sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A falta que ela me fez lá em Goiás

Já contei aqui a falta que ela me faz. Agora quero falar sobre a falta que ela me fez durante a minha visita a Goiás.

Tia Ylza sempre foi uma ouvinte atenta. Curioso porque, quando eu era criança, era a ela a quem eu recorria quando queria ouvir histórias. Com o passar do tempo, acabamos trocando de papel. E ela passou a ser a ouvinte que eu mais ansiava. Tudo na minha vida virava história a ser contada pra ela. Ainda hoje, depois de três meses de ausência, ainda escolho o que contar, o que mostrar, o que dizer. E me frustro por não tê-la pra me ouvir.

Estava com medo de ir pra Goiás. Eu sabia que, chegando lá na casa da D. Lídia, ia começar a chorar só por lembrar que a minha ouvinte predileta, que sempre esperava pelas nossas aventuras goianas, não estava mais aqui para me ouvir. Pensei em desistir várias vezes. Conversei com o Leo várias vezes sobre isso. Porque, ao mesmo tempo em que eu queria estar lá, também tinha muito medo de destoar o clima da festa com essa tristeza que teima em bater na minha porta e fazer morada em mim.

Depois que decidi enfrentar esse meu mais novo monstrinho de estimação, arrumei as malas e fui encarar. E me deixar chorar, se fosse tempo de chorar. Mesmo que fosse escondida no banheiro. Ou na frente de todos. Assim foi.

Acho que a primeira pessoa que me abraçou, depois que desci do carro, foi o Telmo. E já vieram lágrimas nos meus olhos. Elas caíam à medida de eu abraçava cada um dos que já estava lá. O sentimento que eu tinha era de acolhimento e, ao mesmo tempo, uma vontade enorme de fugir, de voltar pra casa, pra não ter nenhuma história pra contar, já que não haveria quem ouvisse. Meu monstrinho ainda insistia que eu deveria não chorar. Mas chorei - acho que discretamente - em cada abraço e fui deixar minha mala no quarto.

Cada coisa que aconteceu lá teve sua graça, seu riso, seu momento especial. Guardei vários deles. E sempre me pegava contando como contaria aquilo pra Tia Ylza. O Bruno, o Breno e a Lulu insistiram para que eu contasse pra ela, mesmo ela não estando fisicamente aqui. Ainda não sei se consigo fazer isso...

Desta vez, escrevi pouco sobre o encontro. Fiz poucas fotos. Fiquei mais distante. Saí mais vezes de perto do agito. Chorei no banheiro. Fugi.

Foi minha primeira visita a Goiás sem a Tia Ylza. Eu não sabia - aprendi agora - que a cada vez que ia pra lá, levava ela comigo. Desta vez, levei só a memória. E doeu. O desejo é que, em 2015, a memória esteja mais leve e não traga com ela esse excesso em minha bagagem.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...