quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Livro: Claros sinais de loucura

Foto tremida devido ao chororô com o fim do livro


Lembro muito da minha analista me falando que algumas coisas acontecem na hora certa. Acredito bastante nisso, e posso ampliar: certos livros se apresentam pra gente na hora certa e do jeito certo.

Vi Claros sinais de loucura pela primeira vez numa foto que a Dreisse publicou no Instagram. O título já me deixou com vontade de ler. E quando a Dreisse comentou que gostou e que eu provavelmente ia gostar, perguntei se rolava um empréstimo. Ela me entregou o livro numa quinta-feira. No dia seguinte, à noite, eu já tinha terminado a leitura. E estava em prantos, destruída, e com a sensação de que eu tinha mesmo que ter lido naquele momento. Obrigada, Dreisse!

O livro é narrado pela primeira pessoa pela Sarah Nelson, uma garotinha de 12 anos que tem uma vida bem conturbada. Aos dois anos, Sarah sofreu uma tentativa de assassinato. Nesse episódio, seu irmão gêmeo, Simon, morreu. E quem tentou matar Sarah e matou seu irmão foi a própria mãe dos meninos. Desde então, a mãe de Sarah foi presa e, depois do julgamento, vive em um hospital psiquiátrico. Seu pai, Tom, é professor universitário e se esconde atrás do uísque - o que o ajuda a se levantar e a dormir todos os dias, mas prejudica bastante seu relacionamento com a filha. Enquanto tentam tocar a vida, os dois acabam mudando de cidade a cada vez que alguém os reconhece como o marido e a filha daquela mãe louca.

Sarah sabe que o gene da loucura mora nela. E se preocupa ao perceber que algumas atitudes que toma podem ser um claro sinal de loucura. Por exemplo: sua melhor amiga é uma planta, com quem ela conversa e conta segredos. Planta responde, o que é um sinal de que Sarah não bate bem. Outro sintoma é que ela também conversa com Simon, seu irmão morto. E, ainda, ela gosta de ficar de pé no toco de árvore que tem no jardim da sua casa. A garota é bem madura e espirituosa e está enfrentando dois problemas sérios: 1) conseguir não passar as férias de verão na casa dos avós 2) no próximo ano escolar, ela terá que fazer e apresentar a árvore genealógica de sua família, e isso implica contar para todo mundo que sua mãe é louca e que ela também pode ser.

Além disso tudo, Sarah é uma adolescente preocupada em fugir dos colegas bully, em passar despercebida na sala de aula, em tentar conversar com o garoto que ela gosta e, finalmente, beijar de língua pela primeira vez. Ela vive às voltas com palavras favoritas, um diário falso e um verdadeiro, o livro O sol é para todos (que me deu muita vontade de ler) e cartas que escreve para um dos personagens desse livro. E quando ela consegue resolver o problema 1 e passar as férias em sua própria casa, uma onda de coragem a invade e muita coisa vai mudar.

O "novo eu" da Sarah me emocionou muito. A transformação, o amadurecimento, a forma de encarar os problemas e ainda desenvolver afeto foram coisas que passaram como um caminhão sem freio descendo ladeira em cima da minha cabeça. Não sei nem falar quantas vezes chorei com o texto. Nos últimos dez capítulos, chorei sem parar.

Acabei fazendo um paralelo com o Precisamos falar sobre o Kevin, que também me abalou muito. E, não se engane, a protagonista de Claros sinais de loucura tem 12 anos e conflitos adolescentes, mas este não é um livro sobre adolescência. É sobre coragem, amadurecimento e enfrentamento. Super recomendado.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...