quinta-feira, 26 de junho de 2014

Chaves

Outro dia parei pra pensar nas chaves que a gente carrega por aí. E nas que a gente deixa, também.

Não sei como comecei a pensar nisso. Talvez tenha sido o fato de que há duas chaves do cadeado do portão de casa no meu chaveiro. Uma delas abre, efetivamente, o cadeado. A outra, é do cadeado que já não está lá, porque precisou ser trocado. Ou seja: tenho no meu chaveiro uma chave que não abre. E não tiro ela de lá, não sei por que motivo.

No meu núcleo familiar biológico, ter chaves era algo que só vinha com responsabilidade. Ao menos, esse era o discurso. Porque, na prática, receber as chaves de casa, só em caso de necessidade. Houve uma época em que eu tinha, orgulhosa, as chaves de casa (e, sempre que possível, gostava de entrar pela área de serviço) e do escritório do estágio. Já carreguei mais de dez chaves ao mesmo tempo.

Mas há chaves diferentes, que não se materializam. A chave como um sinônimo de solução, sabe? Uma daquelas que abre portar invisíveis, que facilitam os caminhos e diminuem percalços. O que soluciona um mistério. Uma pista que traz luz para uma situação.

Ando precisando dessas chaves. É como se, neste momento, eu estivesse numa sala ampla com várias portas, todas fechadas. O que falta é a chave. Hoje, não sei qual por qual porta devo ir. E, nesse caso, como diria o Gato de Cheshire, quando você não sabe para onde vai, qualquer direção serve.

Só preciso de uma chave...

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...