quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Livro: Manual de sobrevivência dos tímidos



Comprei esse livro numa promoção maluca da editora Lote 42 - ela dava 10% de desconto para cada gol que o Brasil sofresse na Copa do Mundo. E aí a Seleção perdeu por 7 a 1 pra Alemanha naquele dia que ninguém gosta de se lembrar. Pensava, há tempos, em comprar Já matei por menos, mas vendo o acervo da editora - que é pequeno, mas muito respeitável -, encontrei Seu Azul e este Manual de sobrevivência dos tímidos. E como timidez aqui é mato, ele veio pra mim, mas não foi lido de imediato.

A morte da Tia Ylza ainda está batendo com muita força - é a razão da minha tristeza, da minha falta de apetite, da falta de vontade de socializar e conversar e de mais tanta coisa... Leo anda dizendo que eu vou desidratar de tanto chorar. Foi aí que decidi ler o Manual de sobrevivência dos tímidos, pra ver se esse sentimento tão ruim melhorava um cadinho. E foi um alento, apesar de, em vários momentos, o livro me lembrar da Tia Ylza.

O texto de Bruno Maron é bem divertido, as ilustrações são ótimas e é bem descomplicado ler: em algumas horas o livro estava terminado e havia menos dor em mim. O início pode até parecer um pouco técnico, quando o autor fala sobre as causas psíquicas da timidez. Mas até nisso ele tira sarro dos que foram mordidos pela timidez com frases como "Penso, logo hesito. Penso muito, logo desisto".


Dicas: de que tipo de pessoa fugir.
Ei, eu sou sobrevivente do coma! 

Quando o Bruno fala das situações que a timidez acarreta, super me identifiquei com as questões de inanição, hipotermia, retratofobia e urina travada. A inanição é básica: aquela vergonha enorme de comer em público, mesmo quando te oferecem sua comida favorita. A hipotermia vem da vergonha de pedir mais um cobertor quando se vai dormir na casa de um amigo, com medo de incomodar. O resultado é uma noite de frio mal dormida e sorrisos no dia seguinte, quando perguntam se você dormiu bem. A retratofobia também é bastante comum: você prefere fugir na hora das fotos. Só pessoas muito especiais conseguem uma foto decente sua. Porque, de tanta vergonha, você sempre aparece terrivelmente nas fotos em que não queria aparecer. E a urina travada é aquele medo que te trava em banheiro público quando tem alguém por perto. Acho que é mais comum em homens, mas me acomete, às vezes.

Às vezes é inevitável mesmo


Bruno também dá dicas para quando é impossível não socializar. A que eu mais gosto são as formas de se usar o celular para seu melhor objetivo: a incomunicabilidade. Um celular na mão pode salvar de várias situações (e eu já contei aqui que recorro a ele algumas vezes).

Lembrei muito da Tia Ylza quando o autor fala sobre como fugir de um conhecido na rua. Porque ela rezava todo dia pra não encontrar pessoas na rua. Era introspectiva e detestava abordagens que invadissem o seu espaço. E, justamente por isso, evitava invadir o canto dos outros. Com certeza, Tia Ylza ia gostar do livro.



Sim, faço isso às vezes. Mas, no geral, não reconheço
as pessoas a tempo :-(

Super recomendado para quem quer rir um pouco, desanuviar ou aprender técnicas ninja de sobrevivência nesse mundo cão.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...