quinta-feira, 10 de julho de 2014

Nome mimimi e blablablá

Já perdi a conta de quantas vezes falei do meu nome aqui. Algumas delas:

- Quando erraram o dito no meu certificado de conclusão da pós;
- Quando me chamavam no MSN ou no Adium, ou enviavam (ainda enviam) e-mail pensando contactar outra Aline Monteiro;
- Quando abriram minha correspondência e a grafia fez com que pensassem que o pacote era pra uma Oline;
- Quando ligaram pra casa do Leo procurando uma Aline Monteiro que trabalharia nas eleições e não era eu;
- Quando me ligaram achando que eu era outra Aline e o sujeito ainda me chamou de horrorosa;
- Quando tudo isso começou, com o Leo me fazendo descobrir uma Aline Monteiro jornalista, da minha idade, no Pará;
- Quando contei como me sinto com relação a um nome que não tem apelido fixo (no nº 1 dessa postagem linkada).

Também falei sobre o nome da minha bisavó, Enoe (não, você não leu isso errado. Não, eu não escrevi errado), e de como o nome serve pra diferenciar as pessoas #piadafamiliar. E também sobre a minha trisavó, Felicidade Perpétua, que era bem mal-humorada.

Acontece que outro dia parei pra pensar em como eu ando assinando os posts do blog: Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine. E me lembrei de quando, numa sessão de análise, disse pra Flávia que, quando alguém me chama de Aline, pronunciando o nome inteiro, me dá até medo. Porque parece que não sou eu. Como se o nome não combinasse comigo. Como se alguém chamasse uma bola de garrafa.

E, como tenho estudado Wittgenstein e as convenções da linguagem, ando matutando aqui com meus botões que alguém olha pra um bebê cabeludinho, enrugadinho e, de repente, coloca um nome nele (no meu caso foi assim, na época nem era possível saber o sexo do bebê antes do nascimento, e diz a história familiar que eu me chamaria Natália ou Letícia, até que minha mãe me viu, nascida, e mudou de ideia). Você decide um nome. E pode ser um nome legal, de família, estranho, ridículo, não importa. É um nome. É como vão identificar o outro pelo resto da vida. Phoda-se se ele não gostar. Alguém escolheu e assim está sacramentado em cartório.

Lembro de uma amiga cujo pai foi registrado com um nome e batizado com outro. Ele só descobriu o nome de registro quando estava prestando vestibular. E uma tia que possui uma letra a mais no nome de registro: Lélia no papel, Léia para os íntimos.

Tudo isso pra dizer que "Aline" não me representa. Ou, ao menos, não é adequado pra mim. Lile, Line, Nine são mais a minha cara. Talvez porque eu mesma tenha escolhido esses apelidos como meus. Talvez porque haja mais carinho neles, na forma como são usados, que fazem com que eu me sinta acolhida.

P.S.: nada contra quem me chamem de Aline, queria deixar isso claro. Só que sempre demoro um pouco pra responder, alguns segundos pra me dar conta de que é comigo mesmo :-)
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...