quinta-feira, 13 de novembro de 2014

De quando as coisas andam

Hoje eu entro na casa dela e vejo tudo diferente. Há mais pó por todos os cantos. Há papéis espalhados, sacolas, coisas agrupadas. Móveis que foram arrastados. Objetos tirados do lugar. Um cheiro diferente no ar. Menos vasos de “folhagens”, como diria a Tia Leda.

Quando o Renato e a Mônica subiram as escadas e escolheram duas imagens – um São José e uma Santa Terezinha –, meu coração deu um longo suspiro de alívio. Uma imagem de santo pode não ser nada, pode ser pequena perto da enormidade de coisas que há naquela casa. Mas estão em mãos que a Tia Ylza aprovaria e isso basta.

Quando o Mário me chamou pelo celular dizendo que passaria na porta da casa e descemos com uma caixa e uma sacola cheia de livros, sabia que eles seriam – e serão – lidos por quem realmente valoriza aqueles volumes.

Quando a Nanda respondeu meu pedido de ajuda, eu soube que, mesmo que demore, tudo vai se resolver. Que o olhar lindo dela vai encontrar solução, destino ou uso para coisas que eu não imagino o que mais podem ser.

Quando passei pelo corredor, meus olhos se detiveram na Folhinha do Coração de Jesus, onde cada marcação de dia é arrancada. E estava lá: 23 de agosto de 2014. O dia em que o seu mundo – e o meu – parou.

Já entrei na casa sozinha, morrendo de medo de desabar de chorar. De novo, pedi desculpas pela invasão e fiquei imaginando que estava ali só para resolver o problema do gato – um dia em que um gatinho caiu no pátio e Leo e eu ficamos tentando tirá-lo de lá, devolvê-lo para a mãe, enquanto a Tia Ylza, que tinha pavor de gatos, ficou no quarto escondidinha. Como se todas as ações de agora e posteriores naquela casa fossem devolver um gatinho à ninhada enquanto a Tia Ylza está por ali, apenas confiando em minhas ações.

Seria bom se tudo fosse tão simples quanto foi solucionar o problema do gatinho. 



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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...