quarta-feira, 28 de maio de 2014

Livro: À mesa com o Chapeleiro Maluco



Não me lembro exatamente como comprei esse livro. Desconfio que foi um saldão da Fnac em que encontrei várias pérolas por menos de R$5. Ele deve ter ficado uns dois anos parado na estante. É uma pena, mas em geral é o que acontece com os livros que compro. Em 2014, decidi comprar o mínimo possível para tentar - inutilmente, eu sei - diminuir a pilha dos não-lidos.

O fato é que foi a primeira vez que li Alberto Manguel e, de cara, me apaixonei por ele. Que jeito gostoso de escrever! Que prosa macia, leve e, ao mesmo tempo, profunda, erudita! Claro que ajuda muito os ensaios do livro serem sobre literatura. E o autor sempre coloca uma citação pertinente de Alice no país das maravilhas ou de Alice através do espelho e o que ela encontrou por lá.

O primeiro ensaio é uma coisa linda chamada "Notas para a definição do leitor ideal". Só com esse texto o Manguel ganhou meu coração para sempre. "O leitor ideal conhece a infelicidade", diz ele. O que me fez lembrar muito de O espírito da prosa, de Cristóvão Tezza e sua teoria sobre o escritor (que eu, em geral, aplico também ao leitor).

"Como Pinóquio aprender a ler" também é uma delícia, assim como "O elogio das palavras" e "Uma breve história da página. Foram os que eu mais gostei.

Nos outros ensaios, Manguel fala de autores e períodos da literatura que não tenho muito conhecimento. Na verdade, não conheço 80% dos autores citados, mas deu aquela vontade louca de ler cada um deles e encontrar o mesmo encanto que Manguel encontra.

Ao contrário do Umberto Eco, que é meu escritor amo-odeio-amo-odeio, o Manguel não fica expondo sua erudição. Não sei se ele é tão erudito quanto o Eco. O fato é que é bem mais fácil ler Manguel; ele é mais amigável.

Amor eterno, amor verdadeiro.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...