quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Livro: O senhor das moscas


E então eu li O senhor das moscas... morrendo de medo. Mas explico.

O livro foi escolhido pelo Clube de Leitura, junto com Lolita, de Nabokov. Tenho os dois livros e pensei muito em ler só Lolita. No fundo, são dois livros que me causam medo de ler. O senhor das moscas, pela forma como a sociedade dos personagens se dá. Lolita, pela violência contra a menina.

Resolvi começar por O senhor das moscas, para enfrentar de vez o que me causava mais pavor.

É a história de um grupo de meninos que sobrevivem de um acidente aéreo caindo em uma ilha deserta. Alguma semelhança com Lost??? Todas, claro! E isso não me deixou menos apreensiva... Não há adultos sobreviventes, apenas um bando de crianças de seis a 13 anos. E todos eles precisam sobreviver. Logo de cara, destacam-se três: Jack, Ralph e Porquinho. Jack é o garoto que quer ser o líder de toda forma e não tem muitos escrúpulos em manipular os coleguinhas. Ralph é o líder por acidente: ele descobre uma grande concha que, ao ser soprada, produz um som - este passa a ser o código para que todo o grupo se reúna. Porquinho é o garoto sensato que está sempre sofrendo bullying por ser gordinho, usar óculos, ter asma e morrer de medo por não ter um adulto por perto.

Há ainda outros meninos: Robert, Roger, Simon, os gêmeos Sam e Erick e, ainda, um bom tanto de "pequenos", que viviam tendo pesadelos, chorando e fugindo do trabalho. E tem ainda os óculos de Porquinho, que exercem um papel fundamental na história, para acender a fogueira e para outra coisa que não vale a pena falar, mais pro fim da história. Ralph tenta organizar equipes para construir abrigos, buscar comida e manter acesa uma fogueira no alto da ilha, para chamar a atenção de algum navio ao longe. Mas Jack quer carne e resolve montar um grupo de caçadores para buscar porcos no interior da ilha.

Mas há um pequeno, com uma mancha perto do olho, que viu um bicho durante a noite. E esse "companheiro" de ilha assusta os meninos e provoca muitos problemas. Como convencer os pequenos que não há um bicho? E se houver? Como proteger a todos?

O senhor das moscas, como eu já esperava, é um livro bem forte, bem pesado. Não se engane com os protagonistas, que são crianças. O que se discute, aqui, é a formação de uma sociedade, bem ao gosto dos filósofos que pensaram a hipótese do Estado de Natureza. Passando pela opção mais simples (todos estavam felizes por não terem mais escola e poderem brincar o tempo todo) até a mais complexa (em que grupos são formados e disputam poder). Os dilemas dos garotos são os nossos, quando pensamos a sociedade em que vivemos. E ver certas decisões e suas consequências me fez, constantemente, tirar os olhos do livro e pensar na minha vida, no meu mundo, no que quero pra mim, pras pessoas que me cercam. Nem sempre paramos pra pensar nas consequências das nossas escolhas. Só que, mais dia, menos dia, elas batem à nossa porta.

Foi uma pauleira. E foi muito bom. Não é à toda que o autor, William Golding, ganhou o Nobel de Literatura. O senhor das moscas é um clássico e merece ser lido.

P.S.: este título faz parte de Uma lista de livros para a vida, criada por Alberto Mussa e que, um dia, talvez, eu vá conseguir completar.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...