terça-feira, 9 de setembro de 2014

Quanto tempo dura um luto?

É curioso como se dá o processo de "digerir" uma morte.

Conversando com o Leo dia desses, cheguei à conclusão que não sofri muito a morte da Tia Leda porque eu tinha a Tia Ylza pra cuidar. Então, era preciso ser forte para ajudar a Tia Ylza a ser forte também. Além disso, a Tia Leda passou por um processo mais longo. Foram três anos desde o AVC e três meses de hospital. Ao final, a morte dela foi um alívio, porque não queríamos vê-la sofrer (e ela estava sofrendo há tempos). E ter estado ao lado dela o tempo todo acabou fazendo parte do processo de absorver a morte.

Com a Tia Ylza, não. Tudo aconteceu muito rápido. Ela estava bem, tenho certeza. Se não estivesse, não teria saído de casa. Ela não saía quando estava com qualquer probleminha, podia até ser um aborrecimento simples. Se saiu, estava bem. E aí veio o ataque cardíaco, a queda, o trauma, a morte, três horas depois.

Eu não estava preparada. E tem sido muito duro conviver tanto com a forma da morte quanto com a ausência. Por enquanto, só dor.

O problema é que eu ando precisando de força para resolver a vida, ver as questões burocráticas, os objetos, essas coisas. E voltar à casa dela tem sido uma tortura. Rever as coisas dela, arrumadas daquele jeitinho que só ela sabia, ter que subir as escadas sabendo que ela não está lá... tudo isso dói demais.

A pergunta, agora, é quanto tempo vai durar isso tudo. Porque, dependendo do tempo, vai ser inevitável ter ajuda.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...