quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Livro: Lendo Lolita em Teerã



Desde que este livro foi lançado, pela editora A Girafa, me candidatei a ler. Mas não comprei, deixei de lado, fiquei esperando uma oportunidade. Daí que, quando fui a Goiás em 2013, um dos tios do Leo estava devolvendo o livro, que pegara emprestado, para a avó do Leo. Perguntei se tinha gostado, se o livro era dele. E a avó do Leo, D. Lídia, essa pessoa maravilhosa, me emprestou o livro. Com devolução marcada para novembro de 2014. Trouxe pra casa e deixei na pilha de livros a serem lidos este ano - ela só aumenta, putz!!! Aí, com a proximidade de novembro, foi a vez de tirar Lendo Lolita em Teerã da pilha e iniciar a leitura.

A autora, Azar Nafisi, é de uma família com certa influência em Teerã. Seus pais ocuparam cargos públicos na época em que o Irã ainda vivia uma democracia e ela pode estudar na Europa e nos Estados Unidos, onde se especializou em literatura. Casada pela segunda vez e de volta ao Irã, ela passou pela revolução que fez com que as leis de antigamente retornassem e a liberdade e a democracia fossem banidas. Enquanto dava aulas na Universidade de Teerã, viu as leis mudarem e a independência das mulheres desaparecer. Ela e as outras professoras e alunas foram obrigadas a usar o véu, a não usar maquiagem, a esconder os cabelos e qualquer tipo de adorno e a só conversarem, em público, com homens que fossem seus familiares. A revolta com o uso obrigatório do véu fez a professora ser expulsa da universidade.

Por alguns anos ela ficou sem dar aulas, mas viu uma oportunidade em outra universidade. Dessa vez, já dentro das novas regras. E as aulas em que discutia livros clássicos da literatura universal apresentavam aos alunos temas para a reflexão sobre suas próprias vidas e sobre o estado constante de tensão no Irã. Saindo dessa universidade, a professora montou, em casa, um grupo de estudos com antigas alunas. Os livros que elas liam, estudavam e comentavam estavam proibidos há muitos anos, mas a determinação de Azar fez com que a literatura não se perdesse com as leis que cercearam as liberdades.

O início do livro é bem emocionante. Confesso que fui surpreendida e achei que as suas 500 páginas fluiriam com rapidez. Ele é dividido em partes, em que os autores Nabokov, Fitzgerald, Henry James e Jane Austen são observados mais de perto. A cada parte, a situação política e social do Irã é confrontada com situações das obras desses autores. E, assim, ela vai desenrolando a história da divulgação da literatura para seu grupo de alunos.

Porém, o livro vai ficando chato e repetitivo. Os conflitos abordados nas partes acabam sendo os mesmos, e acabei me cansando. Não é uma depreciação da história, que é linda e emocionante, mas uma questão de forma e estilo. O livro é comprido demais, enredando o mesmo assunto indefinidamente. Parece que a autora queria escrever uma obra comprida e se dedicou a isso, sem tentar ser objetiva. E também quando ela começa a falar de sua rebeldia e de como seu trabalho era extraordinário. O fato é que foi um trabalho extraordinário mesmo. Mas o leitor consegue observar isso sem que a autora precise repetir.

O estilo, pra mim, foi bastante cansativo. Azar optou por uma narrativa não cronológica e por não entrar em certos detalhes sobre suas alunas e seus encontros. E esses pontos fizeram falta para se ter um quadro completo. Parece, por vezes, que ela conta um segredo que não pode ser contato por inteiro e, assim, omite muitos pontos. Entendo que ela tentou proteger as alunas, mas algumas informações fizeram falta para o bom andamento da história.

Em resumo: aprendi bastante coisa sobre a história do Irã e sobre literatura, que foram as coisas que achei mais legais no livro. Mas a narrativa foi, muitas vezes, aborrecida. Vou devolver à dona em novembro e não lerei de novo. Até porque ando tentando ser mais racional nas minhas releituras.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...