quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A falta que ela me faz

Tomei emprestado de Fernando Sabino o título desse post. Porque é adequado ao momento.

Hoje faz dois meses da morte da Tia Ylza. São dias de muita dor. Em que cada momento me lembra dela e que, logo em seguida, lembro que ela não está mais aqui. E é como um choque perceber que não tenho mais ela aqui do meu lado. Talvez eu deveria contar quantas vezes ao longo do dia me pego pensando em algo para contar pra ela. E aí "cai a ficha", não tenho pra quem contar. Não tem mais casa dela todo dia e histórias pra contar.

Tem havido casa dela ao menos uma vez por semana. Para molhar as plantas, pegar correspondências e continuar a mexer nas coisas dela, separar o que for pra doar, pra guardar, pra presentear. Já consegui dar andamento para algumas coisas.

Uma das que mais me emocionou foi a baiana que a Tia Ylza ganhou do Tio Almyr sei lá quando e que ela queria dar para a Bel. Mas não deu quando a Bel a visitou porque ficou com vergonha da saia curta da boneca. A baianinha já está em Ilhéus, fazendo graça pra Jorge Amado.

Com certeza Tia Ylza aprovaria

A Ivete, uma grande amiga da Tia Ylza, ficou com a imagem de São José que ficava na sala de visitas. A imagem de Nossa Senhora - acho que da Imaculada Conceição, não tenho certeza - foi para a igreja de Botafogo, uma localidade aqui de OP, perto do distrito de Rodrigo Silva. As receitas de tricô estão devidamente escaneadas e montadas em um arquivo .pdf. Algumas coisas já estão encomendadas. Outras, têm destino certo por decisão minha. Mas a maior parte ainda não sei que rumo vai tomar.

Enquanto falo, vejo, separo coisas, a presença dela é constante. Como se, ao sair da cozinha, eu pudesse vê-la na sala de jantar. Ou que, ao entrar no quarto, pudesse encontrar com ela sentada ao lado da cama, debruçada sobre o tricô. Como se, ao vê-la ali, no quarto, eu pudesse dizer, de novo, "Oi, Aya", e me sentar na cama e contar do meu dia.

Não imaginava que eu gostava tanto dela. Nunca poderia imaginar o tamanho da falta que ela me faz.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...