sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Releituras (ou não)

Quando somos crianças e estamos aprendendo, a repetição de tudo faz bastante sentido. Diz a lenda familiar que eu enchia o saco das tias porque queria que elas repetissem sempre a mesma história. E, por saber de cor cada narrativa, eu sempre corrigia as escorregadas que elas davam, por pressa, por cansaço ou por estarem de saco cheio mesmo.

Quando comecei a ler, repetir livros virou uma rotina. Não contei quantas vezes reli As aventuras de Xisto. Ou Uma rua como aquela. Ou A marca de uma lágrima e A droga da obediência. Só sei que, volta e meia, estava lá relendo algum livro que era mais do que querido.

O livro que mais me marcou na vida foi O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. A leitura foi tão impactante que, assim que terminei de ler, recomecei. E reli mais algumas vezes. Essas releituras eu contei. Mas parei na décima segunda vez. Reli outras tantas e, em 2013, mais uma vez. Tenho três edições diferentes do livro. Uma da coleção vermelha dos clássicos da abril; uma da editora Hedra; uma da Biblioteca Azul, a mais linda de todas.

Outros livros eu reli com vontade. Agatha Christie, sempre vale uma releitura. Alguns romances, como Orgulho e Preconceito, que eu sempre releio para me apaixonar por Mr. Darcy mais uma vez. E outros livros que me marcam de alguma forma.

Mas agora... ando pensando que reler pode não ser uma boa. Porque o tempo está ficando cada vez mais escasso. E o tempo que passo relendo um livro, vendo novamente uma história que já conheço, poderia ser gasto com outro livro, com outra história, com uma que ainda não conheço.

Aí, me pego pensando em aproveitar melhor o tempo e colocar em dia as leituras de filosofia. Mas, vou te contar, é difícil demais ler filosofia. Livro de cem páginas demora muito. De 200, 300 então... E tudo tem que ser pensado, repensado, escrito, grifado, calculado. Demora. Quando tenho um livro de filosofia pra ler, acabo comparando com o tempo de leitura de um romance. Um livro de filosofia equivale a quatro ou cinco romances. E o tempo? Cadê?

Estou tendendo a abandonar as releituras. Ao menos aquelas muito prazerosas e pouco "acrescentativas". Para investir no novo. Pra ver se melhora a relação entre os livros que eu já li e os que ainda preciso ler. A lista dos que preciso ler é extensa demais. E só cresce.

Reler ou não reler? Oh, dúvida cruel!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...