O livro tem alguns pontos mais chatos, mais lentos, mas não perde o ritmo nem o tom. Uma leitura muito gostosa, que faz pensar e ainda diverte. E, pra mim, ainda trouxe a saudade do Lobo do mar no supermercado. :-)

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...