sábado, 5 de abril de 2014

Livro: Um bonde chamado desejo



Já comentei aqui que nunca fui muito fã de literatura americana. Mas que quebrei a cara ao ler O grande Gatsby, que é perfeito da primeira à última linha. Por outro lado, sempre tive curiosidade de ler Um bonde chamado desejo. Comprei o DVD do filme Uma rua chamada pecado e não assisti, pensando na possibilidade de um dia ler o livro. E eis que a vida me deu de presente a Juliana Reis. Uma pessoa tão especial que eu nem tenho palavras pra descrever. A Ju é tão, mas tão querida! E um dia ela foi me visitar levando um presente nas mãos. Era Um bonde chamado desejo, livro que a mãe dela leu quando participava do GLTA, o grêmio fundado pelo meu padrinho. A Ju também leu o livro e sempre gostou dele. E, por este ano ser o centenário do meu padrinho, ela resolveu me dar de presente aquela história que marcou tanto a família dela. Só essa história seria suficiente pra me fazer amar o presente. Mas além disso, é um livro que sempre quis ler e uma história apaixonante.

Um bonde chamado desejo é uma peça de teatro que estourou, com Marlon Brando no papel principal. O sucesso foi tanto que o diretor Elia Kazan pediu ao autor, Tennessee Williams, para fazer o roteiro cinematográfico e o filme foi sucesso, novamente com Brando no papel principal.

É a história de Blanche, uma moça que foi rica e perdeu todos os seus bens. Passando por uma crise de nervos, ela vai viver com a irmã, Stella, em Nova Orleans. Stella mora com Stanley, seu marido, e está grávida do primeiro filho. O primeiro movimento de Blanche é se chocar com a forma como a irmã vive. Stella e Stanley alugam o primeiro andar de uma casinha num bairro pobre de Nova Orleans. Apenas dois cômodos, o misto de sala e cozinha e, sem porta que o separasse, o quarto. Blanche dormiria na sala. Seus hábitos mais refinados, dados a longos banhos, roupas chiques e muitos acessórios, batem de frente com os de Stanley, um ex-militar grosseiro, machista e irritável.

A relação entre os três personagens move a história. Blanche, com sua futilidade, é o retrato de uma aristocracia decadente. Stanley é o sensual representante da classe trabalhadora. Stella é a mulher dividida entre a antiga família e a nova, entre a proteção que quer dar à irmã e o devotamento ao marido. O desejo sexual feminino, a violência dos trabalhadores, a violência contra a mulher, a opressão de muitas formas vêm à tona o tempo todo. E, ao fundo, sempre um jazz tocado, na casa logo após a esquina.

É uma história universal, que merece ser lida. E o filme já vai sair da prateleira...

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...