quarta-feira, 21 de maio de 2014

Livro: Pedaços de um caderno manchado de vinho


Minha história com Bukowski não é muito positiva. Talvez porque eu só tenha começado a lê-lo mais velha. Idem com o que aconteceu com On the road. Se for como estou pensando, há uma época certa para ler Kerouac assim como há um tempo ideal pra ler o velho Buk. O meu já passou.

Pedaços de um caderno manchado de vinho é um livro interessante. A editora L&PM o apresentou como reunindo o primeiro e o último conto, a primeira e a última coluna "Notas de um velho safado" e outras características que tais. Os textos são muito bacanas e bem escritos.

Mas... não me comovem.

Talvez pelo estilo de vida "podrão" do Bukowski. Que eu teria amado se tivesse lido aos 16 anos. Que seria quase um guia para a adolescente revoltadinha que eu fui. Mas que hoje não fazem mais muito sentido para a pessoa que me tornei. É apenas uma questão de estilo. O Buk escreve muito bem, tem textos muito bem construídos, divertidos, tocantes. Destaco o Confissão de um velho safado, que tem um tom envolvente e sensível. Quase impossível não se envolver com a história.

Mesmo sabendo que não é muito a minha praia, sempre dou uma chance ao Bukowski. O título desse livro me pegou de jeito. É bem como eu imagino o autor, escrevendo notas esparsas num caderno qualquer enquanto toma aquele porre diário. E como a vida não foi um mar de rosas - ou ele não a via assim -, muita coisa bacana, mas também sofrida, foi parar naquele caderno.

Próximo!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...